
Faixa do MAB acusa a mineradora: “Vale assassina”. Fotos: Sérgio Cardoso/Sindibancários-ES
Na manhã desta quarta-feira, 22, integrantes do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB-ES) se concentraram em frente ao prédio onde funciona o Hub Vitória Vale, na Enseada do Suá. O ato foi em protesto ao descaso da mineradora com as vítimas das comunidades atingidas pelo rompimento da Barragem de Fundão, em Mariana –MG, em novembro de 2015. A Vale-BHP Billinton e a Samarco são responsáveis pelo crime que matou 19 pessoas e deixou um rastro de destruição em 39 municípios às margens do Rio Doce nos estados de Minas Gerais e Espírito Santo. No estado capixaba, os rejeitos de minério também poluíram o mar.

Com faixas e cartazes, manifestantes protestaram contra o descaso da Vale com os atingidos por barragens
No protesto, uma faixa do MAB acusava a mineradora: “VALE ASSASSINA”. Havia também faixas em protesto à fome que se abateu nas comunidades do Rio Doce após a tragédia e ao rompimento de outra barragem, a de Brumadinho, também em Minas, em janeiro de 2019. O protesto contou com o apoio de organizações sociais, partidos políticos e entidades sindicais. O Sindicato dos Bancários/ES marcou presença no ato. “Vocês não estão sozinhos nesta luta. Podem contar conosco. Esse problema ambiental afeta a todos nós”, afirmou aos presentes o diretor do Sindibancários Claudio Merçon (Cacau).

Diretores e diretoras do Sindicato participam marcaram presença no ato em apoio aos atingidos por barragens
De acordo com o coordenador do MAB, Heider José Bozzi, as comunidades atingidas continuam fora das negociações com as empresas e com o governo do Estado. Bozzi diz que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que conduz as tratativas, está prestes celebrar a terceira repactuação. “Essa repactuação pode sair ainda esta semana e os atingidos e atingidas ainda não foram ouvidos”. Ele acrescenta que os atingidos também não participaram das repactuações anteriores.
A principal reivindicação do MAB, neste momento, reitera o militante, é garantir a participação dos atingidos e das atingidas nesse acordo que está sendo construído entre o governo do Estado e a Vale-BHP e Samarco. Da maneira como a repactuação está sendo conduzida, sublinha Bozzi, os atingidos não podem se manifestar sobre o seu próprio futuro.

O coordenador destacou o apoio que o MAB tem recebido de entidades como a Associação de Juízes pela Democracia (AJD), o Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH/ES) e o Observatório do Rio Doce. O diretor do Sindibancários Fabrício Coelho destacou o apoio das entidades sociais no protesto desta quarta. “O apoio da sociedade civil organizada é muito importante. Notei aqui a presença das comunidades de pescadores. Todos nós somos, de alguma maneira, atingidos por esse crime ambiental. A Vale continua lançando todos os dias pó de minério sobre a Grande Vitória, provocando doenças respiratórias e mortes. É importante registrar também que o Sindicato dos Bancários é a favor da reestatização da Vale”, assinalou Fabrício.
Sem diálogo com Casagrande
Bozzi afirma que o MAB tenta insistentemente abrir uma agenda com o governador Renato Casagrande para discutir as reivindicações dos atingidos. Em recente reunião com o Conselho Estadual de Direitos Humanos, o MAB destacou o grave problema social das comunidades atingidas e reiterou a urgência de se reunir com o governador antes de o novo acordo ser selado. “Além de não sermos recebidos pelo governador, não sabemos nada sobre as intenções do Estado sobre a destinação do recurso bilionário da reparação”, aponta Bozzi.
Para tentar abrir esse canal de diálogo com o governo do Estado, o coordenador do MAB diz que na tarde desta quarta haverá um ato na frente do Palácio Anchieta.
Cacau comentou que a falta de interlocução do governo do Estado com as entidades sociais é geral. O dirigente diz que o Sindicato dos Bancários, desde o início do governo, tenta, sem sucesso, agendar uma reunião com o governador para tratar da pauta de reivindicações envolvendo o Banestes. “Criticávamos a falta de interlocução com o ex-governador Paulo Hartung, mas Casagrande é tão avesso ao diálogo com os movimentos sociais quanto o seu antecessor. Infelizmente, falta sensibilidade do governador em receber os atingidos por barragens. Casagrande abre as portas para as empresas autoras do crime e fecha para as vítimas”, critica Cacau.








