
O candidato Capitão Vinícius Sousa assinou o termo no último dia 17 durante seminário promovido pelo Comitê, que discutiu “A importância dos bancos públicos estaduais e a resistência à privatização” (Fotos: Sérgio Cardoso/Sindibancários/ES)
Como ocorre tradicionalmente nas eleições para o governo do Espírito Santo, o Sindicato dos Bancários/ES enviou aos sete candidatos que disputam a corrida ao Palácio Anchieta o termo de compromisso em defesa do Banestes público e estadual. Ao assinar o termo, entre outros compromissos, o candidato empenha sua palavra junto à população e aos banestianos de que não irá privatizar o banco e suas subsidiárias – Banestes Seguros, DTVM e Corretora. Até o fechamento desta matéria, apenas o candidato do PSTU, Capitão Vinícius Sousa, havia assinado o termo. Os outros seis candidatos – Renato Casagrande (PSB), Audifax Barcellos (Rede), Guerino Zanon (PSD), Manato (PL), Aridelmo Teixeira (Novo) e Cláudio Paiva (PRTB) – ainda não assinaram o documento.
O Comitê em Defesa do Banestes Público e Estadual, por meio do Sindicato dos Bancários, após confirmar que todos haviam recebido o documento, solicitou aos candidatos que se manifestassem até a última sexta-feira, 23. “Como esses seis candidatos não se posicionaram até agora, estamos considerando que eles não têm compromisso com a manutenção do Banestes público e estadual”, afirma o diretor do Sindicato Jonas Freire, coordenador do Comitê em Defesa do Banestes.
Segundo o dirigente, houve tempo suficiente para os candidatos avaliarem o documento e dizer se concordam ou não em assinar o termo. “Vimos com surpresa a omissão dos candidatos nestas eleições. Independentemente do posicionamento de cada um, é muito importante que o eleitor saiba, antes do dia 2 de outubro, quais são os planos do candidato sobre o futuro do mais valioso patrimônio dos capixabas. Quem ainda não assinou, entendemos, não quer assumir o compromisso com o Banestes”, assinala Jonas.
Privatização disfarçada
Em maio deste ano, o governador Renato Casagrande não titubeou para sancionar a Lei 11.671/2022, que permite à direção do Banestes adquirir participações em sociedades, especialmente de tecnologia, startups ou fintechs, nacionais ou estrangeiras, bem como criar subsidiárias. “Para sancionar a lei que abre caminho para privatização do Banestes, Casagrande foi ligeiro. É bastante representativo que ele não tenha assinado o termo até agora. Pelo movimento que o governador tem feito em direção à privatização, seria até contraditório que ele assinasse o termo. Mesmo porque, o documento propõe, entre outros pontos, a revogação da lei que ele mesmo sancionou. O que nos deixa indignado é que o governador tem dito aos quatro cantos que não irá privatizar o banco”, protesta.

Na campanha de 2018 Casagrande assinou o termo, mas não o cumpriu ao dar início a venda da Banestes Seguros e ao sancionar a Lei 11.617/22, que abre caminho para a privatização do banco
Diferentemente das privatizações dos bancos públicos estaduais que ocorreram no final da década de 1990 e se intensificaram no início deste século, explica Jonas, os governantes têm adotado um modelo disfarçado de privatização, no qual os principais ativos da empresa pública são vendidos em fatias. “Estamos vendo esse processo de venda fatiada também na esfera federal, com o Banco do Brasil e a Caixa”.
O dirigente destaca que o Banestes, ao lado de outros quatro bancos públicos estaduais (Banrisul, Banpará, Banese e BRB), resiste às investidas privatistas que parte geralmente dos próprios governantes. “Importante que o eleitor capixaba, especialmente o banestiano, saiba quais são as candidaturas não só ao governo, mas também à Assembleia Legislativa e ao Congresso Nacional, realmente comprometidas com o Banestes, com outras empresas públicas e com a classe trabalhadora em geral. Porque a privatização precariza as relações de trabalho e causa desemprego”, adverte.
Na eleição de 2018, cinco dos seis candidatos ao governo assinaram o termo se comprometendo a manter o Banestes público e estadual. Na ocasião, a então senadora Rose de Freitas, que disputava o governo e hoje busca a reeleição ao Senado, foi a única que não assinou o documento.
Até a próxima sexta-feira, 30, antevéspera das eleições, o Sindicato vai continuar atualizando os leitores se mais algum candidato assinar o termo.

