A história do Banco do Brasil começou a ser escrita em 12 de outubro de 1808, seis meses depois de Dom João VI desembarcar no Rio de Janeiro. Ao longo desses 214 anos o banco teve papel de destaque no desenvolvimento socioeconômico do país. Se dependesse do ministro da Economia, Paulo Guedes, essa história já teria recebido um ponto final nos primeiros anos do atual governo. Na reunião interministerial de 22 de abril de 2020, aquela que vazou e ficou famosa, o ministro decretou: “O Banco do Brasil é um caso pronto de privatização”. Em seguida, disparou: “Tem que vender essa porra logo”. Bolsonaro achou graça da fala ruidosa do comandado, mas pediu mais tempo. “Isso aí só se discute, só se fala isso em 2023, tá?”.
A diretora do Sindicato dos Bancários/ES e aposentada do BB Goretti Barone afirma que durante esses quatro anos do governo Bolsonaro, a privatização ronda o banco. “No segundo mandato, como já adiantou o próprio Bolsonaro, o BB seria liquidado. É muito importante que os funcionários da ativa e aposentados tenham consciência de que a privatização do BB está em jogo numa eventual reeleição do presidente”.
A dirigente comenta um artigo escrito recentemente por Sérgio Rosa, no qual o ex-presidente da Previ faz um alerta sobre as consequências da privatização para o fundo de previdência dos funcionários do banco. No artigo, ele adverte que “a primeira conta que um ‘investidor’ faz ao comprar uma empresa estatal é qual economia vai fazer com empregos, salários e benefícios. Sim, porque além da média dos salários e benefícios de uma estatal ser um pouco acima do mercado, o comprador certamente vai procurar reduzir ao máximo a estrutura e os custos da empresa adquirida”, alerta Rosa.
Os alertas, afirma Goretti, partem de todos os lados e as ameaças de privatização são reais. Segundo dados da Secretaria Especial de Desestatização do Ministério da Economia de julho deste ano, o governo Bolsonaro já privatizou 36% das empresas estatais. Em 2019, a União controlava 209 empresas públicas, agora restam 133 – 47 de controle direto, 18 dependentes da União e 29 não dependentes, além de 86 subsidiárias. Das cinco gigantes mais valiosas, as chamadas joias da Coroa, a Eletrobrás já foi entregue à iniciativa privada. A segunda na lista é os Correios. Na sequência aparecem a Petrobras, o Banco do Brasil e a Caixa, que estão sendo vendidos em fatias.
“A classe trabalhadora tem de se manter unida na defesa das empresas estatais, de maneira geral, e dos bancos públicos. O banco mais antigo do país faz parte da vida dos brasileiros como agente de desenvolvimento social e econômico do país”. A dirigente destaca que o financiamento da agricultura familiar, por exemplo, responsável por colocar 70% dos alimentos nas mesas das famílias brasileiras, vem do Banco do Brasil . “As micro, pequenas e médias empresas dependem das linhas de crédito do BB. O banco tem também sua digital no financiamento da cultura, da educação, do esporte e de diversas ações sociais”, destaca Goretti.
“Esse legado vem sendo construído especialmente pelas mãos dos funcionários e das funcionárias do BB. Vamos lutar para que essa história ganhe páginas futuras escritas num país mais igualitário e justo. Vida longa ao BB”, conclama a dirigente.
(Foto capa: Marcelo camargo/Agência Brasil)

