Uma reportagem publicada no canal corporativo do Banco do Brasil para exaltar o esforço da instituição para superar a distância física entre o banco e seus clientes do agronegócio, passaria despercebida se não fosse a foto (abaixo) escolhida para ilustrar a notícia. A imagem traz seis agroempresários em pé numa fazenda, com máquinas agrícolas ao fundo, “fazendo arminha” com as mãos – marca registrada de Bolsonaro – ou fazendo o 22 com os dedos indicador e médio, em menção ao número de campanha do presidente. 

Assim que a reportagem foi publicada, houve uma reação imediata de funcionários que repudiaram a apologia ao armamento. Uma das postagens lamentava o estímulo à violência, outra alertava que a mensagem da foto é contra a vida, contrariando os valores da instituição. A repercussão negativa da imagem fez o canal de notícias substituir rapidamente a foto dos seis empresários por uma de tratores, tentando pôr fim à polêmica.

A diretora do Sindicato dos Bancários/ES Claudia Patrícia Pinheiro afirma que a escolha da foto com teor eleitoreiro enaltecendo uma bandeira de campanha de Bolsonaro não pode ser interpretada como um deslize no momento da edição do conteúdo, mas uma decisão deliberada. “Em meio a uma disputa eleitoral tão acirrada como a que estamos vivendo, não podemos ser ingênuas e achar que foi apenas uma coincidência. Além de fazer menção ao número de campanha de Bolsonaro, os personagens da foto fazem o gesto repugnante da arminha”, critica.

A dirigente diz que a apologia ao armamento é um conteúdo que deveria ser vetado em qualquer site de notícias e nas redes sociais, “quem dirá num canal corporativo de uma empresa pública que deve zelar por sua imagem e se manter como referência na defesa dos valores éticos”, aponta Claudia. 

Ela acrescenta ainda que a expectativa é de que o BB dê explicações sobre a publicação da foto e faça uma retratação junto aos funcionários. “Não podemos permitir que o Banco do Brasil seja usado como instrumento político pelo atual governo. Isso está acontecendo com a Caixa. Ao liberar o empréstimo consignado aos beneficiários do Auxílio Brasil, Bolsonaro está usando a Caixa para conquistar votos entre os segmentos mais vulneráveis da população. Temos que nos posicionar contra o aparelhamento das empresas públicas para fins eleitoreiros”, reforça Claudia.