O Ministério Público Federal (MPF) já concluiu as investigações sobre os casos de assédio moral e sexual envolvendo o ex-presidente da Caixa Pedro Guimarães. Mas como o caso corre em segredo de Justiça, não se sabe ainda se o procurador Igor Nery Figueiredo responsabilizou criminalmente Guimarães. 

Lizandre Borges, diretora do Sindicato dos Bancários/ES e integrante da Comissão de Executiva dos Empregados (CEE-Caixa), afirma que a responsabilização de Pedro Guimarães e todos os envolvidos nos casos de assédio são fundamentais para limpar a imagem da instituição, que ficou maculado. 

A dirigente diz que nesta semana, Rita Serrano, que foi anunciada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para a assumir a presidência da Caixa, em entrevista ao site da Fenae, tocou no caso ao afirmar que a Caixa viveu uma crise reputacional sob Bolsonaro e Guimarães – se referindo aos casos de assédio moral e sexual que vieram à tona no final de junho de 2022. “Nós tivemos, nos últimos anos, eventos muito complicados, que causaram uma crise reputacional na Caixa, desde os casos de disseminação de assédio moral, dessa gestão pelo medo, implantada pelo governo Bolsonaro, [até] no serviço público, nas estatais e [principalmente] na Caixa, pelo ex-presidente da Caixa. E junto com isso veio esse escândalo vergonhoso para a história da Caixa, que são as denúncias de assédio sexual”, disse a futura presidente da Caixa. 

“A nova gestão da Caixa, como não podia ser diferente, expressa um sentimento muito forte de justiça. Esse mesmo sentimento é compartilhado pelos trabalhadores e trabalhadoras da Caixa, pelo movimento sindical e pelas associações representativas dos empregados. Todos nós vamos continuar acompanhando esse caso de perto na expectativa de uma punição exemplar aos envolvidos”, afirma Lizandre. 

Corregedoria

Em outubro último, a corregedoria da Caixa também concluiu investigação interna de assédio moral e sexual envolvendo Pedro Guimarães. Os casos vieram à tona no final de junho do ano passado. Na ocasião, empregadas do banco o acusaram de comportamento impróprio em viagens de trabalho. O documento da corregedoria aponta que Pedro Guimarães teria praticado “atos irregulares de índole sexual de forma reiterada”. Afirmava ainda que o ex-presidente se aproveitava da condição de chefe para utilizar “formas variadas de expressão (física, gestual ou verbal)” contra empregadas.

O relatório final de 500 páginas foi encaminhado ao Conselho Administrativo da Caixa, Ministério Público do Trabalho, Ministério Público Federal e à Comissão de Ética da Presidência da República. No trabalho de apuração, a corregedoria colheu mais de 50 depoimentos. Foram relatados episódios de assédio em eventos, viagens, reservas de hotel, fotos e vídeos em restaurantes de Guimarães com empregadas e empregados. A Corregedoria afirmou que Guimarães praticou “abuso do poder hierárquico, atitudes constrangedoras, comportamento agressivo, tratamento ríspido, submissão de empregados a práticas de humilhação e vexame. Os relatos expõem uma gestão pautada na cultura do medo, comunicação violenta, insegurança, manipulação, intransigência e permissão ao assédio”, registrou um trecho do relatório. 

MPT impôs multa

O Ministério Público do Trabalho (MPT) também investigou o caso. Em setembro do ano passado, o MPT entrou com uma ação contra o ex-presidente da Caixa pedindo que a Justiça o condene ao pagamento de R$ 30,5 milhões pelos danos causados às empregadas do banco que o acusam de assédio moral e sexual. 

O MPT também pediu a condenação da Caixa em R$ 305 milhões pela omissão na investigação e justificou o pedido ao observar que a primeira denúncia de assédio sexual contra Pedro Guimarães ocorreu em julho de 2019 – ainda no início da gestão da sua gestão à frente da instituição. Apesar da gravidade das denúncias, o banco não tomou nenhuma ação para investigar a denúncia. 

Além de Guimarães e do banco, os procuradores do MPT também pediram a condenação dos integrantes do Conselho de Administração da Caixa, que não cumpriu seu papel de fiscalização dos atos da presidência. Cada um deve indenização R$ 3 milhões.

Na ocasião, Rita Serrano, que integrava o Conselho da Caixa como representante dos empregados, foi a única conselheira a se posicionar como voz destoante no colegiado, mesmo após a gestão do ex-presidente tentar intimidá-la por meio de processos internos. Todas os questionamentos feitos por Serrano sobre a piora das condições de trabalho dos empregados, problemas nos órgãos de governança e denuncias dos casos de assédio sexual ficaram registradas em atas das reuniões do CA.