Esta semana o Banco do Brasil anunciou a realocação dos diretores Pedro Bramont e Antônio Carlos Wagner Chiarello, que ascenderam no banco sob o governo Bolsonaro. Bramont deixou a Diretoria de Governança, Riscos e Controles da BB Seguridade, cargo que assumiu na primeira semana do governo Bolsonaro, para responder pela Diretoria de Meios de Pagamento. Já Chiarello está migrando da Diretoria de Agronegócios para a de Soluções em Empréstimos e Financiamentos. 

“As realocações anunciadas causam estarrecimento porque ambos não têm alinhamento na defesa do BB como banco público de caráter social. Esses casos vieram a público, mas temos recebido informações de situações semelhantes envolvendo outros cargos estratégicos da instituição. Essas realocações acabam reproduzindo mais do mesmo, ou seja, nessa dança de cadeiras os ocupantes dos cargos, em muitos dos casos, reproduzem a cultura do assédio e de outras práticas contrárias aos compromissos assumidos pela atual gestão do BB. O próprio Lula declarou recentemente que ‘é preciso retirar os bolsonaristas escondidos no governo’”, relembra Goretti.

A diretora do Sindicato Claudia Patrícia Ribeiro afirma que a realocação dessas pessoas em funções de confiança vai na contramão da proposta do BB de reassumir o seu papel de banco público e com compromisso social. “Estamos em luta por mais saúde, por menos metas e pelo fim do assédio. E não estamos vendo, por parte do banco, nenhum direcionamento neste sentido. Os trabalhadores e o povo brasileiro querem ver a mudança acontecer também nos quadros estratégicos do BB”, destaca a dirigente. 

Goretti acrescenta que uma das reivindicações mais urgentes dos trabalhadores é a implantação de uma Vice-Presidência de Gestão de Pessoas. “A Vice de Gestão de Pessoas existia nos governos Lula e Dilma, acabou sendo incorporada pela Vice de Varejo e atualmente está sob a batuta da Vice-Presidência Corporativo. Mas precisamos de uma Vice específica, que seja capaz de fazer um olhar mais apurado e atento à gestão de pessoas”, enfatiza a dirigente. 

A notícia das realocações foi criticada nos meios sindicais. O descontentamento é com o fato dessas pessoas terem usado os cargos estratégicos ocupados no governo anterior para enfraquecer o banco. Alguns desses gestores, por exemplo, apoiaram a redução da participação do BB no mercado de crédito ou ajudaram a promover a reestruturação que fechou agências e postos de trabalho durante o governo Bolsonaro. As políticas atendiam ao projeto do então ministro Paulo Guedes, que nunca escondeu sua intenção de vender o banco.

“Nossa apreensão é justamente com a manutenção dessas pessoas alinhadas à proposta privatista, com histórico de assédio, entusiastas do fechamento de agências e das demissões em cargos estratégicos. Nossa expectativa era de que a nova direção do BB erradicasse essa cultura do retrocesso legada pelo governo anterior e avançasse nas questões que verdadeiramente promovam a valorização dos trabalhadores e das trabalhadoras, combata duramente o assédio moral e sexual e fortaleça o BB como banco público e cada vez mais voltado para o social”, afirma Goretti.
(Foto capa: Marcelo Camargo/EBC)