Os dirigentes do Sindicato dos Bancários/ES Ronan Teixeira, Lizandre Borges, Igor Bongiovani e Arthur Dussoni conduziram a mesa específica da Caixa sobre condições de trabalho na tarde da sexta-feira, 30, primeiro dia da Conferência Estadual dos Bancários e das Bancárias 2023. Extinção da função por minuto de caixas, tesoureiros e avaliadores, falta de uma política para pessoas com deficiência (PcDs) e o Programa de Qualidade de Vendas (PQV) como instrumento de punição e Saúde Caixa foram alguns dos temas debatidos na roda de conversa com os empregados. Após o encerramento do debate, os bancários elegeram os delegados e as delegadas (ativos e aposentados) que vão representar os empregados da Caixa no Espírito Santo no seminário nacional do dia 22 de julho (on-line) sobre o Saúde Caixa.
Lizandre Borges, que também integra a Comissão Executiva dos Empregados da (CEE) da Caixa, fez um resumo aos colegas sobre as dificuldades enfrentadas nas negociações da campanha do ano passado. “A Caixa protelou ao máximo e deixou para negociar conosco nos descontos da prorrogação”. No saldo das negociações, ela avaliou como retrocesso a retirada da pausa de 10 minutos do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). “De qualquer maneira, existe agora uma ação em curso no Tribunal Superior do Trabalho (TST) que prevê inclusive a obrigatoriedade da pausa. Pode vir alguma circular nesse sentido por aí. Vamos ficar atentos”, advertiu a dirigente.
O Sindicato tem recebido queixas dos empregados de que os gestores, na prática, não estão permitindo que os caixas façam a pausa de 10 minutos, a cada 50 minutos trabalhados. A orientação do Sindicato, reforçou Lizandre, é que os empregados negociem com os gestores sobre a pausa. “Mas não podemos esquecer que isso não consta mais no nosso ACT”, assinalou a dirigente
Expectativas
Lizandre admitiu que houve uma expectativa muito positiva após Rita Serrano assumir o comando da Caixa. “Acho que essa expectativa mais otimista contagiou muita gente, mas estamos percebendo que as coisas não estão se concretizando com a rapidez que esperávamos. Com relação à continuidade da mesa permanente, nós, da CEE, estamos enfrentando algumas dificuldades para avançar com as nossas pautas. Mas quero frisar que essa é uma opinião da Lizandre”, pontuou.
A dirigente destacou como exemplo a reunião de maio último com a Caixa. Na reunião a CEE cobrou a imediata exclusão do caráter punitivo do Programa de Qualidade de Vendas (PQV), cuja nova versão divulgada recentemente pelo banco pune os empregados por cancelamentos de vendas de produtos. “A Caixa fez essas alterações sem discutir previamente com a CEE. Isso é muito ruim porque nosso Acordo determina que a CEE seja previamente informada sobre qualquer alteração”, assinalou.
Conecef
Outra crítica apontada pela dirigente foi o fato de a Coordenação do Comando Nacional dos Bancários ter decidido não realizar o Congresso Nacional dos Empregados da Caixa (Conecef) neste ano. Lizandre salientou que as centrais Intersindical e a CTB pediram a reconsideração da decisão que extinguiu a realização dos congressos específicos dos bancos públicos, mas a Coordenação do Comando não acatou a reivindicação, alegando que não havia necessidade.
GT Saúde Caixa
O dirigente Igor Bongiovani atualizou os participantes sobre o andamento das negociações do Grupo de Trabalho (GT) do Saúde Caixa. O GT, constituído por representantes da Caixa e de entidades sindicais e associativas dos trabalhadores, se reuniu recentemente para iniciar as negociações sobre pendências relacionadas ao plano de saúde dos empregados. Um ponto apontado como prioritário pela representação dos empregados. A Caixa vem fazendo a cobrança retroativa de coparticipação diretamente na conta corrente dos empregados, sem negociação prévia. Os descontos vêm causando sérios transtornos nas finanças dos trabalhadores. Os valores cobrados referem-se à coparticipação em consultas e exames entre os anos de 2018 e 2022 que, por erro de sistema da Caixa, não foram debitadas nesse período.
Igor destacou que a representação dos empregados pediu a suspensão imediata dessas cobranças até que o GT discuta o problema e elabore um plano para que esses valores sejam pagos dentro dos limites estabelecidos pelo Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). O ACT limita o desconto da coparticipação do Saúde Caixa em 10% da renda básica do empregado. “A Caixa segue descontando as despesas atuais do empregado, usando o limite de 10%. A cobrança está causando um desequilíbrio nas finanças do trabalhador”, advertiu o dirigente.
Igor chamou atenção para o fato de o plano não ter transparência. “O empregado não sabe exatamente o que está pagando. É preciso garantir plena transparência ao Saúde Caixa. Qualquer mudança no plano deve passar obrigatoriamente pelas instâncias consultivas e deliberativas dos empregados”, destaca Igor.
Extinção da função por minuto
A extinção da função por minuto, que inclui caixas, tesoureiros e avaliadores, é uma questão que vem levantando grande polêmica entre os empregados. “Essa é uma questão urgente porque a manutenção da função por minuto aumenta a pressão e o estresse no ambiente de trabalho. O resultado é o crescente adoecimento dos trabalhadores. Além da saúde, esse desvio tem consequências no bolso do trabalhador, por causa dos reflexos sobre PLR, férias e outras verbas”, afirmou Lizandre. Ela destacou que foram registrados no Espírito Santo ao menos dois casos de caixas-minuto que cometeram erros e foram demitidos. “Demissão por justa causa. E por que isso? Porque eles não são treinados, são jogados simplesmente na função e ficam suscetíveis ao erro por desconhecimento. Claro, às vezes não é isso, mas nesse caso que citei foi o que ocorreu”, sublinhou Lizandre.
GT Condições de Trabalho
Os problemas do dia a dia do trabalhador, segundo o dirigente Ronan Teixeira, têm predominado as discussões do GT. Ele destacou duas questões: PQV e a função por minuto. Ronan disse que a posição do Sindicato é no sentido de extinguir ambas. “Nós não concordamos com o PQV, mas a proposta no GT não é pedir a sua eliminação, mas fazer uma readequação que seja ‘saudável’ para os trabalhadores”. O dirigente ressaltou que o uso do PQV como instrumento de punição é absurdo.
Ronan reiterou as críticas de Lizandre sobre a função por minuto. “A extinção da função por minuto é uma luta árdua, mas acho que envolve uma questão muito mais ampla, que é a destruição que foi feita dentro do plano de cargos e salário da Caixa. “O colega que está se utilizando do caixa-minuto para ganhar um pouquinho a mais, precisa entender que é justamente esse movimento que implode o plano de carga de salários. Se há demanda de serviço de caixa na agência, o banco tem que efetivar o trabalhador naquela função”, afirmou Ronan.
PcDs
A gestão anterior da Caixa, destacou Ronan, contratou pessoas com deficiência por uma determinação da Justiça e não espontaneamente. O dirigente afirmou que a Caixa não criou políticas específicas tanto de infraestrutura como de convivência para promover a inclusão dos PcDs no ambiente de trabalho. “Desde o primeiro momento, temos reivindicado à Caixa para que nos apresente um mapeamento dos PcDs, queremos saber onde estão esses trabalhadores em todo o país. Questionamos a Caixa sobre a necessidade de construir um programa de plano de cargos e salários específicos para a inclusão dos PcDs para que eles possam ascender na carreira”, sublinhou.
O dirigente falou ainda sobre a importância de a Caixa capacitar os gestores e colegas para aprenderem a interagir com os PcDs.

