A reunião dessa terça-feira, 15, por muito pouco não foi a última do GT Saúde Caixa. Durante a reunião, os interlocutores da Caixa surpreenderam a representação dos empregados ao anunciar o encerramento do GT sem aviso prévio. O banco alegou simplesmente que os assuntos discutidos pelo grupo seriam encaminhados à mesa permanente. A decisão foi duramente criticada pelos representantes dos empregados. Eles alegaram que houve morosidade por parte da Caixa em apresentar os dados do plano que deveriam servir de base para a construção conjunta de um novo modelo de custeio.
Para Ronan Teixeira, que está à frente da Secretaria de Saúde e Condições de Trabalho do Sindicato dos Bancários/ES, a tentativa da Caixa de encerrar o GT sem ter respondido aos questionamentos apresentados ao longo das reuniões causou estranhamento. “É preciso lembrar que o GT é legítimo, está previsto no atual Acordo Coletivo de Trabalho e não pode ser extinto unilateralmente pela Caixa. Mesmo porque, neste momento, a discussão está finalmente começando a avançar”. O dirigente destaca que foi somente na reunião do último dia 11 que a Caixa compartilhou com a representação dos empregados o detalhamento dos números do das despesas administrativas do plano”, aponta Ronan.
Na reunião, Leonardo Quadros, que integra a representação dos empregados, criticou o precoce encerramento do GT. “A Caixa precisa fornecer acesso às bases primárias do plano, com dados certificados, para que a consultoria contratada pela representação dos empregados faça as avaliações necessárias a fim de aprofundarmos os debates do custeio do plano”, reforçou.
A coordenadora da representação dos trabalhadores, Fabiana Uehara, acrescentou que o debate ainda está inconclusivo. “Até o momento a Caixa não trouxe respostas suficientes. Se os números solicitados desde o início das discussões no GT fossem apresentados, já teríamos avançado muito. Depois de tantas reuniões a gente não ter, de fato, uma resposta para dar aos usuários é muito frustrante”, lamentou.
Após as críticas dos representantes dos empregados, a Caixa recuou e informou que irá dar continuidade ao GT. O calendário dos encontros ainda será definido.
Fim do teto
Antes do anúncio do encerramento do GT, que gerou toda essa discussão e o posterior recuo da Caixa, a representação dos empregados havia questionado o banco sobre a demanda dos empregados de remover a limitação de 6,5% da folha de pagamentos e proventos para custeio do Saúde Caixa. Segundo a representação dos trabalhadores, a Caixa tem divulgado que irá propor a revisão no estatuto, mas não informou quais os pontos que serão alterados. Uma das reivindicações centrais é a retirada do teto de 6,5%.
Ronan afirma que em todos os espaços de discussão sobre o Saúde Caixa, a remoção do limitador do estatuto tem sido um tema recorrente. “Recentemente, na Conferência Estadual, batemos novamente nesta tecla. O teto de 6,5% é hoje o maior gargalo do plano. Qualquer discussão sobre o Saúde Caixa passa obrigatoriamente pela extinção do limitador. O teto impede, por exemplo, a manutenção do modelo de custeio 70/30, além de pôr em risco as premissas do plano.
Divergência nas reservas
Os representantes dos empregados criticaram também a diferença de R$ 82 milhões nas contribuições dos usuários e que não estão inseridas nas reservas do plano, conforme apresentação do relatório do banco. A Caixa, inicialmente, tentou justificar os números, mas depois de ser contestada se comprometeu a enviar um documento explicando os números, inclusive a diferença no valor dos fundos de reservas desde a constituição do plano até 2022.
Empresa de auditoria
A representação pediu novamente explicações sobre a mudança nos contratos de auditoria. Além da preocupação com a equipe de empregados da Cesad, que hoje realiza os serviços, os representantes criticam o escopo da contratação da nova empresa, que extrapola o papel de auditoria e tem atribuições como rotinas de credenciamento, por exemplo.
Mobilização
Ronan afirma que o atual momento é de decisão. “Só a nossa mobilização e organização ´podem evitar que a Caixa não nos imponha goela abaixo um aumento que torne o nosso plano de saúde inviável para a maioria dos empregados. Os bancários e as bancárias da Caixa precisam se manter mobilizados e preparados inclusive para a convocação de uma greve em defesa do Saúde Caixa”, enfatiza o dirigente.

