Na última sexta-feira, 18, a Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa se reuniu, mais uma vez, com o banco para buscar soluções para os principais problemas enfrentados no dia a dia pelos empregados. Novamente, os representantes dos empregados deixaram a mesa frustrados com a falta de resolutividade por parte da Caixa ante as demandas dos trabalhadores. Os representantes da CEE-Caixa se queixaram que a cobrança abusiva por metas continua e se somam a ela problemas no sistema e a sobrecarga de trabalho. 

Para Lizandre Borges, dirigente do Sindicato dos Bancários/ES e integrante da CEE, a Caixa tem sido pouco efetiva no encaminhamento das demandas levadas à mesa pela representação dos empregados. “Depois da mudança de gestão, há naturalmente uma expectativa muito grande por parte dos empregados e do movimento sindical de que algumas questões sejam solucionadas com mais celeridade. O problema das metas, por exemplo, afeta a saúde do trabalhador, ou seja, é urgente avançarmos em pautas como essa. Mas, após cada reunião, a sensação que fica é de um encontro meramente burocrático. A mesa permanente não pode ser um espaço para informes, mas para discutir e construir soluções conjuntas para os problemas que afetam os empregados no dia a dia”, afirma a dirigente. 

A CEE disse reconhecer que a Caixa passou por um processo de desmonte nos últimos seis anos e que esse cenário de terra arrasada não se transforma da noite para o dia, mas exigiu mais rapidez para solucionar as demandas dos trabalhadores. “Os empregados precisam sentir que esta nova gestão irá promover as mudanças urgentes e necessárias”, enfatiza Lizandre. 

Problemas sistemas
Foi colocado pela CEE que os empregados, e também os clientes, sofrem com os constantes “incidentes” em sistemas da Caixa. O banco admitiu que está fazendo “ajustes de configurações e correções sistêmicas” nas funções de pagamento instantâneo (PIX), automação de produtos/serviços (Sisag), operações imobiliárias (Siopi), risco de crédito (Siric) e gerenciador de atendimento (SIPNL). “A Caixa admitiu problemas em cinco sistemas, mas eles existem de forma geral e atrapalham o atendimento e o cumprimento das metas impostas pelo banco”, disse a coordenadora da CEE-Caixa, Fabiana Uehara.

Lizandre destaca que os problemas no sistema, que são crônicos, são de amplo conhecimento dos representantes da Caixa. “É preciso lembrar que os interlocutores da mesa permanente são empregados de carreira do banco e conhecem esses gargalos no sistema de trás para frente. Sabem, portanto, que esses problemas tornam os processos mais lentos, aumentam as queixas de clientes e beneficiários e dificultam o cumprimento das metas. Resultado, pressionados, a tendência é de que mais empregados adoeçam”, aponta a dirigente do Sindibancários/ES.

Metas
A coordenadora da CEE disse que o movimento sindical defende os interesses dos trabalhadores, mas também sabe da importância da Caixa para o país e entende que o banco precisa de bons resultados. “Mas não podemos colocar o resultado financeiro acima da importância social do banco e, tampouco, deixar de pensar em formas de alcançá-los sem adoecer nossos colegas, que precisam de sistemas que funcionem, equipamentos de trabalho e mobiliário adequados, suporte da empresa e um ambiente de trabalho sem assédio, nem cobrança abusiva de metas”, sublinhou Fabiana.

Venda “casada”
A representação dos empregados tocou em outro assunto bastante sensível, a chamada venda “complementar” ou “casada”. No dia a dia das agências, disseram os interlocutores dos trabalhadores, as operações de crédito são usadas como chamariz para a venda de seguros, títulos de capitalização e outros produtos que integram o portfólio do banco. O problema é que, na maioria dos casos, esses produtos não são de interesse dos clientes.

A Caixa precisa reconhecer, destacaram os representantes dos trabalhadores,  que as metas não podem ser atingidas nesses patamares e que a forma como elas são impostas obrigam a venda “casada”, prática ilegal no país. “Obviamente por ser ilegal, não há uma única linha nos normativos da Caixa que admita a venda ‘casada’. Essa prática precisa ser erradicada de vez. A venda ‘casada’ vai na contramão das boas práticas de um banco público com responsabilidade social. Nesse processo de reconstrução do banco, temos que reaproximar a Caixa de seu papel social. A perseguição obsessiva de metas e a prática de venda ‘casada’ não condizem com a nossa vocação social”, adverte Lizandre.   

Novo GDP
Ao final da reunião, também foi cobrada a negociação sobre o “Minha Trajetória”. Segundo a representação dos empregados, a Caixa disse que não usaria mais o GDP (antigo programa de Gestão de Desempenho de Pessoas, que foi extinto pela atual gestão), mas trouxe a metodologia do GDP para o “Minha Trajetória”. “Queremos mudança de verdade, pois nossos colegas continuam sendo cobrados em diversos ‘times de vendas’ e a Caixa continua não trazendo soluções para acabarmos com estas cobranças abusivas”, disse a coordenadora da CEE.