Banda Blacksete foi a segunda atração da festa (Foto: Zanete Dadalto)

Rita Lima relembrou as lutas. Destacou a importância da greve de 69 dias, em 1951. (Foto: Sergio Cardoso/Sindibancários/ES)

Rita Lima, coordenadora-geral do Sindicato dos Bancários/ES, abriu a festa das bancárias e dos bancários 2023 mantendo a tradição de outras confraternizações. Ela disse às mais de 1,5 mil pessoas presentes no Clube Álvares Cabral na tarde desse sábado, 26, que a data é dia de comemoração, mas também de lembrar a luta da categoria. O tema da festa deste ano foi “Saúde e Alegria Agora e Todos os Dias”. A dirigente recordou da histórica greve que manteve a categoria paralisada durante 69 dias, em 1951. “Na época, conquistamos reajuste salarial de 31%. Hoje, nossa luta por valorização salarial continua”. Rita falou sobre a atualidade do debate sobre a saúde da categoria, que também é tema da campanha nacional “Menos Metas, Mais Saúde”. “Somos uma das categorias que mais adoecem. Adoecemos principalmente em função das cobranças abusivas de metas. Não queremos viver esta alegria somente hoje, mas todos os dias. Trabalho tem de ser prazeroso, trazer alegria. O ambiente de trabalho tem de ser um lugar para a gente confraternizar, e não um local de adoecimento”, enfatizou. 

Animação do começo ao fim. Ninguém queria ir embora. (Foto: Sergio Cardoso/Sindibancários/ES)

“Ainda viro este mundo em festa, trabalho e pão”, afirmou o secretário-geral, Jonas Freire, emprestando o verso da música de Gilberto Gil, “Viramundo”. A exemplo de Rita, ele também destacou o tema saúde e festa, e lembrou que a luta sempre marcou também os momentos de confraternização da categoria. O dirigente afirmou que os trabalhadores precisam se manter organizados e mobilizados para enfrentar o capitalismo. “A obsessão dos capitalistas é retirar direitos e conquistas da classe trabalhadora. Não podemos baixar a guarda. A luta se faz com greve. Não podemos tirar as greves da nossa agenda de lutas. Essa é a única linguagem que os banqueiros respeitam”. Jonas ainda mandou um recado para os banestianos. Ele disse que o Sindicato irá realizar em setembro plenárias de norte a sul do Espírito Santo para discutir com os bancários questões como a Banescaixa e a construção de um plano de carreiras para os funcionários do Banestes. “Vamos fortalecer também nossa luta permanente pelo Banestes público e estadual. O Banestes é nosso, do povo capixaba”, enfatizou. 

Acolhimento
Quem chegava à festa sentia desde a entrada um clima de acolhimento da organização do evento. Esse aconchego reverberava na voz de Elaine Vieira, que mandou sambas de raiz e o fino da MPB no primeiro terço da festa. Na sequência, muito soul, black music e pop nacional e internacional da melhor qualidade com a banda Blacksete. A essa altura, a garoa fininha trazida com o vento sul não conseguia baixar a temperatura da festa. Bancários e bancárias já dançavam animadamente aos hits da banda Blacksete. “Um bancário, embalado nos sucessos internacionais dos anos 1990, comentou: “Essas são do meu tempo”, registrou, enquanto arriscava passos mais ousados com a companheira. 

Piração geral
“Olodum tá hippie/Olodum tá pop/Olodum tá reggae/Olodum tá rock/O Olodum pirou de vez (…)”. Junto com o Olodum – principal atração musical da festa deste ano – piraram também as bancárias e os bancários. Quem olhava a festa do fundo do espaço via um mar de gente pulando ao som dos tambores da banda afro-brasileira reconhecida pela ONU Patrimônio Cultural Imaterial do Estado da Bahia – uma das expressões mais importantes da cena musical brasileira e mundial. 

Tiago Amorim: “Festa une a categoria” (Foto: Zanete/Sindibancários/ES)

Diversidade
O bancário Tiago Amorim, na Caixa desde 2021, disse que estava debutando na festa. “É a minha primeira, espero, de muitas outras. Muito legal essa integração da categoria. Essa união também é uma forma de fortalecer a nossa luta”. Ele achou bastante importante a festa ter um tema voltado para a saúde do trabalhador. “A festa é alegria, mas também precisa ter um propósito”, disse o jovem orgulhoso, de alguma forma, de estar ali usando o espaço de fala como um dos poucos trabalhadores negros no setor bancário. 

Há um ano no Banestes, Kelly estava participando da sua primeira festa (Foto: Zanete/Sindibancários/ES)

Quem também estreou na festa foi Kelly Gomes Nascimento. Há um ano no Banestes, agência São Pedro, em Vitória, a banestiana já avisava que ficaria até o final na festa. Olhando as faixas com dizeres de luta e os painéis com fotos históricas do Sindicato, Kelly achou que a proposta visual destacando as lutas tinha tudo a ver com a festa. “Estou há pouco tempo no Banestes, mas quero me manter engajada na luta para, juntos, buscarmos melhorias para a categoria”, assinalou. 

Salete, bancária da Caixa (Foto: Zanete/Sindibancários/ES)

Maria Salete Pinheiro ingressou na Caixa em 2019 quando o banco convocou os PcDs (Pessoas com Deficiência), por uma determinação da Justiça que exigia o cumprimento das cotas para PcDs.  A cadeirante disse que a Caixa não estava preparada para receber os PcDs. “Confesso que me decepcionei bastante. Sofri assédio moral de três gerentes. O banco não garante as condições de acessibilidade e tampouco os empregados, na sua maioria, estão preparados para lidar com um trabalhador PcD. A Caixa tem muito a avançar”, criticou. Ela afirmou, porém, que atualmente conseguiu transferência e trabalha em uma agência cujas condições são melhores para os PcDs. 

Thiago  Alves (Foto: José Rabelo)

Há 13 anos no Banco do Brasil, o gerente de serviços Thiago Magno Alves disse que sempre foi bem acolhido e quase não sofreu homofobia. “Nesses anos todos, uma vez ou outra sofri discriminação, mas fui muito bem acolhido pelo gerente geral à ocasião. Hoje sinto bastante liberdade para falar da minha orientação, do que gosto pessoalmente. O banco não deve ser um lugar para falarmos o tempo todo de negócios”. Thiago disse que a sigla LGBTQIAPN+ tem muitas letras para representar toda essa pluralidade. “Somos muitos, cada um com a sua individualidade. Hoje há outros LGBTs na agência em que eu trabalho. É um grupo forte e empoderado”, afirmou Thiago, que também estreava na festa. “Me arrependo de não ter vindo em outras edições. A festa está muito boa”. 

José Luiz: o recordista de festas (Foto: Zanete Dadalto)

Quem também aprovou a festa, pela primeira vez realizada no Clube Álvares Cabral, foi o bancário José Luiz Taufer Barros. Com 40 anos de Banestes, ele arrisca dizer que não participou, se muito, de umas duas ou três festas dos bancários e das bancárias. Um outro bancário confirmou a assiduidade do colega.

“Cada festa é melhor que a anterior. Não é, Jonas?”, perguntou José Luiz. O dirigente concordou e acrescentou. “Mas este ano posso lhe garantir que o clima está bem mais leve. Na festa do ano passado havia muita tensão no ar por causa da disputa eleitoral, que deixava a gente meio ansioso e preocupado. Ao final de cada frase a gente repetia: `Fora Bolsonaro` para espantar a energia ruim. Este ano, sabendo que o inelegível não está mais lá nos dá um imenso alívio. Tudo fica melhor”, diz Jonas. 

Confira imagens dos principais momentos: