Levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), com base no Novo Caged (Cadastro Geral de Emprego e Desemprego), aponta que no acumulado de 12 meses (até outubro) o setor bancário admitiu 35.991 trabalhadores e demitiu 41.703 – saldo negativo de 5.712 vagas. A atividade bancária foi a sexta do país em fechamento de postos de trabalho. Enquanto o setor bancário demite, outras atividades do ramo financeiro estão contratando a pleno vapor. Nos últimos 12 meses, o saldo positivo do ramo financeiro (exceto categoria bancária) foi de 14.085 vagas. Foram criados 15,1 mil postos de trabalho em áreas como crédito cooperativo, atividades auxiliares dos serviços financeiros entre outras e desligados apenas 1.015 trabalhadores.
“Ano após ano o saldo do emprego bancário vem apresentando queda. O mais preocupante é que essa queda vem sendo registrada há três décadas”, adverte a coordenadora-geral do Sindibancários/ES, Rita Lima. A dirigente recorda que em 1994 a categoria bancária representava 80% dos trabalhadores e das trabalhadoras do ramo financeiro. Até 2022, afirma Rita Lima, esse percentual despencou praticamente pela metade. Hoje os bancários respondem por cerca de 44% do ramo financeiro.
“Esses dados mostram que a estratégia dos bancos é reduzir o emprego no centro do setor financeiro, onde a categoria bancária tem direitos e garantias conquistados, está organizada em sindicatos e preparada nacionalmente para fazer a luta. De outro lado, o saldo do emprego cresce nas franjas do ramo financeiro, com a precarização desses trabalhadores e dessas trabalhadoras, que têm pouquíssimo direitos, salários mais baixos e jornadas mais intensas e longas de trabalho. Os bancos atribuem essa reestruturação do setor como naturais dos avanços tecnológicos. Na verdade, esse é um mecanismo cruel do capitalismo para demitir trabalhadores que acumularam conquistas e direitos e substituí-los por trabalhadores precarizados”, critica Rita Lima.
Saldo positivo em outubro
Quando se recorta somente os dados de outubro último, o levantamento do Dieese mostra que, no acumulado dos 12 meses, esse foi justamente o único mês em que o emprego bancário fechou com saldo positivo de 257 vagas. Foram 3.681 admitidos contra 3.424 demitidos. Os demais meses analisados tiveram saldo negativo de vagas, com destaque para abril de 2023, que registrou saldo negativo de 1.522 postos de trabalho no setor bancário (quadro abaixo).

“Como afirmei, infelizmente, a tendência nas últimas três décadas tem sido de queda no saldo do emprego bancário. Os grandes bancos privados estão fechando postos de trabalho e agências. Contrariando os acordos firmados com o movimento sindical, os bancos tiveram a insensibilidade de manter as demissões no auge da pandemia da covid-19. O lucro falou mais alto que a questão humanitária”, lamenta a dirigente.
O Itaú, por exemplo, o maior banco privado do país, no acumulado até outubro, já havia demitido 1.082 bancários e fechado 180 agências. “Esses dados servem de alerta para mantermos a categoria cada vez mais mobilizada e pronta para as lutas que estão por vir. Em 2024, ano de campanha salarial, teremos uma negociação ainda mais dura com os bancos para assegurar nossas conquistas e avançar em outras pautas urgentes, como saúde e condições de trabalho, fim das metas e pela manutenção do emprego na categoria. Basta de demissões!”, assinala Rita Lima.

