Nesta quinta-feira (05) a comissão do Sindicato dos Bancários/ES se reuniu com os representantes do Banestes para mais uma rodada de negociações, a décima. A proposta apresentada pelo banco não trouxe avanços em relação às principais reivindicações dos banestianos e foi rejeitada pela representação dos trabalhadores. “Recebemos a proposta da direção do Banestes com indignação. A expectativa era de que o banco avançasse sobretudo em relação às cláusulas consideradas prioritárias para a categoria, como o reajuste salarial com ganho real, REV, planos de cargos e salários, Banescaixa, fundação, entre outras”, afirmou o dirigente do Sindicato Jonas Freire. Como não houve acordo, as negociações serão retomadas nesta sexta-feira (06), quando o Banestes deve apresentar nova proposta. 

Carlos Pereira de Araújo (Carlão) também criticou a proposta do banco. O dirigente do Sindibancários, que também é membro do Comando Nacional dos Bancários, ressaltou que o Banestes é o único banco que começou a negociar de fato mais de dois meses depois de iniciadas as rodadas de negociações para renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). “Fomos obrigados a esperar dez rodadas para finalmente ouvir a primeira proposta do banco, ruim, mas, ao menos, uma proposta concreta”. Para Carlão, a proposta apresentada está muito aquém das reivindicações dos banestianos, principalmente com relação às cláusulas econômicas. 

Jonas destacou a importância da categoria se manter mobilizada nessas rodadas decisivas. “As negociações só começaram para valer agora. Amanhã [06] temos uma nova rodada. Vamos continuar defendendo a minuta aprovada pelos banestianos em assembleia, sobretudo os pontos mais estratégicos”. 

Conheça os principais pontos da proposta do Banestes recusada na mesa

Cláusulas econômicas
O Banestes manteve a mesma proposta da Fenaban: INPC mais 0,7% de aumento real. Essa proposta da Fenaban, aliás, o Sindicato orientou pela rejeição. O Sindicato insiste numa proposta com ganho real de INPC mais 10% de ganho real para mitigar perdas históricas dos banestianos e das banestianas. A comissão de negociações do Sindicato chamou a atenção, mais uma vez, para a proposta do Banpará, que deu aumento real de 4% este ano e mais 3% em 2025, além de avançar nas cláusulas sociais. “É importante registrar que a proposta do Banpará, que antecipou a Fenaban, já foi aprovada por mais de 98% dos empregados. Mostramos na mesa que se houver vontade política, o Banestes pode atender a reivindicação dos banestianos. O banco vem batendo recordes seguidos de lucro e tem plena condição de apresentar uma proposta de reajuste digna para os trabalhadores”, enfatizou Carlão.

Remuneração Estratégica Variável (REV)
O Banestes retirou as travas salariais do atual modelo, que iam de 1,5 vez a renda mensal até 3. A principal mudança foi no 3º parágrafo da Cláusula 4ª, que ficou com a seguinte redação: “O valor total previsto no Parágrafo Primeiro será limitado a 3,0 (três) vezes a renda mensal individual/empregado na data do último dia útil do exercício financeiro.”

O Banestes, no entanto, manteve a distribuição de 25% de forma linear e 75% proporcional. Os trabalhadores reivindicam 100% de distribuição linear e a retirada de todas as travas. 

“Ressaltamos na mesa que a REV linear é a única maneira beneficiar os empregados que estão na parte de baixo da pirâmide salarial. Da forma que está estruturada hoje, a REV beneficia os salários mais altos. Ora, os empregados com cargos mais altos, gerentes gerais, superintendentes, diretores, já são contemplados mensalmente com as comissões. O REV linear torna essa bonificação mais justa”, insiste Carlão. 

13ª cesta alimentação e vale refeição
A proposta do banco incluiu o vale refeição (R$ 52,04) à razão de 22 dias, o que totaliza R$ 1.144,88, que se somam à cesta alimentação (R$ 933,35), que já era contemplada no acordo vigente. O benefício será pago até 31/10/2024. 

Auxílio filhos com deficiência
Houve avanço nessa cláusula. De acordo com a proposta, os reembolsos deverão seguir as mesmas condições do auxílio creche/babá, já prevista no atual ACT. O benefício atende a empregados e empregadas que tenham filhos com deficiência que exijam cuidados permanentes, sem limite de idade, desde que tal condição seja comprovada por atestado médico. O auxílio “filhos com deficiência” poderá ser cumulativo com o auxílio creche/babá, até o limite de 71 meses. 

Jonas avalia que a proposta representa um avanço para os empregados e empregadas que têm filhos com deficiência. Mas ele lembrou, mais uma vez, que em termos financeiros, a proposta, em comparação à do Banpará, deixa a desejar. “A comparação é inevitável. Mesmo somando o auxílio PCD com o creche, o reembolso fica hoje em torno de R$ 1.260,00. O Banpará está pagando o auxílio filhos com deficiência de R$ 2.600,00. O dobro”, compara.