Na reunião da última quarta-feira (18) com as representantes da Dipes/Gepes, as dirigentes do Sindicato dos Bancários/ES cobraram soluções para os problemas gerados pelo piloto do Inova Varejo aos funcionários e às funcionárias do Banco do Brasil no Espírito Santo.  Goretti Barone, Bethania Emerick e Maria da Glória Dias listaram os principais gargalos do Inova com destaque para o zeramento da produção. “É injusto e desrespeitoso que os funcionários sejam punidos por desvios do programa”, disse Goretti. Bethania completou: “Se a proposta do banco foi fazer um piloto, deduzimos que os problemas apareceriam e os ajustes fossem condições inerentes ao processo de implantação do programa. O que não podemos admitir é que os funcionários paguem essa conta”.

Além do zeramento, as dirigentes do Sindibancários apontaram que há problemas com o encarteiramento de clientes, a implantação da plataforma CRM 360 e o fechamento de caixas presenciais. Elas destacaram que o Inova tem revelado uma face elitista do BB que está em desacordo com a vocação histórica do banco. “Ora, não se pode perder de vista que o BB é um banco público. Logo, não podemos normalizar que o Inova tenha como uma de suas premissas a segregação de clientes. Em resumo, foi esse o propósito do encarteiramento: dar atenção especial aos clientes promissores, leia-se, com maior capacidade de investimento, e simplesmente jogar para a margem do atendimento os clientes com menor potencial de gerar negócios para o banco”, criticou Bethania.

Goretti salientou que o BB, na sua sanha de medir forças com o Itaú, tem atropelado o caráter social do banco. “O Inova é a consolidação desse projeto de pôr o BB em pé de igualdade com o maior banco privado da América Latina. Ambos competem para fechar o ano de 2024 com lucro acima da casa dos R$ 40 bilhões. Não podemos permitir que o BB se distancie da sua função social para se tornar um banco elitista que tem como objetivo central apenas o lucro, custe o que custar. Essa situação toda imposta pelo Inova tem gerado incertezas e dúvidas aos funcionários, que se sentem vulneráveis às mudanças impostas pelo Inova”.

Aliás, esse “atropelo” de informações foi uma das críticas destacadas pelas dirigentes do Sindicato à gerente de Soluções da Dipes, Sheyla Watrin Hesketh, que estava acompanhada na reunião da gerente da Gepes, Mônica Bastos, e de Daphne Graciano e Cláudia Patrícia Ribeiro, ambas também da Gepes. Bethania colocou que a comunicação do Inova tem sido outro entrave do programa. “Durante todo o processo de implantação do piloto do Inova, a mudança chega na frente das informações. Essa comunicação precisa ser revista e aperfeiçoada. A boa comunicação, supomos, evita especulações, informações truncadas e reduz a ansiedade dos funcionários. São questões que parecem óbvias, mas que, na prática, não estão funcionando”, pontuou Bethania. 

Fetraf-Rio/ES e CEBB
O Sindicato dos Bancários/ES enviou na última segunda-feira (16) ofício à Federação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro dos Estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo (Fetraf-RJ/ES) e à Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB). No documento, o Sindicato pede que a Fetraf-RJ/ES e a CCBB agendem uma reunião com a diretoria do BB para tratar especificamente do zeramento da produção dos funcionários e das funcionárias do BB no Espírito Santo. “Abrir essa agenda é crucial para dizer à direção do BB que os funcionários capixabas não podem arcar com os contratempos de um programa piloto. Repito: é injusto e desrespeitoso com os funcionários”, ratificou Goretti. 

Dúvidas frequentes
Durante a reunião, as representantes da Dipes e da Gepes esclareceram alguns pontos sobre o Inova. Por exemplo, havia dúvida se as agências com o bloqueio na vaga de supervisor terão disponíveis a vaga de especialista em negócios. Segundo as interlocutoras do BB, serão colocadas dotações de especialistas nas agências que possuem supervisores nomeados atualmente. Outra dúvida esclarecida foi sobre os tempos de movimentos. Foi explicado que as funções estarão no sistema e normativos até o início de janeiro, com a divulgação sobre o período para os atuais ocupantes (assistentes e supervisores) manifestarem interesse nas novas funções (assistente de atendimento e negócios e especialista) e migração na sequência. 

 Quanto aos assistentes de 8 horas que não fizeram opção para a jornada de 6h, a nova função de assistente de atendimento e negócios será oferecida para esse grupo também. Caso o funcionário não tenha interesse em exercer a função, permanece na função de 8h, conforme a prerrogativa dada na ocasião da transição de 8h para 6h.

 As representantes do BB também esclareceram que o prazo da trava institucional será mantido para os atuais assistentes e supervisores que migrarem para assistente de atendimento e especialista, sem nova contagem de prazo.

 Em relação ao cargo de assistente de negócios (6h), caso o funcionário que exerce atualmente a função decida por não concorrer à nova função de assistente de atendimento e negócios: a função atual será extinta e ele entrará em VCP, visto que o atual cargo de assistente de negócios não existirá mais.

 Com relação à função de supervisor de atendimento, caso o funcionário que ocupa atualmente o cargo opte por não concorrer para a nova função de especialista em atendimento e negócios, o funcionário entrará em VCP, uma vez que a função de supervisor será extinta.

 A Dipes informou que em breve fará uma comunicação exclusiva para os caixas executivos.  

Os novos cargos de assistente de atendimento e negócios e o de especialista em atendimento e negócios terão novo código de função. Isso implicará na necessidade de concorrência no sistema para nova função.

 A Dipes também informou que as atribuições detalhadas dos novos cargos serão divulgadas no início de janeiro do próximo ano.

Goretti afirmou que é importante que todo esse processo não seja açodado, porque implica em decisões importantes para a carreira dos funcionários e das funcionárias do BB. “Esperamos que o banco não atropele esse processo. É fundamental que os funcionários se apropriem com calma de todas as informações para poderem tomar suas decisões com segurança e não se arrepender depois”, alertou. 

Ainda sobre o Inova, Bethania reforçou que o zeramento é um problema central do programa que precisa ser urgentemente equacionado. “Estamos em um momento decisivo do Inova. É muito importante que os funcionários e as funcionárias estejam com a atenção redobrada no programa. Todos e todas precisam se manter mobilizados. A união é fundamental para não permitirmos que o Inova represente retrocessos para os trabalhadores e trabalhadoras do BB”, assinalou a dirigente.