Em mais uma ação sindical para conversar com funcionários e clientes do Banco do Brasil sobre a reestruturação que está acontecendo no banco, diretores do Sindicato dos Bancários percorreram hoje as agências Expedito Garcia, Ceasa e Jardim América, no município de Cariacica, e a agência Viana. Os bancários relataram como está sendo o cotidiano de trabalho a partir das mudanças. As experiências darão subsídios para o Sindicato buscar a negociação com o Banco do Brasil para exigir providências visando resolver os problemas resultantes das medidas.

A reestruturação no BB está vinculada a um Programa Inova Varejo, que começou a ser implantado de forma experimental no Espírito Santo no ano passado. Uma das medidas do programa foi a eliminação da função de caixa presencial nas agências da Reta da Penha e Ufes (Vitória), da Glória e de Itapoã (em Vila Velha), fazendo com que os clientes que queiram atendimento humano nesses locais tenham que se deslocar para agências nem tão próximas. O resultado é o aumento da demora no atendimento e sobrecarga de trabalho nas agências que absorveram as demandas: agências da avenida Rio Branco e Jardim da Penha, em Vitória, e da Praia da Costa e do Centro, em Vila Velha.

Com as medidas que entraram em vigor na reestruturação de janeiro desse ano, a extinção da função de caixa foi ampliada. O banco criou novas vagas de assistentes que só vão abrir os guichês de caixa se houver procura pelos clientes. O que temos hoje são os clientes e funcionários prejudicados e vivendo incertezas. O banco não oferece nenhuma condição para que o empregado mude de cidade ou se locomova diariamente para assumir uma oportunidade em local distante da sua moradia. Não há nem sequer ganho salarial para compensar a mudança de vida.

“Cada dia que passa é uma surpresa diferente. Além do fechamento de agências que desloca a gente e dificulta a rotina, agora tem essa nova proposição com relação ao caixa. A gente não tem mais garantia. Se abrir o caixa recebe, se tirar férias não recebe. Ou seja, na verdade, todo mundo foi desgratificado, porque quando você é gratificado, você recebe tudo que tem direito, todas as incidências trabalhistas independente de férias. Então, quem não assumiu a incorporação foi desgratificado. Esses entraves estão assim em aberto. A forma como o banco escolheu fazer essa reestruturação é muito esdrúxula, é uma covardia com os funcionários. Tudo isso gera adoecimento, apreensão e muito medo e infelizmente o pessoal lá de cima vê, mas finge que não vê”, criticou um bancário durante a reunião.

Outro prejuízo desse programa é que os bancários de 27 agências do Espírito Santo vão ficar sem receber os valores integrais da Participação nos Lucros e Resultados (PLR). Isso devido ao zeramento da produção referente ao terceiro trimestre de 2024 por conta das falhas no sistema durante a implantação do Inova. Além disso, teve também aumento expressivo das metas de vendas de produtos por carteira de clientes e a rotação dos clientes entre agências e/ou carteiras. Na quarta-feira, 12, o Sindicato enviou à Diretoria de Pessoas (DIPES) pedido de reunião para tratar da redução do valor PLR nessas agências. Ainda não houve resposta.

Para a dirigente sindical, Bethânia Emerick, o BB abandonou a sua função social. “A verdade é que nós nunca demos prejuízo, mas quando o banco abre pro capital e abandona sua função social, parece que abandonou também seus funcionários, porque a gente sente na pele o quanto o sofrimento foi agudizado de uma forma assim absurda. A gente sempre bateu as metas, sempre cumpriu os trabalhos propostos, mas a gente tinha um ambiente de parceria no trabalho. Quando tirou a função social veio esse massacre”, avalia.

Bethânia relata que se lembra de uma das primeiras reuniões com os cedidos, quando uma gestora da Adipes falou que estava fazendo reunião com o Itaú para aprender ‘as melhores práticas’. “Foi desesperador ouvir aquilo. Porque realmente o BB abraçou o capital com todas forças e isso traz um sofrimento pra nós trabalhadores que estamos na base. Hoje, o nível de adoecimento que temos no BB é comparado a qualquer banco privado”, ressalta.

Fotos: Sérgio Cardoso