COE rejeita proposta do Itaú de reajuste da PCR 

03/04/2025 17:47

A representação dos trabalhadores também pediu soluções para os problemas do programa GERA. Na reunião dessa quarta (2) o banco admitiu que o programa precisa ser ajustado

A Comissão de Organização dos Empregados (COE) rejeitou a proposta de reajuste do Itaú da Participação Complementar nos Resultados (PCR). O posicionamento contrário à proposta foi manifestado pelos integrantes da COE na reunião dessa quarta-feira (2) com a direção do Itaú. Além do PCR, também foram discutidos os problemas relacionados ao programa GERA. 

O Itaú apresentou a seguinte proposta para o reajuste do PCR:

  • 2025 – Reajuste do INPC (4,17% em janeiro)
  • Até 23% de ROE: R$ 3.831,48
  • Acima de 23% de ROE: R$ 4.016,15
  • 2026: Reajuste conforme a categoria.

Na avaliação do dirigente do Sindicato dos Bancários/ES e suplente da COE, Alcendino Anderson dos Santos (Sãozinho), a proposta de reajuste do Itaú é indecente. “É inaceitável que um banco que vem acumulando resultados recordes de lucro ano após ano, apresente uma proposta tão rebaixada”. Sãozinho lembrou que o Itaú detém oito dos 10 maiores lucros de 2015 a 2024. “No ano passado, o Itaú rompeu a casa dos R$ 40 bilhões de lucro, um recorde histórico. Para se ter uma ideia do que esse número significa, o orçamento do Espírito Santo de 2024 foi de R$ 26 bilhões, ou seja, o lucro do Itaú em 2024 foi uma vez e meia o orçamento de um Estado com 4 milhões de habitantes. Essas são as dimensões dos números do Itaú. Apesar da pungência dos números, a valorização do empregado não é uma prioridade para o banco”, criticou o dirigente. 

A coordenadora da COE, Valeska Pincovai, afirmou: “Os bancários do Itaú merecem respeito! O banco precisa valorizar aqueles que trabalham duro para que ele alcance lucros exorbitantes. Não é justo que os trabalhadores adoeçam para bater metas e não sejam reconhecidos como deveriam”.

Diante do impasse, uma nova reunião será agendada para que a COE apresente novamente suas reivindicações sobre o PCR. 

Programa GERA
Outro ponto de pauta em discussão foi o programa GERA. O banco reconheceu que há problemas no programa e adiantou que já está implementando melhorias no canal “Fale com o GERA”, ferramenta específica para encaminhamento de reclamações sobre o programa. Segundo os representantes do Itaú, cerca de 100 agências registram queixas mensalmente e estão sendo trabalhadas para resolução. A proposta do banco é simplificar o funcionamento do GERA. O Itaú também admitiu que algumas produções demoram a ser computadas no programa, como no caso da lista VAI, cujo prazo para registro da produção do primeiro contato é de sete dias. 

Cobrança de metas
A COE questionou o fato de as metas trimestrais estarem sendo cobradas mensalmente, com pontuação elevada, sempre acima de mil pontos. Em resposta, o responsável pela área explicou que existe apenas um relatório mensal para que os funcionários acompanhem seu desempenho, mas reconheceu que alguns gestores utilizam esse relatório como meta mensal, gerando cobranças excessivas e pressão no ambiente de trabalho.

A COE apresentou um exemplo de cobrança abusiva em uma região específica, que foge totalmente das regras do programa. “Temos que denunciar ao banco o ranqueamento, a exposição de funcionários em alguns locais e a gestão do programa GERA de forma assediadora”, destacou Valeska.

Outro problema trazido pela COE foi a punição no Sistema de Qualidade de Vendas (SQV). Atualmente, se um funcionário é punido em uma agência e posteriormente transferido, ele carrega essa punição para o novo gestor e unidade. O banco alegou que essa prática leva em consideração a lotação do empregado no momento da aplicação.

Além disso, a COE questionou a ausência de remuneração dos ANS no segmento empresas em relação ao GERA, o impacto da transferência de funcionários e a mudança de porte das agências nas metas. O Itaú se comprometeu a debater esses pontos em uma próxima reunião, na qual também apresentará informações sobre a gestão do programa, sua comunicação interna, avaliação e treinamentos.

Descomissionamento e rebaixamento de cargos
Outro tema abordado na reunião foi o crescente número de bancários rebaixados de cargo. Segundo a COE, em diversas regiões, gerentes estão sendo descomissionados para o cargo de Assistente de Negócios (AN), com jornada de seis horas. O banco justificou que essas decisões ocorrem porque os trabalhadores não estariam desempenhando a função conforme os requisitos estabelecidos, e que essa prática está respaldada pela Reforma Trabalhista.

Deve ser anunciada em breve a data de uma nova reunião entre o COE e a direção do Itaú para tratar das pendências que continuam sem solução. 

(Com informações da Contraf. Foto capa: Contraf)