O Sindicato dos Bancários/ES, como uma das entidades que organizam O Grito dos Excluídos e Excluídas, que aconteceu nesse domingo (07) na Praça Portal do Príncipe, em Vitória, se solidariza ao Pe. Kelder Brandão e repudia os ataques criminosos e caluniosos do deputado estadual Lucas Polese (PL) ao vigário da Paróquia Santa Teresa de Calcutá.
Durante a 31ª edição do Grito, o Fórum Igrejas e Sociedade em Ação, em conjunto com as entidades que integram a organização do Grito, leu uma nota de repúdio aos ataques “caluniosos e criminosos” que o padre vem sofrendo. A nota não revela o autor, mas atribui os ataques a “representantes públicos com mandato”.
O autor é Lucas Polese, que intensificou os ataques nas redes sociais, acusando o Pe. Kelder de ser contrário à Lei 12.749/2025 e fazer apologia à ideologia de gênero. A lei, de autoria de outro deputado de extrema direita, Alcântaro Filho (Republicanos), autoriza pais ou responsáveis a proibirem seus filhos de participarem de aulas sobre identidade de gênero, orientação sexual, diversidade sexual, igualdade de gênero e temas semelhantes.
Numa postagem no Instagram que critica o padre e a Arquidiocese de Vitória, o deputado de extrema direita faz a seguinte afirmação: “O Padre Kelder é conhecido aqui no ES por defender o tráfico de trogas [drogas] e o ativismo LGBT. Defender Jesus Cristo, NUNCA vi”.
“Os ataques do deputado tentam criar uma onda de ódio nas redes sociais com a clara intenção de criminalizar uma liderança religiosa que tem um histórico de lutas sociais na Grande Vitória em defesa dos segmentos mais vulneráveis da população. Os ataques do deputado são uma afronta não somente ao padre, mas a todas as organizações que militam em defesa das causas dos excluídos. Estamos solidários ao padre e vamos lutar firmemente contra políticos como Polese, que usam seus mandatos para semear o fascismo no Espírito Santo. Não por acaso, o Grito deste ano também foi em defesa da democracia. Precisamos nos manter mobilizados o tempo todo. Os algozes da democracia precisam ser execrados da política. Em outubro do ano que vem estará novamente nas mãos do povo evitar que outros Poleses sejam eleitos”, advertiu o coordenador-geral do Sindicato, Carlos Pereira de Araújo (Carlão), que esteve no Grito desse domingo ao lado de outros dirigentes do Sindicato.
Novos ataques
Não bastassem os ataques sistemáticos ao Pe. Kelder, após saber da nota de repúdio lida no Grito, Lucas Polese postou um novo vídeo nas redes sociais criticando o posicionamento do Fórum Igrejas e Sociedade em Ação em defesa do vigário. No vídeo, o deputado edita trechos da nota e intercala com comentários mentirosos e desrespeitosos ao padre.
Na nota, o Fórum Igrejas e Sociedade em Ação afirma “categoricamente que a violência das acusações proferidas ataca o trabalho de toda a Igreja e a dignidade de todas as pessoas e grupos que participam do Grito dos Excluídos e Excluídas. É inadmissível que um representante eleito pelo povo utilize sua posição para disseminar desinformação e ódio, buscando incitar a intolerância contra aqueles que exercem o direito constitucional de manifestação e de luta por um mundo melhor”. E completa: “Por fim, repudiamos especificamente o ataque pessoal direcionado ao Pe. Kelder José Brandão Figueira, que é também um ataque à própria Igreja e a todo o trabalho que ele desenvolve em sua missão”.
Inconstitucionalidade da lei
Os ataques do deputado ao padre se intensificaram com a aprovação da Lei 12.479/2025. A lei aprovada na Assembleia é alvo de uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF). Três organizações defensoras dos direitos das pessoas LGBTQIAPN+ ingressaram com ação. O processo está com a ministra Carmen Lúcia.
Na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7847, as entidades argumentam que a lei estadual viola a Constituição Federal por invadir competência exclusiva da União para legislar sobre diretrizes e bases da educação nacional, além de afrontar direitos fundamentais como a liberdade de expressão e a liberdade de cátedra.
As organizações também sustentam que a lei provoca uma situação de anormalidade no ambiente escolar, pois os docentes podem ser obrigados a silenciar diante de perguntas de alunos devido à proibição imposta por alguns pais que não desejam que determinados temas sejam debatidos em sala de aula.
A ADI 7847 foi proposta conjuntamente pela Aliança Nacional LGBTI+ (Aliança), pela Associação Brasileira de Famílias Homotransafetivas (Abrafh) e pela Associação Comunitária, Cultural e de Apoio Social – Fórum Nacional de Travestis e Transexuais Negras e Negros (Fonatrans).
O PSOL e o PT também protocolaram duas ADIs contra a lei no Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES). Há também uma representação no Tribunal de Contas do Estado (TCE-ES), de autoria do Ministério Público Federal (MPF), pedindo a suspensão da lei.
No final de agosto, a nota de repúdio aos ataques do deputado Lucas Polese partiu do Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica no Espírito Santo (Sinasefe Ifes). À ocasião, o deputado de extrema direita postou um vídeo editado, sem autorização, de uma palestra do professor do Ifes, acusando-o de desrespeitar a lei e promover a “ideologia de gênero”.

