“O cuidado com a saúde mental é fundamental para que não ocorra processo de adoecimento, que pode levar a muitas situações, inclusive à ideação suicida”. A afirmação é do diretor de Saúde e Condições de Trabalho do Sindicato dos Bancários/ES, Ronan Teixeira, ao comentar a campanha Setembro Amarelo, que busca a prevenção de suicídios. Lei sancionada pelo presidente Lula na última segunda-feira, 8, torna oficial a campanha e institui o dia 10 de setembro como Dia Nacional de Prevenção do Suicídio e o dia 17 de setembro como Dia Nacional de Prevenção da Automutilação.
Para Ronan, “é importante que a gente olhe a saúde de forma coletiva, principalmente no ambiente de trabalho, garantindo um conjunto de cuidados permanentes e considerando os multifatores do adoecimento, incluindo as relações sociais de trabalho num ambiente estressante como o dos bancos”.
Desde maio de 2024, o Sindicato dos Bancários/ES oferece, em parceria com a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), o Serviço de Acolhimento Psicológico a bancários e bancárias em sofrimento mental, visando à promoção da saúde. Voltado especialmente para trabalhadores em sofrimento psíquico decorrente do trabalho, o atendimento é parte da campanha Menos Metas, Mais Saúde.
Estagiários do último período do curso de Psicologia da Ufes, sob supervisão do professor Thiago Drumond, estão à disposição da categoria em horário pré-agendado pelo telefone (27) 99618 1044. O atendimento pode acontecer no Sindicato, fora da sede da entidade ou de forma virtual, garantindo a melhor opção aos trabalhadores e às trabalhadoras.
De acordo com os dados do INSS de 2024, foram mais de 470 mil trabalhadores afastados por adoecimento mental e 25% desses trabalhadores são da categoria bancária. A principal causa dos afastamentos no Brasil são por depressão e ansiedade.
“Esse dado é realmente alarmante. O adoecimento mental na categoria bancária é uma situação epidêmica e pra gente superar é fundamental olhar pra situação de forma coletiva, pensar o cuidado e a saúde de forma coletiva, não encarar o adoecimento como individual”, disse Ronan.
A epidemia a que se refere o dirigente sindical é reflexo de uma cultura laboral tóxica, que prioriza o lucro acima da vida. Sobrecarga, assédio moral, metas, competitividade extrema, insegurança no trabalho, vigilância digital e pressão constante são alguns dos fatores que adoecem bancários e bancárias.
A pesquisa feita pela Ufes em 2024 com bancários e bancárias capixabas, em parceria com o Sindicato, revela que 63% dos respondentes têm vontade de ficar sozinhos/sozinhas até seis vezes por semana; 19% disseram que pensam em se isolar até duas vezes por semana.
A frequência da vontade de desistir de tudo também mostra o adoecimento mental dos bancários e bancárias capixabas: 59% dos respondentes pensam nisso de 3 a 6 vezes por semana, enquanto 14% apontaram que têm esse pensamento até duas vezes por semana.
“O importante é que ninguém sofra sozinho, achando que é uma questão individual ou um caso isolado. Buscar ajuda psicológica, psíquica ou o serviço de acolhimento do Sindicato é fundamental. Entender o adoecimento como multifatorial e um problema coletivo salva vidas”, disse Ronan.
Onde buscar ajuda:
Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e Unidades Básicas de Saúde (UBS)
Samu – Disque 192
CVV (Centro de Valorização da Vida – Disque 188
Serviço de Acolhimento Psicológico do Sindibancários/ES – (27) 99618 1044

