Campanha Feminicídio Zero mobiliza bancárias e bancários do Banestes

23/06/2026 17:14

Banestianos e banestianas participaram na manhã de hoje, 23, de ação que discutiu sobre violência contra a mulher e o papel dos homens nessa luta

Na manhã desta terça-feira, (23), diretores e diretoras do Sindibancários/ES estiveram no prédio do Banestes no Pallas Center, no centro de Vitória, para dialogar com a categoria sobre machismo, violência contra a mulher e o papel dos homens nessa luta.

A atividade faz parte da Campanha Feminicídio Zero – nenhuma a menos & nenhuma em silêncio, que é uma campanha permanente e terá ações em outras agências do estado, tanto na Grande Vitória quanto no interior.

Bethania Emerick, diretora responsável pela Secretaria de Mulheres do Sindicato, entende que a categoria bancária como parte da sociedade também precisa se posicionar na luta pelo fim da violência contra mulheres e meninas.

A dirigente também destacou que muitas mulheres não reconhecem a situação que estão vivendo como uma agressão: “A violência psicológica é muito preocupante, pois, muitas vezes, a mulher fica sem entender que ela está passando por uma situação de violência e fica pensando ‘será que eu desagradei de alguma forma?’, ‘será que fiz algo que não devia?’. Então ao entender o ciclo da violência e os tipos de violência as mulheres conseguem se posicionar”.

Sobre o papel dos homens no combate à violência contra as mulheres, Idelmar Casagrande, diretor da entidade, afirmou: “Temos um papel muito mais importante nessa campanha do que as mulheres, pois precisamos convencer o cara que joga bola com a gente e que vai no boteco de que não há espaço, a violência começa com uma piadinha entre homens e vai virando outras coisas. É o chamado que a gente faz pra categoria bancária, principalmente os homens, temos um papel fundamental de fazermos esse debate no dia a dia, no local de trabalho, na igreja, no boteco, aonde estivermos”.

Marcelo Giacomin, diretor do Sindibancários/ES, também falou do papel dos homens e ressaltou que sua geração foi incentivada objetificar e julgar as mulheres. “A minha geração não é muito diferente da maioria dos homens que estão aqui. Fomos construídos objetificando as mulheres e tendo um olhar diferente pra elas, como não iguais. É algo que tivemos na nossa geração e que precisamos desconstruir e, em relação aos nossos filhos, buscar de toda forma não passar o que nos foi ensinado”, concluiu.

Combate à violência contra a mulher

Bancários e bancárias destacaram a importância da atividade e da participação dos homens no combate à violência contra a mulher não só dentro de casa e entre amigos, mas também no ambiente de trabalho.

Confira alguns depoimentos

“Eu achei a ação muito interessante, no sentido de que ela colocou tanto os bancários quanto as bancárias para falarem dos seus papéis em relação à violência contra a mulher. Quando se ouve a respeito de feminicídio, violência contra a mulher e da cultura do estupro, que também foi tratado hoje, normalmente se culpa a mulher pelas ações e crimes que a própria mulher sofreu.

E o sindicato trouxe que não só a mulher precisa agir no sentido de dar fim à violência que ela sofre, mas também o homem é o principal agente, é o principal responsável. E esse homem vem sendo socializado dessa forma desde criança, naturalizando uma série de comportamentos que não são naturais. É importante colocar que tanto homens quanto mulheres precisam estar juntos nessa luta contra a violência contra a mulher”

Débora Vieira Miranda, bancária do Banestes

“Eu acho muito importante o tema que o Sindicato está trazendo, principalmente no Estado do Espírito Santo, onde os casos de feminicídio são altíssimos. Todo dia a gente vê nos jornais um feminicídio, uma mulher sendo agredida. E esse tema foi debatido na conferência estadual e muitos empregados não puderam participar, então o sindicato trazer isso para a instituição, para o Banestes, para o Banco do Brasil, para os outros bancos e dar a oportunidade para os empregados conhecerem, se aprofundarem nesse tema, eu acho importante. E também trazendo as experiências pessoais de cada um, que enriquece o aprendizado de todo mundo”

Everton Duarte, bancário do Banestes

“Esse espaço de discussão dentro do banco é fundamental, porque a violência acontece na sua maioria em casa, como Milly Lacombe disse no vídeo, mas o assediador também está aqui no ambiente de trabalho. Então, a gente precisa que os homens quebrem essa corrente, quebrem esse vínculo de perpetuar essa cultura da piada e de menosprezar as mulheres. Os homens precisam identificar em si próprios essas suas versões e ferramentas que utilizam em casa, mas também utilizam no trabalho com as colegas, e mudar isso. Já passou da hora disso acontecer. A gente não pode mais esperar. Enquanto a gente espera, enquanto pingam as gotinhas da consciência no homem, as mulheres vão morrendo aos montes, formando pilhas”

Renata Quintanilha Ornelas, bancária do Banestes

Fotos: Sérgio Cardoso