
A 12ª rodada de negociações nesta quinta (27), a exemplo da de ontem, atravessou o dia e só se encerrou por volta das 22h (Foto: Contraf)
Depois de mais uma maratona de negociações, que teve início na manhã desta quinta-feira (27) e se encerrou por volta das 22h, a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) deu um passo atrás e apresentou uma proposta que repõe a inflação dos últimos 12 meses pelo INPC (em torno de 4,10%). A proposta anterior cobria apenas 62% da inflação, representando uma perda de 1,50% para a categoria. O Comando Nacional dos Bancários considerou a proposta insuficiente e manteve a posição de defender o aumento real de 5% aprovado pela categoria. Como não houve acordo, as negociações serão retomadas nesta sexta-feira (28).
VA/VR
A correção pelo INPC apresentada pela Fenaban seria aplicada para todas as cláusulas econômicas (salários e demais verbas). Os vales alimentação e refeição (VA/VR) seriam reajustados pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). No caso do VA, o reajuste considera a inflação para “alimentação em domicílio”, medida pelo IPCA, com estimativa de 2,99% para a data-base da categoria. Com esse reajuste, a perda real no VA seria de 1,1% em relação ao INPC.
Em relação ao VR, o reajuste salarial da proposta dos bancos considera a inflação da “refeição fora do domicílio”, medida pelo IPCA, com estimativa de 4,39% para a data-base da categoria.
Na avaliação do coordenador-geral do Sindicato dos Bancários/ES, Carlos Pereira de Araújo (Carlão), que também é membro do Comando Nacional, a proposta dos bancos ainda está bem longe do razoável, que é o reajuste real de 5% acima da inflação. “Considerando que os bancos estão entre os setores que mais lucram no Brasil, 5% de reajuste é o mínimo aceitável. Os banqueiros reclamam de barriga cheia. A rentabilidade do setor é incompatível com a realidade salarial do bancário e da bancária. Quem constrói o lucro dos bancos são os trabalhadores. Os bancos podem e devem apresentar uma proposta digna, que valorize o trabalhador bancário. Vamos retomar as negociações amanhã [28] para cobrar o aumento real aprovado pela categoria”, reafirmou Carlão.
O dirigente destacou a importância da categoria se manter coesa e unida nesta reta final das negociações. “A mesa continua porque ainda não conquistamos nossas reivindicações centrais. Nesta quinta, na pausa da mesa de negociações, participei parcialmente da plenária da base capixaba que aprovou o estado de greve a partir desta sexta. Sindicatos de outros estados também chamaram plenárias. Vamos permanecer mobilizados para continuarmos disputando as pautas que trazem avanços para a categoria. A luta não acabou e precisamos estar prontos para novos enfrentamentos”.
PLR
A proposta da Fenaban para PLR, que previa o congelamento do reajuste, também foi revista. Os bancos apresentaram a correção do INPC, nos tetos e nas parcelas fixas da PLR. A categoria pleiteia a valorização da PLR, com melhoria na parcela adicional, com distribuição de um percentual maior dos resultados para toda a categoria.
Em relação às rodadas anteriores, o Comando apontou que houve avanços nas negociações em relação à RN-1; na proteção dos trabalhadores em relação à gestão ética da tecnologia (monitoramento digital não invasivo); no direito à desconexão; e nas cláusulas de combate ao assédio.









