
Em plenária realizada nesta segunda-feira, 03, no Centro Sindical, os bancários e bancárias reafirmaram a posição do Comando Nacional da categoria, de rejeição à proposta da Fenaban, e discutiram a importância de fortalecer a greve para arrancar conquistas.
A greve dos bancários chega hoje à sua quinta semana, com 359 agências fechadas no Espírito Santo, o número representa 80% do total de agências no Estado e é recorde de adesão.
Na última rodada de negociação, realizada no dia 28 de setembro, a Fenaban manteve proposta rebaixada, com índice de 7% para salários e demais verbas em 2016, mais abono de R$ 3,5 mil, além de índice composto de inflação (INPC) mais 0,5% para 2017, em modelo válido por dois anos. Além de não garantir melhores condições de trabalho, a proposta impõe perdas salariais para a categoria. O Comando Nacional rejeitou ainda na mesa de negociação.

Para os bancários, o índice de 7% representa uma afronta diante dos altos lucros obtidos pelos bancos. “É inaceitável que o setor que mais lucra no país não aceite repor sequer a inflação do período e queira nos empurrar goela abaixo um abono. Abono não é salário, não incorpora como verba salarial e não reflete nos nossos direitos. Essa proposta, além de não contemplar as reivindicações de emprego, saúde e condições de trabalho, prioritárias para a categoria, ainda nos impõe perdas salariais, com impacto direto na nossa remuneração”, diz Idelmar Casagrande, que representa o Sindibancários/ES e a Intersindical no Comando Nacional.
Segundo Idelmar, na última negociação ficou claro que, além da ganância dos banqueiros, a categoria está enfrentando também uma posição evidente do governo de não negociar ganhos reais. Vale lembrar que, os bancos públicos federais — Banco do Brasil e Caixa — representam forças importantes na mesa unificada da Fenaban, com influência para o andamento das negociações. Além disso, os bancos têm representantes diretos na composição do governo, sendo responsáveis também pela política econômica e pelo arrocho imposto aos trabalhadores.
“Há uma postura mais dura principalmente por parte dos bancos públicos, a partir de uma orientação direta do governo, que age contra os trabalhadores no sentido de retirar direitos. Temos quase trinta dias de greve, e desde que iniciamos a paralisação não tivemos nenhuma mesa de negociação específica com BB e Caixa. E a postura na mesa unificada é de não avançar na proposta”, relata Idelmar.
Para Jonas Freire, coordenador geral do Sindicato, o único caminho possível para pressionar os bancos é o fortalecimento da greve. “A gente precisa fazer crescer a mobilização e convencer os colegas que ainda estão no ponto de que é necessário parar de verdade. A nossa greve chega a um momento crucial e precisamos mostrar força, com adesão de todos os bancários. Somos a única categoria nacional com uma Convenção Coletiva, e são nossos direitos que estão em jogo. Trabalhamos no setor mais rentável da economia, que obtém lucros extensivos com a exploração do nosso trabalho e a cobrança de juros e tarifas da população. Queremos respeito e não vamos ceder a essa proposta rebaixada”, ressalta Jonas.
“É estratégico para esse governo golpista derrotar a nossa categoria. Somos uma das poucas categorias nacionais unificadas que ainda resistem e não vamos arriar a cabeça, porque é agora ou nunca. Se aceitarmos esse acordo será uma derrota não só para os bancários, mas para todos os trabalhadores, porque ainda somos uma referência para toda a classe”, ressaltou Rita Lima, diretora do Sindicato.

