A presença da mulher no sindicalismo é tema de debate no III Encontro Estadual da Mulher Bancária

05/04/2014 20:12

Na tarde deste sábado, 5, o III Encontro Estadual da Mulher Bancária debateu o tema "A luta e a atuação das mulheres bancárias no Sindicato dos Bancários/ES", que fez parte do painel Mulher e Poder no Sindicalismo. A palestrante foi a diretora do Sindicato, integrante do Coletivo de Mulheres da entidade e professora da Faculdade […]

Na tarde deste sábado, 5, o III Encontro Estadual da Mulher Bancária debateu o tema “A luta e a atuação das mulheres bancárias no Sindicato dos Bancários/ES”, que fez parte do painel Mulher e Poder no Sindicalismo. A palestrante foi a diretora do Sindicato, integrante do Coletivo de Mulheres da entidade e professora da Faculdade São Geraldo, Rita Lima. Ela mostrou dados sobre a participação das mulheres no Sindicato, falou sobre as ações afirmativas que possibilitaram maior inserção feminina no movimento sindical, entre outros assuntos referentes ao tema.

Segundo os dados apresentados por Rita Lima, em oito décadas de história o Sindicato contou com 200 homens na diretoria executiva, enquanto que o número de mulheres foi de 37. “Em seus primeiros cinquenta anos a entidade não teve nenhuma mulher na diretoria”, afirma Rita. A palestrante destacou que uma das questões que dificulta a participação feminina no sindicalismo é a dupla jornada de trabalho. “A não divisão das tarefas domésticas faz com que as trabalhadoras não tenham tempo de participar do movimento sindical”, afirma Rita.

De acordo com ela, quando as mulheres decidem atuar no sindicalismo os homens encaram isso como uma concessão. “É como se o espaço doméstico fosse definitivamente nosso e que a gente tem que se virar para dar contar dele e das atividades de militância, como se tivéssemos que pagar um preço pela participação política”, relata Rita, que destaca o Coletivo de Mulheres do Sindicato como um espaço de extrema importância para o empoderamento feminino. “Trata-se de uma iniciativa por meio da qual podemos conquistar direito de voz em outros espaços”, diz a sindicalista.

Entre as ações afirmativas voltadas para as mulheres Rita Lima destacou as cotas de 30% nas diretorias de sindicatos. “As cotas não foram uma benesse, e ,sim, uma conquista da luta feminista. Depois de 20 anos da implantação dessa ação afirmativa a maioria dos diretores de sindicatos ainda são homens. Porém, é inegável o avanço político que os 30% trouxeram. Em categorias consideradas masculinas, como os metalúrgicos, o número de mulheres sindicalistas aumentou”, afirma Rita.

Após a fala de Rita Lima, a também diretora do Sindicato e integrante do Coletivo de Mulheres, Lucimar Barbosa, apresentou um balanço das atividades realizadas pelo Coletivo em seus 20 anos de existência, como a pesquisa sobre o perfil da mulher bancária, os encontros estaduais da mulher bancária, seminários, cursos de formação e o Jornal Mulher 24h.

Lucimar afirma que o evento alcançou as expectativas. “O tema mulher e poder foi apresentado de forma lúdica. Conseguimos fazer com que todas as participantes se vissem nos depoimentos apresentados, nos dados expostos e em outras fontes de informação. Esse  espaço foi muito importante para debatermos sobre a questão da mulher trabalhadora, ouvir as bancárias e, dessa forma, traçarmos ações políticas que nos possibilitem avançar na luta pela igualdade de gênero”, afirma Lucimar.