A alteração de uma instrução normativa do Banco do Brasil está gerando uma grande polêmica entre os funcionários da instituição, sobretudo os caixa – segmento diretamente afetado pela mudança. O normativo prevê que quando houver diferença de caixa a menor, ou seja, quando falta dinheiro após a totalização dos pagos e recebidos, que o gestor, caso identifique “indícios de intencionalidade”, deve lavrar imediatamente um Boletim de Ocorrência (BO) contra o funcionário do banco na Delegacia de Polícia para comunicar os fatos.
Na avaliação da diretora do Sindicato dos Bancários/ES Cláudia Patrícia Ribeiro, que inclusive já exerceu a função de caixa no BB, a alteração da norma deixa o funcionário vulnerável a um “julgamento” do gestor, que passa a ter poderes para interpretar se houve “indícios de intencionalidade” por parte do caixa. “A expressão ‘indícios de intencionalidade’ é extremamente subjetiva. Se o desdobramento da história vai ou não acabar numa delegacia é imprevisível. Vai depender exclusivamente da interpretação do gestor, que passa a exercer papel de juiz”, critica a dirigente.
Cláudia Patrícia acrescenta ainda que a função de caixa, que por natureza já é extremamente estressante, com a alteração da norma, incorpora mais um elemento de pressão sobre o trabalhador. “Não bastasse toda essa pressão inerente à função de caixa, esse poder de árbitro que está sendo delegado ao gestor pode dar margem para aumento dos casos de assédio. Imaginem a tensão do funcionário na hora do fechamento do caixa. Se houver uma diferença para menor, mesmo o trabalhador tendo certeza de que não cometeu nenhum ilícito, ele já vai construir o pior cenário. Vai se imaginar sendo inquirido numa delegacia, temendo inclusive que um eventual inquérito policial se transforme num processo judicial”, afirma.
Indignação
A palavra que traduz os bastidores da repercussão da instrução normativa entre os funcionários do BB é indignação. Nas últimas horas o Sindicato tem recebido uma série de questionamentos dos funcionários, que estão inconformados com a alteração. No resumo das queixas, os funcionários criticaram principalmente o poder de “juiz” do gestor de decidir, a partir de elementos subjetivos, se o BO será ou não lavrado; outros disseram que a norma é um retrocesso do banco na relação com os funcionários; uma parte reivindicou que a instrução seja revogada imediatamente.
Segundo a dirigente, o Sindicato ainda está apurando mais informações sobre o normativo e estudando quais medidas deverão ser adotadas pela entidade.

