Nesta segunda-feira (28), o Comando Nacional dos Bancários e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) se reuniram, em São Paulo, para a “Negociação Nacional Bancária sobre Novas Tecnologias, como a Inteligência Artificial (IA), e a Atividade Bancária”.
No início da reunião, o Comando entregou um documento, elaborado em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), com a proposta dos trabalhadores dos pontos que precisam ser debatidos e o pedido de instalação de uma mesa permanente para negociações sobre IA.
Com base em dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), o Comando destacou que 1 a cada 4 empregos serão impactados, em algum grau, pela Inteligência Artificial (IA) Generativa, sendo que a maioria dos postos de trabalho expostos à IA serão transformados, exigindo ações para a qualificação e requalificação de trabalhadores. A pesquisa apontou ainda que as mulheres têm duas vezes mais chances de serem expostas à IA generativa e em postos de trabalho que tendem a desaparecer pelos avanços tecnológicos.
“Esse debate precisa ser feito com urgência, e, embora a categoria bancária tenha um papel de protagonista nessa discussão, esse é um debate de toda a classe trabalhadora e da sociedade como um todo, uma vez que a chegada das inovações tecnológicas impacta a todos”, pontuou o Coordenador geral do Sindibancários/ES e integrante do Comando Nacional, Carlos Pereira Araújo (Carlão).
O Comando também ressaltou que a categoria também quer discutir e verificar em que medida a IA está sendo utilizada para controle dos trabalhadores, e como essas novas tecnologias podem estar vinculadas às questões de direitos por igualdade de oportunidades dentro das empresas, desumanizando os processos de contratação, ascensão e até demissão dos empregados.
Carlão avalia que esse debate dialoga diretamente com o movimento Vida Além do Trabalho (VAT), que propõe o fim da escala 6×1, a fim de proporcionar melhoria nas condições de vida dos trabalhadores. “A IA não pode ser usada pensando apenas em aumentar ainda mais os lucros dos bancos. O aumento na produtividade com a entrada de novas tecnologias precisa ser revertido em ganhos para os trabalhadores e para a sociedade em geral, garantindo redução da jornada de trabalho, sem redução salarial, redução do grau de cobrança e assédio e melhoria nas condições de trabalho e no atendimento. Por isso, há a necessidade de debate, de regulamentação, de leis próprias para estabelecer bem esse uso, para proteger os bancários – no nosso caso a nossa Convenção – e proteger também clientes e a população como um todo”, afirmou Carlão.
Veja os principais pontos levantados no documento entregue à Fenaban:
1 – Informar e consultar os sindicatos sobre o desenvolvimento e a implementação de sistemas de IA que possam ter um impacto significativo nos funcionários dentro do sistema financeiro. Incluindo ainda estabelecimento de mesa de negociação por banco envolvendo as COEs.
2 – Pontos que devem ser negociados de forma imediata: fechamento de agências, cargos eliminados, por exemplo, de caixas, tesoureiro, gerente administrativo.
3 – Reconhecimento dos bancos que a IA tem o potencial de impactar os funcionários de várias maneiras, incluindo: mudanças nas funções e responsabilidades do trabalho; a necessidade de novas habilidades e treinamento; o potencial para deslocamento de empregos e mudanças nas condições de trabalho.
4 – Garantir em ACT que esses novos profissionais não sejam PJ ou terceirizados, ou seja, que o trabalho não seja precarizado.
5 – Negociação de um programa de requalificação e realocação, em se fazendo necessário, para que os bancários possam migrar para outras áreas. Estabelecer um apoio financeiro (indenização adicional) aos trabalhadores demitidos.
6 – Garantir que os sistemas de IA sejam desenvolvidos e usados de forma ética e responsável, em conformidade com as leis e regulamentos relevantes. Problemas nos “scores” que são definidos pela IA que discriminam socialmente os clientes e impactam no trabalho bancário.
7 – Proteger e privacidade e a segurança dos dados de funcionários e clientes.
8 – Garantir que os funcionários tenham o direito de contestar decisões tomadas por sistemas de IA.
9 – Os bancos e sindicatos concordam em estabelecer o “Observatório de Transformação Digital dos Bancários” num trabalho conjunto para monitorar a implementação deste acordo e para desenvolver orientação adicional sobre o uso da IA no trabalho bancário.
10 – Redução da jornada de trabalho para 4×3, sem redução salarial, para que os ganhos de produtividade dos bancos advindos da tecnologia sejam divididos com os trabalhadores.
Resposta da Fenaban
Os representantes da Fenaban se comprometeram a abrir o debate sobre as mudanças tecnológicas no setor incluindo os trabalhadores e aceitaram a proposta de mesa permanente para discussões sobre IA. Além disso, solicitaram ao Comando uma proposta de calendário para os próximos encontros sobre o tema.
Programa Mais Mulheres na TI
Por fim, a Fenaban trouxe os dados do Programa Mais Mulheres na TI, conquistado pela categoria bancária na última renovação da CCT, onde ficou estabelecida 3.000 bolsas de estudos pela escola PrograMaria e 100 bolsas de estudos pela escola Laboratória, de cursos voltados à tecnologia da informação.
Os resultados do PrograMaria foram:
1ª Turma – Análise de dados/Meus primeiros passos em python, teve 9.729 inscrições para 1000 bolsas. Desse total, formaram-se 475 estudantes, sendo:
– 67% de pessoas pretas e pardas;
– 33% de pessoas da comunidade LGBTQIA+;
– 9,4% de pessoas trans;
– 29% mães e responsáveis;
– 40% de pessoas de zonas periféricas;
– 14,5% de pessoas com deficiência.
Em termos geográficos:
– 25% do Nordeste;
– 5% do Norte;
– 5% do Centro Oeste;
– 7,5% do Sul;
– 57,5% do Sudeste.
2ª Turma – Front-end/Minha primeira página web, que teve 4.600 inscritas para 1.000 bolsas.
Desta turma, com formatura prevista para esta semana:
– 56,56% são pessoas negras;
– 25,67% LGBTQIA+;
– 3,09% pessoas trans;
– 36,32% são mães ou responsáveis;
– 25,55% são pessoas de fora das regiões Sul e Sudeste.
3ª Turma – 500 bolsas (curso Front-end/Minha primeira página web):
– Início das inscrições previsto para 18 de outubro.
4ª Turma – 500 bolsas (curso Análise de dados/Meus primeiros passos em python):
– Início das inscrições previsto para 3 de dezembro.
Os resultados do Laboratória:
Curso mais intensivo, com duração de 20 semanas (5 meses):
– Turma 1: ativa e com término previsto para 1º de agosto, hoje com 40 alunas ativas.
– Turma 2: ativa e com término previsto para 17 de outubro, hoje com 50 alunas ativas.
(Com informações da Contraf)

