
Foto: Contraf/CUT
A 1ª Conferência Nacional de Aposentadas e Aposentados do Ramo Financeiro aprovou como resoluções a orientação aos sindicatos e federações da categoria para a organização de coletivos do segmento, com realização de ações para estimular a participação ativa dos aposentados nesses coletivos; o apoio para o fortalecimento de associações e comissões de aposentados; e a inclusão do segmento nas conferências regionais e na Conferência Nacional dos Bancários.
O evento, realizado no início deste mês, em São Paulo, foi organizado pela Contraf/CUT, com apoio de federações e sindicatos de todo o país, e reuniu bancárias e bancários aposentados, dirigentes sindicais, especialistas e representantes de entidades parceiras. Os temas saúde, previdência, bem-estar, políticas públicas, inclusão sindical e combate ao preconceito etário foram debatidos em dois dias de conferência em formato híbrido (presencial e remoto).
“Nossa expectativa é que as iniciativas aprovadas na 1ª Conferência sejam exitosas e que possam iluminar o caminho para uma maior organização e disputa na sociedade, garantindo que aposentados e aposentadas não sejam deixados à margem, mas sim reconhecidos como uma força vital e estratégica para o movimento sindical e a sociedade”, afirmou secretária de Aposentados do Sindibancários/ES, Glória Dias. Na sua avaliação, a conferência “foi um importante fórum para discutir os desafios enfrentados pelos bancários e bancárias aposentados e mostrou a urgência de mantermos as pautas do segmento em evidência”.
Plano de Saúde
Um dos temas recorrentes no evento foram os problemas relacionados aos planos de saúde. Os relatos giraram em torno do aumento abusivo dos custos. “Ao se aposentar, os valores dos planos de saúde tornam-se proibitivos, pois consomem grande parte da aposentadoria”, contou Glória. Outro problema comum aos aposentados diz respeito à perda da cobertura para a família. A diretora do Sindicato lembra que “planos que eram familiares quando o bancário estava na ativa frequentemente se convertem em individuais após a aposentadoria, forçando a uma escolha de quem vai permanecer ou, em muitos casos, ao abandono do plano por completo”.
A necessidade da organização e do engajamento de aposentados e aposentadas nas lutas do segmento e gerais da classe trabalhadora foi outro ponto de discussão. Na avaliação dos presentes à conferência, o movimento sindical é, historicamente, focado nos trabalhadores da ativa, mas precisa olhar para aposentados e aposentadas, especialmente os de bancos privados, reconhecendo sua experiência e potencial de luta. “A criação de secretarias ou comissões específicas para aposentados em sindicatos e federações foi fortemente sugerida”, informou Glória, a exemplo do que já ocorre em algumas entidades como, por exemplo, o Sindibancários/ES, a Federação RJ/ES (Fetraf) e na Contraf.
Destacando os avanços institucionais, como a formação da Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Aposentados no Congresso Nacional, a dirigente afirma que “a mobilização dos aposentados é crucial não apenas para a defesa de seus próprios direitos, mas também para o fortalecimento do processo democrático no país, representando uma enorme força”.

