Pelo direito à vida, à saúde, à economia digna, ao pleno emprego e à garantia de direitos, as mulheres capixabas lançam nesta terça-feira, 25, o Manifesto 1ª Marcha das Mulheres Negras Capixabas – Julho das Pretas 2023. O lançamento marca o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. O documento será apresentado à sociedade do Espírito Santo às 9 horas, por meio do canal da Unegro no Youtube.
Elaborado pelo Fórum Nacional de Mulheres Negras Capixaba (FEMNC) em conjunto com entidades e coletivos de mulheres negras do Brasil e da América Latina e Caribe, o manifesto destaca a luta feminista antirracista, anticolonialista e anticapitalista. O lançamento do manifesto faz parte da programação do Julho das Pretas.
Ato
A celebração do Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha segue na sexta-feira, 28, quando será realizado um ato no Centro de Vitória Pela Vida das Mulheres Negras A concentração será às 15 horas no Palácio Anchieta.
“Convidamos todas as mulheres capixabas, em especial as bancárias, para lerem o manifesto e participarem do ato. Nós, mulheres, lutamos diariamente pelo direito de existir e contra inúmeras formas de violência que ferem e matam muitas de nós. As mulheres negras sofrem ainda mais, pois ainda enfrentam o preconceito racial e todas as mazelas que o racismo gera. Por isso é tão importante nossa unidade e mobilização para que possamos derrotar o racismo, todas as formas de preconceito e de violência. Nossa luta é pela vida das mulheres negras e essa é uma luta de toda a sociedade”, convoca a secretária de Mulheres do Sindibancários/ES, Cláudia Garcia.
Setor bancário
As mulheres pretas são as primeiras vítimas do desemprego, da recessão econômica, da violência e da objetificação dos corpos. Em 2021, o país registrou 1.319 casos de feminicídio, segundo relatório do Fórum de Segurança. Outra violência praticada contra as negras é no trabalho.
No setor bancário, as mulheres pretas representam somente 1,1% das que estão em cargos de liderança, com remuneração média equivalente a 59% da média da recebida pelos homens brancos, segundo informação da Contraf.
Levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que enquanto um bancário branco ganha, em média, R$ 10 mil, a mulher branca recebe R$ 7,8 mil e a mulher negra apenas R$ 5,9.
25 de julho
A ONU reconhece o dia 25 de julho como Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha desde 1992, quando ocorreu o 1º Encontro de Mulheres Negras da América Latina e do Caribe. No Brasil, a data foi aprovada em 2014 e decretada nacionalmente pela então presidenta Dilma Rousseff.
Quem foi Tereza de Benguela?

Tereza de Benguela viveu no século XVIII e foi casada com José Piolho, chefe do Quilombo Quariterê, localizado na divisa do Brasil com a Bolívia no atual estado do Mato Grosso. Com a morte do marido, ela passou a reinar na comunidade negra e indígena, resistindo à escravidão por duas décadas, até por volta de 1770, quando, após várias incursões, o quilombo foi destruído pelas forças da capitania mato-grossense.
Tereza implantou novos modelos de produção, como o uso de ferro na agricultura. Defendendo seu povo, ela liderou as ações contra os bandeirantes, como mostra artigo do portal Alma Preta, assinado por Pedro Borges: “O quilombo, território de difícil acesso, foi o ambiente perfeito para Tereza coordenar um forte aparato de defesa e articular um parlamento para decidir em grupo as ações da comunidade, que vivia do cultivo de algodão, milho, feijão, mandioca, banana, e da venda dos excedentes produzidos”.
1° Marcha das Mulheres Negras
🗓️28 de Julho (sexta)
⏰ Concentração 15 h
📍Palácio Anchieta- Vitória









