Atos mobilizam bancários e bancárias na luta por igualdade de oportunidades

16/07/2026 18:14

Dirigentes sindicais visitaram agências da Enseada do Suá, em Vitória, e de Campo Grande, em Cariacica, e dialogaram com bancários e bancárias sobre as reivindicações da Campanha Nacional deste ano

Dirigentes sindicais dialogaram com bancários e clientes sobre o modelo de gestão avesso à inclusão que predomina nos bancos no Brasil

Nesta quinta-feira (16), dirigentes do Sindibancários/ES percorreram agências da Enseada do Suá, em Vitória, e de Campo Grande, em Cariacica, conversando com bancários e bancárias, distribuindo panfletos e dando informes sobre as negociações da Campanha Nacional 2026, com destaque para a reivindicação de igualdade de oportunidades nos bancos.

Na Enseada do Suá, os diretores passaram pelas agências do Safra, Banco do Brasil, Banestes, Caixa e Santander.

Em Campo Grande, a ação sindical foi realizada no Bradesco, Itaú, Banestes, Santander e Caixa.

Igualdade de oportunidades

A igualdade de oportunidades de acesso, ascensão e remuneração para mulheres, negros e negras, pessoas LGBTQIA+ e pessoas com deficiência (PCDs) foi tema da terceira rodada de negociações com a Fenaban que aconteceu na manhã de hoje.

“O tema que está sendo tratado hoje na mesa de negociação é muito importante. São menos mulheres em cargos em direção, não passando de 10% nos bancos no Brasil.  As mulheres recebem em média menos que os homens e média salarial das mulheres negras é ainda menor do que a das mulheres brancas”, afirmou Fabrício Coelho, diretor do Sindibancários/ES.

Segundo dados organizados pelo Dieese, desde 2020 até abril de 2026, dos 31,1 mil postos de trabalho fechados no setor, 80% são vagas que antes eram ocupadas por mulheres.

Os dados também evidenciam diferenças significativas de remuneração entre homens e mulheres e grupos raciais na categoria bancária. As mulheres bancárias recebem, em média, 18,4% menos que os homens brancos que atuam na mesma função. A diferença é maior para mulheres negras bancárias, com remuneração média 34,2% inferior aos dos colegas homens brancos.

Nos cargos de liderança, as desigualdades são mais aprofundadas. Considerando o recorte racial, apenas 24% das pessoas negras (homens e mulheres) estão nos cargos de liderança dos bacos. E apesar das mulheres ocuparem cerca de 46% dos cargos de liderança, a remuneração média feminina nessas funções é 25% inferior à dos homens que ocupam a mesma função.

“Nós precisamos estar em todos os espaços, precisamos de mais mulheres como gerentes e superintendentes e com salários iguais, pois, às vezes, mesmo ocupando a mesma posição nós temos salários menores. Essa é uma lógica que está presente tanto nos bancos privados, quanto nos públicos”, destacou Vanessa Espíndula, diretora do Sindibancários/ES.

“Antes a Campanha Nacional era chamada de Campanha Salarial, porque a pauta principal era o salário, hoje a nossa luta não é só por salário, existem outras pautas essenciais, dentre elas as metas e o adoecimento mental”, acrescentou Jonathas Corrêa, diretor do Sindibancários.

Mobilização

Os diretores também destacaram que a mobilização da categoria é fundamental para que as negociações ganhem força e avancem.

“Queremos dialogar com a categoria sobre a Campanha Nacional, faremos debates, manifestações e até paralisação, esperamos não chegar nesse ponto, pois contamos com a seriedade dos banqueiros nas negociações, mas se for necessário estamos preparados!”, afirmou o secretário-geral do Sindicato, Claudio Merçon (Cacau).

Negociações

A próxima rodada de negociações com a Fenaban acontecerá na semana que vem, na terça-feira (21), e terá como tema saúde e condições de trabalho.

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