Em votação realizada na noite desta segunda-feira, 31, bancários e bancárias capixabas aprovaram com críticas a proposta de renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da Fenaban. Foram 601 votos (62%) a favor, 351 contrários (36,2%) e 17 abstenções (1,75%). O reajuste aprovado é de 1,5% mais pagamento de R$ 2 mil de abono. Os direitos já conquistados foram mantidos, mas não houve garantia de emprego e da regulamentação do teletrabalho.
Empregados do Banco do Brasil aprovaram a proposta do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) específico com 76% dos 126 votos validados. Cerca de 21% votaram pela rejeição da minuta e 2,3% se abstiveram. Bancários do Banestes também votaram favorável à minuta do ACT apresentado pelo banco. Os acordos da Caixa e do BNB foram rejeitados pelos bancários e novas assembleias serão realizadas nesta terça-feira, 01, a partir das 17h30, por meio do aplicativo Zoom. Os bancários do Bandes ainda continuam em negociação com o banco, que garantiu a ultratividade do acordo por dez dias.
As votações ocorreram logo após discussão das propostas na Assembleia Geral Extraordinária e nas assembleias específicas de cada banco.
Acordo rebaixado
Intransigência e ataque aos direitos da categoria marcaram as negociações da Campanha Nacional. Desde o início, a resposta dos bancos à minuta de reivindicações foi de retirada de direitos, como corte na PLR e reajuste zero. Após pressão da categoria bancária, que participou ativamente das assembleias, a Fenaban voltou atrás, manteve o formato da PLR e propôs um reajuste abaixo da inflação, de apenas 1,5%, mais abono de R$ 2 mil.
Além das perdas econômicas, a proposta da Fenaban não contempla reivindicações importantes para os bancários, como a garantia do emprego até o final da CCT e a regulamentação do home office. O representante dos bancários capixabas no Comando Nacional, Carlos Pereira de Araújo (Carlão), votou pela rejeição da proposta no Comando, já que ela traz perdas para categoria. No entanto, a maioria do Comando deliberou por orientar a aprovação da proposta nas assembleias estaduais. No Espírito Santo, a diretoria do Sindibancários/ES fez severas críticas à proposta, mas orientou a aprovação, uma vez que uma possível rejeição deixaria os bancários capixabas em uma luta isolada.
“Os bancários e bancárias capixabas seguiram a orientação do Sindicato e aprovaram o acordo, mas cientes de que essa é uma CCT rebaixada, em que tivemos perdas econômicas e não avançamos na garantia do emprego e da regulamentação do teletrabalho. Além disso, a maioria do Comando acatou a proposta sem sequer fazer o enfrentamento ou testar a categoria com a realização de greve para pressionar as negociações. Nossa luta sempre foi por nenhum direito a menos e o desfecho dessa campanha deveria ter sido com o envolvimento e mobilização efetiva da categoria. Diante do lucro bilionário dos bancos, que continua alto mesmo em meio à pandemia, saímos com um acordo rebaixado”, avalia Carlão.
Confira a minuta da CCT da Fenaban:

