Bancários da Caixa participaram do congresso específico do banco durante a Conferência Estadual dos Bancários, realizada de 16 a 18 de maio. Pela manhã, após o painel sobre o Projeto de Lei 4330, eles participaram de um debate sobre a saúde do trabalhador e as mudanças e as alterações nos planos de saúde da Caixa. Na mesa de debate, discutiram os temas o diretor da Contraf e ex-coordenador da Comissão de Negociação dos Empregados, Plínio Pavão, e a bancária aposentada da Caixa e ex-diretora do Sindibancários/ES, Bernadeth Martins.
Jornada além de seis horas, assédio moral e o estabelecimento de metas foram algumas das questões destacadas no debate como causas do adoecimento dos trabalhadores nos bancos. Segundo Pavão, após os anos 90 houve uma mudança no perfil do bancário, que passou de um trabalhador bancário burocrático a um vendedor de produtos. “Com a implantação de novos mecanismos de exploração dos trabalhadores, o tratamento dado aos bancários chegou a uma forma totalmente desumana e que leva cada vez mais ao adoecimento dos empregados”.
Durante sua fala, Bernardeth Martins falou sobre os programas de atenção à saúde do trabalhador. “Temos várias legislações na área da saúde, mas que não são cumpridas. O que vemos é o fim de programas de proteção à saúde dos bancários. É preciso que a categoria bancária se mobilize para garantir a jornada de seis horas e o fim do assédio moral”, enfatizou.
Durante o debate, os bancários também apontaram como desumano a inauguração de agências da Caixa com apenas seis trabalhadores, o que acarreta sobrecarga de trabalho para os empregados.
Saúde Caixa
Os planos de saúde da Caixa também foram discutidos pelos bancários. Entre as mudanças destacadas por Pavão foi a conquista da criação do Conselho de Usuários no Saúde Caixa, além da participação da Caixa de 70% das despesas com assistência e 100% das despesas administrativas.
Diante das debilidades do Saúde Caixa apontadas pelos bancários, foram encaminhadas propostas para que o plano ofereça um atendimento de qualidade para os bancários. “Conquistamos o Conselho de Usuários, mas é preciso lutarmos ainda para que esse Conselho seja deliberativo e não apenas consultivo, como é atualmente”, frisou Bernardeth.
Campanha Salarial
No Congresso, os bancários também fizeram a avaliação da Campanha Salarial de 2013 e de que como a Caixa, um banco público, vem sendo utilizada pelos governos nos últimos 12 anos. A inexistência de uma negociação específica da pauta de reivindicação dos trabalhadores da Caixa e do Banco do Brasil foi um dos pontos negativos da última Campanha Salarial destacados pela diretora do Sindibancários/ES, Renata Rodrigues Garcia.
“Neste ano, é preciso que todos se mobilizem para que possamos somar forças e conquistar o índice de reajuste de 20,24%, entre outras lutas”. A diretora também enfatizou que a orientação para o fim da greve dada pelo Comando Nacional de Greve desarticulou o movimento antes da negociação de importantes pontos da pauta de reivindicações dos bancários.
“Não tivemos avanços em importantes questões como o assédio moral, a falta de empregados e os processos de seleção dirigidos. Negociamos apenas a PLR e o índice. Voltamos a trabalhar com os mesmos problemas que tínhamos antes de começar a greve”.
Sobre a Caixa, a diretora destacou que, apesar de ser um banco público, a instituição segue a lógica do mercado e tem uma gestão que visa estimular a concorrência entre os bancos. “O modelo de gestão adotado privilegia e naturaliza que a Caixa é um banco comercial, que deve estar entre os três maiores bancos do Brasil. Mas o que queremos é que a Caixa cumpra seu papel social, que é o de investir no desenvolvimento social do Brasil, com projetos de habitação popular e saneamento básico”.
Luta
Os bancários aprovaram a minuta de reivindicações da Campanha Salarial 2013 e incluíram novas cláusulas como a licença paternidade de 180 dias. Outra proposta aprovada é o abono de ausência para acompanhamento ao médico, e outras situações indicadas, de filhos e outros dependentes com deficiência sem limite de idade.
Os participantes também propuseram uma nova cláusula na minuta que complementa a anterior, que é referente ao abono de ausência para acompanhamento de filhos e outros dependentes em tratamento de dependências diversas que exijam a presença do responsável, sem limite de dias. Foi aprovada também a eleição pelos empregados de todos os membros da comissão de ética da Caixa.
Eixos da Campanha
• Defesa das 6 horas
• Isonomia já! ATS para todos bancários e bancárias.
• Defesa dos bancos públicos
• Fim dos correspondentes bancários
• Ampliação imediata do número de empregados/as
• Fim das terceirizações
• Fim das metas
• Reposição das perdas
• Piso do Dieese
• Fim das discriminações aos/às participantes do REG/REPLAN
• Fim do delta zero
• Defesa dos direitos dos/as aposentados/as
• Extensão do tíquete e cesta-alimentação para aposentados/as e pensionistas
• Fim do voto de minerva na FUNCEF
• Igualdade de gênero e raça/etnia nos cargos de chefia
• Fim do assédio moral
Ao final do congresso, os bancários elegeram os delegados capixabas para o Congresso Nacional dos Empregados da Caixa (CONECEF). A minuta com as reivindicações dos bancários capixabas da Caixa será levada pelos delegados eleitos para o Congresso Nacional.
Conheça a delegação
Delegados
- Edimar Martins André – Dirigente de Base (aPECEF e aPACEF)
- Fabíola Rodrigues Garcia – Delegada Sindical
- Itamar Escouto – Diretor Sindical
- Nilson Santos Barbieri – Diretor Sindical
- Vinicius de Moraes Moreira da Silva – Delegado Sindical
- Lizandre Borges – Diretora Sindical
- Renata Rodrigues Garcia – Diretora Sindical
Suplentes
- Geraldo Porfirio
- Milena Balarini Morosini
Observadores
- Edmilson de Moraes Paixão – (Base, Agcef)
- Giovanni Riccio – Diretor Sindical
Aposentados
- Rita Lima – Diretora Sindical
- Ângela Barone
- Reginaldo Barcellos Correa de Mello
Suplente dos aposentados
Maria Beranadeth V. Martins









