Bancários e bancárias realizaram hoje um Dia Nacional de Luta contra as demissões no Bradesco, Itaú e Santander. Em Vitória, diretores do Sindibancários/ES percorreram as agências da Reta da Penha para dialogar com empregados e clientes. Em pequenas reuniões nos locais de trabalho, eles criticaram o desprezo dos bancos com a manutenção dos empregos durante a pandemia e orientaram os trabalhadores em relação aos seus direitos, convocando-os para fortalecer a luta contra as demissões.

Fotos: Sérgio Cardoso
Mesmo sendo o setor mais lucrativo da economia, num contexto de crise sanitária e econômica que leva milhares à situação de vulnerabilidade, os bancos seguem demitindo. Só em 2020, mais de 12 mil bancários perderam o emprego, segundo o Cadastro Geral de empregados e Desempregados (Caged) do Ministério da Economia.
A postura dos banqueiros contribuiu para o quadro de desemprego no país durante a pandemia, que bateu recorde no mês de setembro. Dados do IBGE apontam que o Brasil atingiu o patamar de 13,5 milhões de desempregados em setembro, cerca de 3,4 milhões a mais que no mês de maio. O índice de desemprego passou de 13,6% para 14% no período.
Demissões por banco
Só no Bradesco, ocorreram mais de 1.500 demissões em 2020, conforme levantamento da Comissão de Organização dos empregados (COE). O Espírito Santo somou 31 demissões nas quatro primeiras semanas de outubro.
O Santander demitiu 2.045 funcionários no Brasil entre o início de abril e o fim de setembro, os meses mais agudos da pandemia de covid-19. No Estado, estima-se que tenham ocorrido de 15 a 20 demissões no mesmo intervalo. O número não é preciso devido à dificuldade de acompanhar as rescisões contratuais depois que as homologações deixaram ser feitas obrigatoriamente na entidade sindical – um reflexo da reforma trabalhista de 2017.
No Itaú as demissões também assombram os empregados. Só na área de Veículos 130 foram demitidos. Só nos últimos 15 dias, quatro bancários capixabas foram desligados do banco.
“O Itaú é um verdadeiro lobo na pele de cordeiro. Espalha anúncios publicitários sobre doações realizadas para as ações de combate à pandemia, mas na prática não passa de meras e falsas propagandas. O Itaú age de forma desrespeitosa com a população, mantendo a cobrança de altas taxas de juros. Com os bancários e bancárias, o banco também é cruel e desrespeitoso. Apesar do lucro bilionário quem vem obtendo a cada trimestre do ano, mantém uma política de demissão perversa e uma gestão adoecedora, com cobrança de metas e assédio moral. O número de bancários adoecidos no Itaú é um dos mais altos dos últimos períodos. Por isso, os clientes devem repensar se vale a pena ter conta em um banco que mantém uma gestão desrespeitosa com o país, com os trabalhadores e com a sociedade”, alerta o diretor do Sindibancários/ES, Carlos Pereira de Araújo (Carlão).
Os desligamentos vão de encontro ao acordo feito com o movimento sindical de não demissão durante a pandemia, a fim de preservar empregos e contribuir com a estabilidade no país. O Compromisso foi assumido em negociações específicas sobre as condições de trabalho na crise sanitária e reforçadas nas tratativas da Campanha Nacional 2020. O Santander foi o primeiro banco a descumprir o acordo, sendo seguido pelas demais instituições privadas.
Além das demissões, os bancários de bancos privados enfrentam projetos de reestruturação que incluem o fechando agências, migração de unidades para o modelo digital e de negócios e ampliação da cobrança de metas, medidas com consequências degradantes para as condições de trabalho e que mantêm os empregados permanentemente com “a corda no pescoço”.
Emprego em baixa, lucro nas alturas
Como uma reprise, em 2019 os lucros nos bancos bateram novos recordes. O lucro dos cinco maiores bancos do país (Itaú, Santander e Bradesco, Banco do Brasil e Caixa Econômica) somou R$ 108 bilhões no ano passado, uma alta de 30,3% em 12 meses. O Itaú registrou, em 2019, um lucro de R$ 28,3 bilhões, o Bradesco, R$ 25,8 bilhões e o Santander, R$ 14,5 bilhões. São esses três bancos que agora também batem recordes de demissões.
O resultado, ao que parece, não será diferente em 2020. O Lucro Líquido Gerencial do Santander nos 9 primeiros meses do ano foi de R$ 9,8 bilhões – um número que poderia ser ainda maior não fosse a alta no provisionamento de devedores duvidosos, manobra utilizada pelos bancos para manipular, dentro de uma determinada margem, seus próprios resultados.
“É inadmissível que o Santander e demais bancos privados mantenham seus patamares de lucratividade e não respeitem sequer o emprego de seus funcionários. São eles, afinal, que trabalham para alcançar esses resultados, muitas vezes sob pressão adoecedora, sem receber o devido reconhecimento. Ao contrário, o desemprego chega como desolação, para quem muitas vezes dedicou uma vida ao banco”, critica o diretor do Sindicato Jonathas Correa, bancário do Santander.

Para o dirigente Fabrício Coelho, empregado do Bradesco, a categoria precisa se preparar para um novo momento de luta. “O cenário é difícil, de retirada de direitos, de perseguição aos trabalhadores em vários níveis. Precisamos resgatar os processos de mobilização e greve que fizemos ao longo de nossa história, recuperando a nossa força e unidade para enfrentar a posição patronal”, salientou Fabrício.
Com informações da Contraf









