Um protesto contra o Programa Inova Varejo foi realizado na manhã desta sexta-feira, 13, em frente à agência e ao prédio do Banco do Brasil da Praça Pio XII, no Centro de Vitória. Implantando em junho deste ano nas agências do Espírito Santo, o Inova tem gerado transtorno e perda de direitos para funcionários e funcionárias da instituição. Na última terça-feira, 10, os bancários ficaram sabendo que os números da produção do trimestre anterior foram zerados.

Na manifestação de hoje, os bancários usaram roupas na cor preta para protestar contra a reestruturação, que criou um clima de incerteza e insegurança no BB. “Muitos [caixas] foram forçados a procurar outra função. Eu sou substituto e fico cobrindo as falhas [resultantes do programa]. Eu não tenho otimismo. Nesse processo, o adoecimento está surgindo”, afirmou o bancário Deraldo Pereira Santos, diretor de base do Sindicato, referindo-se à eliminação da função de caixa em algumas agências como a da Reta da Penha (Vitória), da Glória e de Itapoã (ambas em Vila Velha), que ficaram sem caixas presenciais. Na sua avaliação, “essas manifestações são necessárias, pois as mudanças são para maximizar os lucros, usando de assédio, incerteza e pânico”. Ele conclui: “onde isso vai parar, depende da nossa resistência”.

A dirigente do Sindicato Goretti Barone destacou que o Inova quer “excluir os clientes e elitizar o Banco do Brasil”. Para Bethania Emerick, também diretora da entidade, a luta contra o Inova faz parte da defesa do banco público.  “Estamos contra essa confusão que o Inova tem trazido [para bancários e clientes]. Todo sofrimento foi agudizado por esse programa que jogado sobre os funcionários”, disse.

O diretor do Sindicato e membro do Comando Nacional dos Bancários, Carlos Pereira Araújo (Carlão) disse que o Inova não atende aos interesses dos funcionários e do povo brasileiro. Ele lembrou que a intenção do banco é estender o programa para todo o Brasil, daí que “é preciso levar essa discussão para a Comissão de Empresa e fazer ecoar o grito contra o Inova em todo o país”. Carlão continuou: “não há transparência e informações objetiva dos dados. Essa lógica de mercado não interessa ao Banco do Brasil”.

O diretor do Sindicato dos Bancários do Distrito Federal e membro da Comissão de Empresa Rodrigo Britto participou do ato em Vitória. Na sua avaliação, “essa proposta, se for colocada para o resto do país, vai ser prejudicial para o banco, pois não dá condições para a maioria dos funcionários cumprir o acordo de trabalho com o banco, gera adoecimento e enfraquece as carteiras do BB. Então o projeto, na fase atual, não serve para o Banco do Brasil; precisa ser revisto, e o ponto fundamental são as condições adequadas para que o funcionário consiga desempenhar com qualidade o seu trabalho”.

Fotos: Sérgio Cardoso