Os seis maiores bancos do Brasil lucraram, juntos, mais de R$ 28,4 bilhões somente no primeiro semestre deste ano. Os dados foram divulgados pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) na última semana. O crescimento dos bancos é de 14,3% em relação ao mesmo período de 2013. Apesar desse resultado, o número de bancários segue em queda e entre junho de 2013 e junho deste ano, foram fechados 4.952 postos de trabalho.
Os bancos com maior lucro líquido foram o Itaú Unibanco, com crescimento de 33,2% (R$ 9,5 bilhões), e o Bradesco, que obteve lucro de R$ 7,3 bilhões. Contraditoriamente, esses dois bancos estão entre as instituições financeiras que mais demitiram trabalhadores, além de Santander, HSBC e Banco do Brasil. O total foi de 9.095 bancários demitidos.
“Apesar das dezenas de bilhões de lucro dos bancos, os bancários brasileiros recebem o menor salário de toda a América do Sul. Isso porque têm um piso salarial muito baixo e trabalham em condições precárias para atender a população, o que gera uma desvalorização ainda maior da categoria. Para piorar, essa desvalorização vem acompanhada de um quadro grave de adoecimento físico e mental. Mais uma vez, a rentabilidade dos bancos prova que é possível atender as reivindicações dos bancários na Campanha Salarial 2014 e garantir condições de trabalho mais dignas” diz Carlos Pereira de Araújo (Carlão) coordenador geral do Sindicato dos Bancários/ES.
Os bancos públicos tiveram aumento de 4,3% em relação ao primeiro semestre de 2013, com lucro líquido de 8,8 bilhões. Somente o Banco do Brasil lucrou R$ 5,4 bilhões, mas esse resultado não inclui o efeito provocado pela venda de ações da BB Seguridade no primeiro semestre deste ano, que levou o banco a alcançar a casa dos R$ 10 bilhões de lucro.
Já a Caixa registrou lucro líquido de R$ 3,4 bilhões, com alta de 7,9% na comparação semestral. De forma oposta aos bancos públicos e privados nacionais, os bancos privados estrangeiros tiveram queda nos resultados. O Santander apresentou lucro líquido de R$ 2,86 bilhões, redução de -2,2%. Já o HSBC obteve resultado negativo de R$ 16,3 bilhões, apesar da reversão de mais de 30% nas provisões para devedores duvidosos e do uso de créditos tributários.
Prestação de serviços e tarifas
Nos últimos anos, a estratégia dos bancos privados foi a de aumentar os ganhos operacionais mediante crescimento das receitas com a prestação de serviços e tarifas bancárias aliada à redução de despesas, principalmente pessoal. Em média, as receitas com a prestação de serviços e tarifas bancárias aumentaram 9,7%, entre junho de 2013 e junho de 2014. A maior variação foi observada no Itaú Unibanco (alta de 16,3%) e a menor, no Santander (2,0%). O HSBC foi o único banco a apresentar queda nesse item (-2,0%).
É importante destacar que somente a arrecadação com prestação de serviços e tarifas bancárias cobre entre 79% e 167% das despesas de pessoal nas maiores instituições financeiras do país. Além disso, as despesas de pessoal compreendem não apenas gastos com a folha de pagamento, mas também as despesas com treinamento e processos trabalhistas.
Diante do quadro econômico nacional e internacional e do aumento das exigências de capital regulatório e dos impactos nos indicadores de desempenho, a estratégia adotada pelos bancos privados tem sido a busca pela melhora do Índice de Eficiência mediante, basicamente, redução das despesas com pessoal próprio e aumento das receitas com tarifas.
Desempenho dos bancos
Lucro líquido dos seis maiores bancos
28,5 bilhões
Aumento de 14,3% em relação ao mesmo período de 2013.
Lucro líquido bancos públicos
8,8 bilhões
Aumento de 4,3% em relação ao mesmo período de 2013.
Lucro líquido bancos privados nacionais
16,8 bilhões
Aumento de 28,5% em relação ao mesmo período de 2013.
Lucro líquido bancos privados estrangeiros
2,8 bilhões
Redução de -15,8% em relação ao mesmo período de 2013.
Com informações do Dieese.









