Banestes burla Acordo Coletivo e promove 9 gerentes sem seleção

03/12/2019 14:24

No final de setembro, o banco designou os empregados para a função de gerente de superintendência de rede

O Banestes desrespeitou o Acordo Coletivo 2018/2020 celebrado entre o banco e o Sindicato dos Bancários/ES ao designar nove empregados para a função de gerente de superintendência de rede. O Banestes não realizou o processo seletivo interno, como prevê a Cláusula 19ª do Acordo que trata sobre “Seleção Interna”. O Parágrafo 2º determina que somente as funções de confiança de superintendente, gerente geral de agência, consultor, economista chefe, gerente geral, coordenador, secretário executivo e assessor dispensam o processo seletivo.

As exceções, porém, não incluem a função de gerente de superintendência, cuja gratificação é de R$ 4.290, 93. Mais recentemente, em outubro, o Banestes voltaria a atropelar o Acordo Coletivo ao designar outros quatro empregados, também sem processo seletivo, para a função de gerente de investimentos, cuja gratificação é de R$ 3.405,48.

O coordenador geral do Sindibancários/ES, Jonas Freire, disse que o Sindicato irá tomar as providências necessárias para fazer valer o Acordo Coletivo da categoria. “O Acordo é para ser honrado. É inadmissível que o Banestes se comprometa a fazer o processo seletivo para designação de função e depois simplesmente mude as regras com o jogo em andamento, ou seja, dispense a seleção por conta própria. Isso nós não podemos aceitar”, protestou.

Processo seletivo direcionado
Jonas Freire disse a que designação de função para gerente de relacionamento de agência, embora tenha sido via processo seletivo, também gerou uma série de questionamento. Segundo ele, o Sindicato recebeu muitas reclamações de empregados relativas a esse processo, que aconteceu em março deste ano. Ele ainda destaca que, anteriormente a este processo, houve outro (Edital 001/2019) para a função de gerente de negócios financeiros. “Esse primeiro processo de 2019 já havia chamado a atenção dos empregados e do Sindicato sobre a subjetividade dos critérios de seleção e a falta de isonomia”, disse Jonas.

Segundo o coordenador geral do Sindicato, nesses dois processos, empregados que não tinham recebido conceitos “diamante” ou “ouro” foram automaticamente eliminados. A segunda etapa da seleção, que avaliou o perfil profissiográfico foi considerada bastante subjetiva. “A maior parte das queixas dos empregados estava relacionada ao fato de a seleção ter como base a avaliação pessoal de desempenho, cujos critérios são subjetivos”.

O critério de pontuação foi outro aspecto questionado nos processos seletivos para gerente de relacionamento e negócios financeiros. A pontuação da avaliação pessoal é usada como fator multiplicador na pontuação final do processo seletivo, sendo determinante no resultado da seleção.

De acordo com Jonas, o empregado que havia assumido interinamente a função de gerente de relacionamento ou gerente geral de agência recebia 1,5 ponto a cada 30 dias na função. “O empregado que ficou um ano ou dois em função de interinidade levou larga vantagem sobre os demais. O processo seletivo, da maneira que vêm ocorrendo, fere os princípios da isonomia, legalidade e impessoalidade, ao estabelecer tratamento diferenciado aos empregados que participaram do processo”, apontou.

O processo seletivo, destaca Jonas, responde a uma reivindicação dos empregados já contemplada no Acordo Coletivo, que é a abertura de concorrência para a designação de titulares para as funções de confiança e gratificadas. Embora os critérios de seleção sejam uma prerrogativa do banco, admite Jonas, é fundamental que eles sejam isonômicos e objetivos, para que não haja nenhum tipo de favorecimento.

Ele afirmou que os processos seletivos para gerente de relacionamento e de negócios financeiros mostraram que é preciso rever os critérios adotados. “Mais grave ainda são as designações para gerente de superintendência e de investimentos. Nesses dois casos não houve sequer seleção interna. O banco está desrespeitando o Acordo Coletivo. Aliás, o descumprimento de acordos tem sido uma prática deste governo. O governador Renato Casagrande, durante a campanha eleitoral, assinou um termo se comprometendo com os banestianos e com a população capixaba que manteria o Banestes público e estadual, mas se omite diante da decisão da instituição de terceirizar áreas de tecnologia banco. Parece que os acordos perderam a validade para este governo”, criticou Jonas.