
Sindicato protesta contra gestão de Amarildo que desrespeita banestianos (Foto: Sergio Cardoso/Sindibancários/ES)
A 11ª rodada de negociações entre a comissão do Sindibancários/ES e o Banestes, dobrada nesta sexta-feira (06), manhã e tarde, foi mais uma vez frustrante. Novamente, a direção do banco apresentou uma proposta muito aquém das reivindicações dos banestianos. Na avaliação da comissão do Sindicato, a proposta traz avanços bem pontuais e tímidos, mas, globalmente, não avança nos eixos considerados prioritários pela categoria.
O Banestes se comprometeu a enviar ao Sindicato a proposta por escrito na próxima segunda-feira (09). “Vamos aguardar a proposta formal do banco. Ainda na segunda, devemos divulgar a data de uma plenária seguida de assembleia para a categoria avaliar a proposta e definir os próximos passos da campanha para renovação do Acordo Coletivo de Trabalho”, explicou o dirigente do Sindibancários Jonas Freire.
O dirigente do Sindicato e membro do Comando Nacional dos Bancários, Carlos Pereira de Araújo (Carlão), criticou a direção do Banestes e especialmente o diretor-presidente do banco, Amarildo Casagrande, que é quem na verdade da linha da mesa de negociações. “Até esta sexta são 11 rodadas de negociações. Quer dizer, a negociação de fato podemos dizer que só aconteceu nessas duas últimas reuniões. Passamos nove rodadas sem o Banestes nos apresentar absolutamente nenhuma proposta efetiva. Quando fizemos a crítica de que o Amarildo estava cozinhando o galo, fomos estritamente fiéis ao descaso do Banestes em encarar a mesa com respeito e seriedade que o banestianos merece. Não bastasse, depois de toda essa enrolação, o banco volta à mesa com uma proposta rebaixada. Não nos resta outro sentimento a não ser a indignação e o nosso repúdio à maneira como a direção do Banestes tem se comportado nessas negociações. Repito, não é só um desrespeito ao Sindicato, mas principalmente à categoria. O Sindicato é o representante dos trabalhadores na mesa”, assinalou Carlão.
Para Jonas Freire, a proposta deixa muito a desejar. Ele diz que a direção do banco se mantém intransigente e se recusa em avançar, por exemplo, nas cláusulas econômicas. “É importante registrar que 82% dos bancários e das bancárias capixabas, entre eles muitos banestianos, disseram não à proposta da Fenaban. Isso é um recado para Banestes. Os banestianos estão insatisfeitos com a proposta da Fenaban e o Banestes segue irredutível em manter os mesmos índices da Fenaban”, criticou Jonas.
A minuta aprovada pleiteia 10% de ganho real para repor perdas históricas que os banestianos vêm sofrendo há décadas. “Já repetimos diversas vezes que o Banestes reúne condições bastante favoráveis, do ponto de vista da saúde financeira do banco, com recordes de lucro seguidos, para atender às nossas reivindicações com tranquilidade. Já mostramos também que o Banpará deu aumento real de 4% este ano e mais 3% em 2025, além de avançar nas cláusulas sociais. Fica evidente que o banco não apresenta uma proposta melhor por falta de vontade política do governador Casagrande e do diretor-presidente do Banestes, Amarildo Casagrande. Não está escrito em lugar nenhum que o Banestes não pode dar aumento maior que o da Fenaban. Chegamos à conclusão que eles não querem valorizar a força de trabalho dos banestianos, responsáveis diretos pelos resultados extraordinários do banco nos últimos anos”, afirmou Jonas.
Nova proposta
Na rodada dessa quinta-feira (05), o Banestes apresentou uma proposta com avanços pontuais em algumas cláusulas, mas ainda muito recuada. Como a proposta foi rejeitada na mesa pelo comissão do Sindicato, o Banestes retomou as negociações nesta sexta e apresentou uma nova proposta, também rebaixada, na avaliação da representação dos trabalhadores.
Remuneração Estratégica Variável (REV)
Na proposta de ontem, o Banestes retirou as travas salariais do atual modelo de REV, que iam de 1,5 vez a renda mensal até 3 rendas. Hoje ampliou o teto para 4 rendas. O Banestes, no entanto, manteve a distribuição da REV de 25% de forma linear e 75% proporcional.
Os trabalhadores reivindicam 100% de distribuição linear e a retirada de todas as travas.
Retorno licença
O Banestes prometeu estabilidade de três meses para os empregados que retornam da licença-médica. Nesse período (90 dias), a função gratificada estaria assegurada.
Proposta salarial
O banco mantém o índice da Fenaban: INPC mais 0,7% de aumento real, totalizando 4,64% de reajuste sobre os salários.
VA/VR
Na proposta de hoje (06), o banco prometeu um reajuste maior sobre os vales alimentação/refeição (VA/VR) em relação à Fenaban. O índice de 4,64% seria arredondado para 5%, ou seja, o Banestes daria mais 0,36% além da Fenaban sobre o VA/VR. Para 2025, a Fenaban definiu o reajuste real em 0,6%, o Banestes arredondou para 1%, ou seja, mais 0,4% sobre o VA/VR a partir do próximo ano.
Banescaixa
Não houve alteração em relação à proposta apresentada na quinta-feira. O banco afirma que está estudando uma modalidade de plano para atender os aposentados. Este novo plano seria aparentemente mais simples e com uma mensalidade mais acessível. Ainda não há uma proposta mais concreta sobre valores e detalhes desse novo plano para aposentados.
ATS
O Banestes propôs reajustar o valor do adicional por tempo de serviço (ATS) em 10,02%, que passaria de R$ 41,63 para R$ 45,80. Para efeito de comparação, o Banpará reajustou o ATS em 34%, que passa para R$ 200,00, ou seja, mais de quatro vezes o valor pago pelo Banestes, mesmo com o reajuste.
Outros pontos apresentados na proposta da quinta-feira foram mantidos:
13ª cesta alimentação e vale refeição
A proposta do banco incluiu o vale refeição (R$ 52,04) à razão de 22 dias, o que totaliza R$ 1.144,88, que se somam à cesta alimentação (R$ 933,35), que já era contemplada no acordo vigente. O benefício será pago até 31/10/2024.
Auxílio filhos com deficiência
Houve avanço nessa cláusula. De acordo com a proposta, os reembolsos deverão seguir as mesmas condições do auxílio creche/babá, já prevista no atual ACT. O benefício atende a empregados e empregadas que tenham filhos com deficiência que exijam cuidados permanentes, sem limite de idade, desde que tal condição seja comprovada por atestado médico. O auxílio “filhos com deficiência” poderá ser cumulativo com o auxílio creche/babá, até o limite de 71 meses.
Outras cobranças
Na rodada desta sexta, a comissão do Sindicato cobrou da direção do banco um posicionamento sobre o home office, considerando que o prédio da Direção Geral continua com os mesmo problemas infraestrutura que comprometem as condições de trabalho dos empregados que estão retornando ao presencial. O Sindicato reiterou a manutenção do home office até que o modelo seja regulamentado e as condições de trabalho solucionadas. Pediu também respostas sobre plano de cargos e salários e cobrou a retomado do processo de seleção interna. A direção do Banestes tergiversou e não apresentou nenhuma respostas às demandas, confirmando, mais uma vez, o desrespeito do banco às reivindicações legitimamente aprovadas em assembleia pelos banestainos e pelas banestianas.









