Quem acompanhou o diretor-presidente do Banestes, Amarildo Casagrande, apresentando os resultados da instituição em 2019 na manhã desta terça-feira, 18, deve ter tido a sensação que o gestor se referia a um banco privado, tal era sua preocupação de exaltar o lucro recorde de R$ 214 milhões – 18,1% superior ao resultado de 2018. “Trabalhamos duro durante todo o ano de 2019 com foco em atingirmos um novo resultado recorde para o Banestes”, resumiu.
Para o coordenador geral do Sindibancários/ES, Jonas Freire, o Banestes, na mesma linha dos dois grandes públicos federais – Caixa Econômica e Banco do Brasil -, também vem se afastando do seu propósito social é colocando o lucro acima de tudo. “Obviamente não estamos aqui para defender que o banco fique no vermelho. Não queremos que o governo tire recursos do Estado para cobrir prejuízos do banco. Mas a lucratividade não pode se transformar numa obsessão. Se a gestão do banco privado passa a ser o modelo a ser perseguido, o banco público perde seu propósito de ser”, afirmou Jonas Freire.
Ele acrescentou que o Banestes, sempre na mesma linha dos bancos públicos federais, vem fechando agências, promovendo cortes de pessoal com planos de demissões voluntárias e fatiando a instituição. “No caso do Banestes, o governo do Estado consolidou recentemente o processo de terceirização das áreas de tecnologia do banco, contrariando o compromisso firmado pelo governador Casagrande, ainda durante a campanha eleitoral, de que não terceirizaria o banco”, assinalou o sindicalista.
Resultado 2019
O resultado operacional em 2019 do Banestes atingiu R$ 302 milhões. Já o resultado operacional recorrente somou R$ 344 milhões, um crescimento de 2,9% em comparação ao mesmo período de 2018. No quarto trimestre de 2019, o Lucro Líquido por ação foi de R$ 0,15, acumulando o valor de R$ 0,68 nos últimos 12 meses, o que representa uma distribuição de 6,3% do valor médio das ações. No acumulado dos últimos doze meses, foi destinado aos acionistas o valor de R$ 108 milhões a título de Juros Sobre Capitais Próprio (JSCP) e Dividendos, representando a distribuição de 50,6% do lucro líquido. Nesse período, o Retorno sobre o Patrimônio Líquido Médio (ROE) foi de 13,8%, elevando o patamar de distribuição dos resultados aos acionistas.
Nos últimos cinco anos, o Banestes vem registrando lucros recordes: em 2015, apurou lucro de R$ 150 milhões; 2016, de R$ 161 milhões; 2017, R$ 175 milhões; 2018, R$ 181 milhões e 2019, R$ 214 milhões.









