O Banestes registrou no primeiro semestre de 2021 lucro líquido recorrente de R$ 109 milhões. O resultado é 25% superior no comparativo com o mesmo período do ano passado. O lucro líquido total do banco, porém, registrou queda 8,4% no comparativo entre os dois semestres: R$ 124,7 milhões (2020) contra R$ 114,1 milhões (2021).
A partir de 2021, o Banestes mudou o critério de apresentação do lucro do banco. Até dezembro de 2020, o banco capixaba apresentava o lucro líquido total. Este ano, porém, passou a apresentar o lucro líquido recorrente, que exclui efeitos extraordinários no lucro. No texto direcionado à imprensa, o Banestes esclareceu que a queda do lucro no comparativo de 2021 com 2020 se deu “em função de lucro líquido adicional de R$ 38 milhões, gerado por fato não recorrente referente à alienação de títulos públicos ocorrida em janeiro de 2020”.
Em 2020, o lucro líquido total do banco bateu recorde histórico, chegando a R$ 232 milhões – alta de 8,4% em relação a 2019. Na ocasião, a direção do banco não reportava lucro recorrente, e comemorou o resultado. O diretor-presidente, José Amarildo Casagrande, atribuiu o resultado à eficiência na gestão operacional. “O banco atuou no aumento da concessão de crédito, calibrou despesas, diminuiu a inadimplência. Esses são fatores que colaboraram com o resultado positivo”. Na verdade o lucro líquido, como explicado agora, fora puxado pela venda de títulos – operação considerada extraordinária que não entra no lucro líquido recorrente ou ajustado.
Para o diretor do Sindicato dos Bancários/ES Jonas Freire, em qualquer dos cenários contábeis os resultados do Banestes são muito bons. “Foi acertada a decisão de esclarecer os resultados aos clientes do Banestes e à população capixaba de maneira geral, porque se trata de um banco público. Nos resultados do primeiro trimestre deste ano, o banco simplesmente mudou a regra e não explicou o motivo. Acho que eles não quiseram continuar usando o lucro líquido total porque os resultados de 2021 indicariam queda nos lucros em relação a 2020”, afirma o dirigente. Na ocasião da divulgação dos dados, o Sindicato questionou o banco por que os critérios foram alterados.
Saúde dos funcionários
Na divulgação dos resultados, o Banestes sustenta que “a gestão de recursos humanos permaneceu focada na saúde dos colaboradores, ampliando o olhar e a atenção para o bem-estar e a saúde emocional das equipes, frente ao enfrentamento da pandemia”.
Jonas Freire contesta que o Banestes esteja zelando pela saúde dos seus funcionários. “Muitos funcionários contraíram covid e alguns, infelizmente, morreram. Agora, no final de junho, perdemos mais um colega para a covid”. O dirigente se refere ao gerente de expediente Paulo Henrique Gonçalves Junior, 51 anos, que atuava na agência de Itacibá, em Cariacica.
Ele acrescenta que se houvesse de fato preocupação do Banestes com a saúde dos funcionários, a Banescaixa não estaria no centro dos debates do Congresso dos Bancários e das Bancárias do Banestes, ocorrido no final de julho. O plano de saúde dos banestianos deve voltar à mesa de negociação como uma das prioridades da Campanha 2021. O dirigente diz que desde 2019 há um Grupo de Trabalho (GT) com a função de negociar uma proposta de custeio mais sustentável para a Banescaixa, mas as tratativas estão emperradas.
Durante o congresso, os banestianos reconheceram que a Banescaixa ainda tem o melhor custo-benefício em relação aos planos de saúde de mercado, mas muitos não estão conseguindo arcar com o valor das mensalidades. “Sobretudo os aposentados, que estão sendo descartados como uma bananeira que já deu cacho”, compara. Quem deixa a Banescaixa, afirma Jonas, acaba indo para o SUS, porque os planos de mercado são ainda mais caros.
“Por esses exemplos, ao contrário do que a direção do banco diz, não há zelo algum com a saúde do bancário e da bancária do Banestes”, critica o dirigente.
Outros resultados do Banestes
O Patrimônio Líquido do Banestes atingiu R$ 1,8 bilhão, crescendo 4,1% em relação a dezembro de 2020 e 12,7% em relação ao mesmo período de 2020. A relação Patrimônio Líquido e Ativo Total foi de 5,5%. Foi destinado aos acionistas o valor de R$ 36 milhões a título de juros sobre capital próprio, representando a distribuição de 31,5% do lucro líquido do semestre.
O lucro líquido do segundo trimestre de 2021 (abril a junho) foi de R$ 53 milhões, maior 26,4% quando comparado com o mesmo período do ano de 2020, decorrente de maiores receitas com tesouraria (+34,6%), menores despesas com provisões para crédito de liquidação duvidosa (-38,1%) e receita não recorrente de reversão fiscal (R$ 9 milhões).
No primeiro semestre de 2021, sob a forma de juros sobre capital próprio, foi destinado ao acionista controlador, o Estado do Espírito Santo, a quantia de R$ 33 milhões, valor aplicado conforme as prioridades de investimentos definidas no orçamento estadual.

