BB assedia empregados do grupo de risco a retornarem ao trabalho presencial

30/10/2020 14:36

O Banco do Brasil, por meio de um informe interno, comunicou que tem “recebido diversos pedidos de funcionários do grupo de risco” que estariam solicitando o retorno ao trabalho presencial

Por meio de um informe interno, o Banco do Brasil comunicou que tem “recebido diversos pedidos de funcionário(a)s que se encontram trabalhando de forma remota, e que se autodeclaram pertencentes ao Grupo de Risco, para retornar ao trabalho presencial”. O banco tenta justificar o “pedido insólito” dos funcionários. “As razões apresentadas são as mais variadas, mas sobressaem aquelas relacionadas à adaptabilidade”, completa vagamente o informe.

A diretora do Sindicato dos Bancários/ES Goretti Barone põe os pingos nos is e explica que o BB na verdade está assediando os empregados do grupo de risco. “O assédio está visível nas entrelinhas no informe”. Primeiramente, explica a dirigente, o banco usa termos vagos e subjetivos para justificar que a demanda que teria partido dos próprios empregados, como “recebido diversos pedidos” ou “as razões apresentadas são as mais variadas”.

Em seguida, continua Goretti, o banco transfere a responsabilidade do retorno ao trabalho presencial exclusivamente aos empregados. “Voluntariamente, desejo, solicitar”, afirma a dirigente, são palavras que isentam o banco de qualquer responsabilidade. “Ou seja, se amanhã esse funcionário do grupo de risco for contaminado pela covid, apresentar complicações em decorrência das suas comorbidades e precisar ser internado numa UTI ou mesmo vir a óbito, o banco alegará que a decisão de retornar ao trabalho presencial partiu do empregado”.

Goretti afirma que o Sindicato tem recebido relatos de bancários e bancárias do BB que se queixam do assédio dos gestores do banco, que faz uma chantagem velada para que todos voltem. Segundo ela, ao soltar um informe nesses termos o banco também causa um clima de animosidade entre os empregados que estão trabalhando presencialmente e os que estão em home office porque se enquadram no grupo de risco.

“É sempre importante esclarecer que quem está em home office também está trabalhando normalmente. O isolamento social, como recomenda a Organização Mundial de Saúde desde o início da pandemia, ainda é a medida mais efetiva para evitar o contágio. Ainda não há vacina tampouco cura para a doença e os protocolos da OMS reafirmam que as pessoas do chamado grupo de risco devem ser preservadas do eventual contato com o vírus”.

A diretora sindical orienta que os empregados do grupo de risco que estejam sofrendo assédio para retornarem ao trabalho presencial procurem o Sindicato e denunciem. “É preciso denunciar a pratica de assédio por parte das instâncias superiores do BB. Além de falta de respeito com seus empregados, o banco está demostrando que não tem sensibilidade para entender que a humanidade está enfrentando a mais grave crise sanitária dos últimos 100 anos, que já matou mais de um milhão de pessoas no mundo, quase 160 mil no Brasil e mais de 3.800 só no Espírito Santo. É disso que estamos falando, de vidas. Vidas que podem ser preservadas se o BB respeitar o direito de seus empregados de seguirem trabalhando em casa enquanto durar a pandemia ou houver uma vacina suficientemente seguro para preservar a saúde dessas pessoas”.