O Banco do Brasil registrou lucro líquido ajustado de R$ 8,7 bilhões no segundo trimestre de 2023, aumento de 2,8% ante o primeiro trimestre e de 11,7% em 12 meses. No semestre, o BB acumula lucro de R$ 17,3 bilhões, resultado que confere à instituição a liderança isolada no ranking dos grandes bancos brasileiros, deixando para trás Itaú, Bradesco e Santander. “A saúde financeira do BB vai muito bem, obrigado. Entretanto, o mesmo não podemos dizer da saúde dos funcionários e das funcionárias do banco”, afirma a diretora do Sindicato dos Bancários/ES Bethânia Emerick.

Quadro comparativo BB X concorrentes

A dirigente diz que os resultados recordes não são obra do acaso. “Ele é construído a partir de metas cada vez mais intangíveis e abusivas, que levam o funcionário à exaustão e, consequentemente, ao adoecimento físico e mental. Não foi por coincidência que a categoria bancária elegeu como umas das prioridades na Conferência Nacional deste ano as discussões sobre saúde e condições de trabalho. Bethânia lembra que os eixos são temas de uma grande campanha que percorre as bases sindicais de todo o país. “O mote da campanha Menos Metas, Mais Saúde é justamente a crítica do lucro a qualquer custo, em detrimento da saúde dos trabalhadores e trabalhadoras”, aponta. 

Lógica perversa
Nos últimos anos, afirma Bethânia, o lucro do BB tem girado no mesmo patamar dos seus principais concorrentes, os chamados “bancões”. A dirigente adverte que a obsessão pelo lucro deixa sequelas nos trabalhadores que estão na estrutura da instituição. “São os que literalmente carregam o banco nas costas. Esses trabalhadores costumam sentir mais o peso do chicote das metas. A lógica do capital é perversa. O BB chegou num patamar de lucro altíssimo e vai querer agora ampliá-lo. Cabe a nós, movimento sindical e trabalhadores, mantermos a mobilização para lutarmos por condições de trabalho mais dignas. O lucro não pode estar na frente da saúde do trabalhador. Mas isso não é dado. Teremos que lutar para inverter essa lógica”, enfatiza. 

Outros números do BB
A margem financeira bruta do Banco do Brasil atingiu R$ 22,9 bilhões no segundo trimestre de 2023 (2T23), apresentando crescimento de 34,2% na comparação com o mesmo período do ano passado (2T22). A Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa (PCLD) ampliada do BB atingiu R$ 7,1 bilhões no 2T23, apresentando crescimento de 144,3% na comparação com o 2T22. 

A margem financeira líquida do Banco do Brasil totalizou R$ 15,7 bilhões no, apresentando crescimento de 11,3% na comparação com o 2T22. No 2T23, as despesas administrativas cresceram 8,8% em relação ao 2T22. 

Carteira de Crédito
O BB registrou, em junho, saldo de R$ 1,04 trilhão na Carteira de Crédito Ampliada, que inclui, além da carteira classificada, TVM privados e garantias, representando crescimento trimestral de 1,2%. Na comparação em 12 meses o crescimento foi de 13,6%, com desempenhos positivos em todos os segmentos negociais.

Inadimplência
O Banco do Brasil encerrou o segundo trimestre com inadimplência de 2,73%, ante 2,62% em março e 2% em junho do ano anterior. De acordo com o banco, esse comportamento foi influenciado por um cliente large corporate – muito provavelmente, a Americanas. Sem isso, a inadimplência teria ficado em 2,65%.

PDD
As despesas líquidas do BB com provisões para devedores duvidosos (PDD) chegaram a R$ 7,176 bilhões no segundo trimestre, com alta de 22,6% ante o trimestre imediatamente anterior e 144,3% na comparação com igual período do ano passado.

O BB projeta PDD entre R$ 23 bilhões e R$ 27 bilhões. Já a projeção para a expansão da receita de tarifas passou para 4% a 8% (de 7% a 11% antes).