A direção do Banestes deu um passo decisivo para iniciar as operações das loterias do banco. Na semana passada, o Banestes publicou fato relevante para informar que o consórcio World Loterry foi a empresa selecionada, a partir de uma lista tríplice, para explorar as operações lotéricas no Espírito Santo. Daqui para o final do ano, o Banestes e a World Loterry irão discutir os termos e condições do contrato definitivo da potencial parceria. A previsão é de que a loteria passe a funcionar no início de 2026. 

A dirigente do Sindicato dos Bancários/ES Vanessa Espíndula criticou a decisão da direção do banco em explorar jogos de azar no Espírito Santo. “A bet do Banestes vai na contramão do papel social do banco. O Banestes foi criado com o compromisso de fomentar o crescimento da economia capixaba, contribuindo para o desenvolvimento socioeconômico regional por meio de políticas financeiras. O banco que se constituiu como um aliado de primeira hora do povo capixaba, não pode ser promotor do endividamento das famílias. A experiência das bets no Brasil não trouxe nada de positivo para o cidadão. Muito ao contrário, estamos vendo pessoas perdendo todo o patrimônio de uma vida em função do vício em jogos, sendo que muitas estão adoecendo mentalmente. Há casos de pessoas que têm atentado contra a própria vida”, assinala.

Vanessa lembra que a Caixa Econômica recentemente também anunciou que entraria na ciranda das bets. “Vimos a reação do presidente Lula, que demonstrou irritação com a ideia da Caixa de lançar sua própria plataforma de apostas. Essa irritação se justifica porque o presidente entende que as bets são inconciliáveis com o vocação social da Caixa. Lamentavelmente aqui, o governo Estado não vê as bets como uma ameaça. Por isso o presidente do Banestes, Amarildo Casagrande, está tendo carta branca para avançar com a proposta”, critica. 

Saúde mental
A dirigente afirma que além do endividamento das famílias, as bets também têm causado o adoecimento mental das pessoas que se tornam apostadores compulsivos. Especialistas apontam que o vício em jogos de azar é reconhecido como um transtorno mental, também chamado de ludopatia ou jogo patológico, e pode levar a graves consequências na saúde mental. 

Em comunidades vulneráveis, onde há menos acesso à informação e à educação financeira, o impacto é ainda mais severo: famílias comprometem a renda básica em busca do lucro fácil prometido nas propagandas enganosas. Vanessa acrescenta que os jogos de azar, as chamadas bets, são na verdade uma grande armadilha para a população.

“Se as bets não representassem um risco em potencial para as famílias, não teriam sido alvo de uma CPI no Senado. Durante a CPI, podemos perceber o quanto o lobby das bets é poderoso no Congresso Nacional. Aqui no Espírito Santo não é diferente. O processo de negociação com a World Loterry está em curso e em poucos meses a Banestes Loteria estará operando no Estado. Como fizemos em maio, na ocasião do anúncio da loteria, vamos seguir denunciando a contradição de um banco público deixar de lado o seu papel de agente do desenvolvimento social para promover o empobrecimento das famílias capixabas. Ainda temos esperança de que a sociedade civil organizada e classe política despertem e se levantem contra a bet do Banestes”, afirma Vanessa.