Brasil é o 2º país com maior taxa de juros reais no mundo

20/06/2025 13:38

Atrás somente da Turquia e na frente da Rússia, país chegou a esse patamar após decisão do BC de elevar a taxa Selic para 15%; Taxa é a mais alta em quase 20 anos;

Desde a última quarta-feira (18), o Brasil ocupa o 2º lugar no ranking global dos países com maior taxa de juros reais, o levantamento é da consultoria MoneYou. Atrás somente da Turquia e na frente da Rússia, o país chegou a esse patamar após decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), de elevar a taxa Selic para 15%.

Essa é a sétima vez que o BC anuncia aumento na taxa de juros e a mais alta em quase 20 anos. A taxa real de juros é resultado da Selic menos a inflação projetada para os próximos doze meses.

O anúncio feito pelo Copom elevou o índice em 0,25 ponto percentual, passando de 14,75% para 15% ao ano. A entidade apontou o acirramento das tensões geopolíticas e as incertezas internas em relação à política fiscal, além do mercado interno aquecido, como justificativas para o aumento da taxa.

“Essa elevação da taxa de juros é uma catástrofe para o povo brasileiro, sobretudo para os trabalhadores e pequenos e micro empresários”, sublinha o coordenador-geral do Sindibancários/ES, Carlos Pereira de Araújo (Carlão). Em sua avaliação, o aumento da Selic irá impactar negativamente a vida das famílias brasileiras, dos trabalhadores e dos pequenos e médios empresários.

Em julho de 2024, os bancários levaram às ruas o fantasma dos juros altos em um protesto contra a alta dos juros.

Guerra aos pobres

O aumento da taxa básica de juros traz consequências devastadoras para a população. Uma delas é a dificuldade de concessão de crédito, paralisando a economia, impedindo a geração de empregos e o fomento de negócios. Outra é o crescente endividamento das famílias mais pobres que se veem cada dia mais presas à lógica cruel do mercado financeiro.

“O crédito no Brasil, em outras palavras, está caríssimo. Isso beneficia somente uma pequena minoria como banqueiros e aqueles que vivem de especulação. Isso significa miséria, desemprego, fome, inflação e carestia para a maioria da população. Estamos vivendo uma guerra que favorece os super-ricos. O governo precisa tomar iniciativa, é preciso acabar com a autonomia do Banco Central que apenas favorece o interesse dos super-ricos”, reflete Carlão.