A Caixa divulgou nesta terça-feira, 03, o lucro líquido do primeiro semestre deste ano: R$ 8,132 bilhões, um aumento de 22,2% em relação ao mesmo período de 2018. Boa parte desse lucro é resultado da venda das ações da Petrobras, realizada em junho. Sem o impacto dessa operação, a Caixa teria lucrado R$ 3,7 bilhões no período, alta de apenas 3%. No semestre, o lucro líquido recorrente somou R$ 7,558 bilhões, elevação de 3% ante o mesmo período do ano passado, de R$ 7,340 bilhões.
E mesmo com a alta rentabilidade, a Caixa cortou empregados e fechou postos de trabalho. O banco encerrou o semestre com 84.378 empregados e fechamento de 2.046 postos de trabalho em relação a junho de 2018.
“Mesmo passando por um processo de desmonte aprofundado pelo governo Bolsonaro, a Caixa continua altamente lucrativa. No entanto, esse resultado positivo não é revertido para o crescimento da Caixa como banco público e para garantir melhores condições de trabalho aos empregados. Pelo contrário, os bancários estão sofrendo com a super exploração, sobrecarga de trabalho e o governo não desiste de esfacelar o banco ao vender as partes mais lucrativas, como a Lotex, seguradoras e setor de cartões. Trabalhadores e sociedade precisam, mais do que nunca, se mobilizarem para defender a Caixa 100% pública, pois ela é primordial para o desenvolvimento social e econômico do Brasil”, enfatiza a diretora do Sindibancários/ES, Rita Lima.
Em maio deste ano, a Caixa lançou um novo Programa de Demissão Voluntária (PDV), com o objetivo de atingir 3.500 trabalhadores. No período, ainda foram fechadas 12 agências, 25 PA’s, 63 lotéricos e 656 correspondentes Caixa Aqui. Em contrapartida, houve aumento de 10,2 milhões de novos clientes.
Balanço
Conforme balanço divulgado pela Caixa, os números apresentados demonstram também retração na oferta de crédito para pessoa física e jurídica. Segundo a Caixa, o aumento do lucro foi gerado, principalmente, pela evolução de 6,3% da margem financeira, pela redução de 12,0% nas despesas de PDD (Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa), e pelo aumento de 1,2% nas receitas de prestação de serviços. A rentabilidade permaneceu em 15,6%, com queda de 2,3% em relação a junho de 2018. As receitas de prestação de serviços e com tarifas bancárias cresceram 1,2%, totalizando R$ 13,2 bilhões. No semestre, o lucro líquido recorrente da Caixa somou R$ 7,558 bilhões, elevação de 3% ante o mesmo período do ano passado, de R$ 7,340 bilhões.
Carteira de crédito cai até 30%
A carteira de crédito ampliada atingiu R$ 682,4 bilhões, com queda de 1,9% em doze meses e de 0,5% em relação ao trimestre anterior. A Carteira Comercial Pessoa Física (PF) teve queda de 7,9% em doze meses, totalizando R$ 80,7 bilhões. A Carteira Comercial Pessoa Jurídica (PJ), apresentou queda maior (-30,7%), somando R$ 42,3 bilhões, principalmente devido a queda de 48,6% da carteira para grandes corporações.
“O balanço reforça a política adotada pela Caixa no último período de diminuição do crédito, menos investimentos no país e aumento de tarifas. Parte do lucro do semestre é resultado da venda de ativos, com destaque para ações da Petrobras. O Brasil precisa de um banco público pleno, sem fatiamento, com foco na melhoria da qualidade de vida da população, essa é a Caixa queremos”, avalia a representante dos empregados no Conselho de Administração da Caixa e diretora da Fenae, Rita Serrano.
Loterias e repasses para programas sociais
O segmento Loterias Caixa arrecadou R$ 4,8 bilhões no 2º trimestre, valor 51,9% maior que o apurado no mesmo período do ano passado. Na comparação semestral, o crescimento foi de 24,9% com arrecadação atingindo a marca de R$ 8,1 bilhões nos 6 primeiros meses do ano.
Dentre os valores arrecadados no semestre, cerca de R$ 3 bilhões foram transferidos no período aos programas sociais do Governo Federal nas áreas de seguridade social, esporte, cultura, segurança pública, educação e saúde, o que corresponde a 37,3% do total arrecadado.
O governo marcou para 22 de outubro um novo leilão da Loteria Instantânea Exclusiva (Lotex). Esta será a sexta tentativa de privatizar a chamada “raspadinha” administrada pela Caixa. O certame foi remarcado após o governo flexibilizar mais uma vez as regras, modificando o pagamento da outorga e a experiência que será exigida do futuro operador.
Com informações da Fenae.









