A garantia do emprego foi o tema da segunda rodada de negociação da Campanha Nacional 2020, que aconteceu na tarde desta quinta-feira, 06. Em reunião com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), o Comando Nacional dos Bancários reivindicou a formalização do compromisso de não demissão por parte dos bancos, com inclusão de cláusulas para proteção do emprego bancário na Convenção Coletiva de Trabalho da categoria.
A preocupação com o emprego, que já era pauta prioritária diante do avanço da inovação tecnológica dos bancos e das transformações no mundo do trabalho, se acentuou com o contexto de vulnerabilidade gerado pela pandemia do novo coronavírus.
A comparação entre o saldo de emprego bancário nos cinco maiores bancos do país (Itaú, Bradesco, Banco do Brasil, Caixa e Santander) no primeiro trimestre de 2019 e no primeiro trimestre de 2020 revela que houve fechamento de 11.582 postos de trabalho num período de 12 meses.
O Comando Nacional também questionou a Fenaban sobre os desligamentos realizados durante a crise sanitária, mesmo com o compromisso assumido em mesa de negociação de não demissão. O Santander foi um dos bancos que descumpriu o acordo, demitindo quase 700 empregados na pandemia.
Para o diretor do Sindibancários/ES Carlos Pereira de Araújo (Carlão), que integra o Comando Nacional, o compromisso com o emprego é uma resposta social indispensável para o setor financeiro, que mantém alta rentabilidade mesmo em períodos de crise. Os resultados recentes dos bancos brasileiros sustentam a afirmação. Em 2019, os cinco maiores bancos bateram recorde de lucro, somando R$ 108 bilhões, uma alta de 30,3% na comparação com o ano anterior. No primeiro trimestre de 2020, os bancos mantiveram resultado positivo, mas apresentaram queda sustentada sobretudo pela ampliação das despesas com Provisionamento de Devedores Duvidosos (PDD), uma manobra muitas vezes utilizada para manipular os resultados.
“A questão do emprego é uma pauta sensível, cuja urgência é agravada pela pandemia. O setor financeiro está entre os que mais lucra no país, e garantir o emprego da categoria é uma contrapartida social mínima para os brasileiros”, salientou Carlão.
Carlão também criticou a prática comum dos bancos de descartar trabalhadores ao invés de garantir uma qualificação profissional permanente para melhorar a capacitação diante das novas exigências do setor. “A inovação tecnológica não pode ser justificativa para a demissão. Ao contrário, o uso da tecnologia deve servir para potencializar e melhorar as condições de trabalho, não para eliminar empregos”, disse.
O Comando também se posicionou criticamente em relação ao fechamento de agências, e cobrou o cumprimento do papel social dos bancos em relação ao emprego e à prestação do serviço bancário de qualidade para a população.
“O enxugamento do quadro de empregados está associado ao processo de fechamento de agências, que traz consequências para toda a sociedade. Só em 2019 foram 834 agências fechadas no país, enquanto os bancos investem no uso intensivo de tecnologias da informação. Num país com graves fissuras sociais, onde muitas pessoas sequer têm acesso à internet, a presença das agências físicas continua sendo essencial para garantir a bancarização da população, sobretudo nas cidades interioranas. A capilaridade da rede de agências é uma estrutura fundamental para um atendimento de qualidade e para o desenvolvimento socioeconômico”, explica Carlão.
Mobilização
Apesar de não ter havido resposta definitiva sobre a pauta debatida, os bancos se comprometeram a analisar as reivindicações da categoria. Para Carlão, uma resposta positiva só virá se os bancários demonstrarem força para pressionar os banqueiros. “Mesmo num contexto de isolamento, temos que nos manter mobilizados, mostrar que estamos atentos e dispostos a lutar pelos nossos direitos. Nesse sentido, é preciso fortalecer nossa presença nas redes sociais, fazer a disputa com a sociedade e alavancar a nossa pauta. O Sindicato realizará semanalmente uma plenária virtual para avaliar as negociações e discutir nossa estratégia. É importante que os bancários participem, que construam a Campanha Nacional coletivamente”, conclui.
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