Entre 19 de novembro e 15 de dezembro, um intervalo de 27 dias, foram 29 novos casos confirmados de bancários contaminados pela covid-19 no Espírito Santo. O número total de contaminados saltou de 268 para 297 no período. A alta na categoria acompanha o movimento da segunda onda de contaminação que atinge o Brasil, e preocupa os representantes sindicais, sobretudo pelo relaxamento nos protocolos de saúde.
Os números recebem o olhar atento da diretora de Saúde e Condições de Trabalho do Sindicato, Lizandre Borges, que faz um apelo aos colegas de trabalho e, especialmente, aos gestores: “A pandemia não acabou. É preciso ser rigoroso com os protocolos sanitários e com as medidas de prevenção. É um cuidado necessário conosco, com a nossa família e com todos que trabalham no banco ou utilizam o serviço bancário”, diz.
O alerta da diretora vem acompanhado de uma dura crítica pelo afrouxamento das medidas preventivas nos bancos. Nota-se, segundo ela, um descaso das gestões na execução dos protocolos de prevenção e sanitização nos locais de trabalho, o que pode ter contribuído para o aumento do contágio.
“Com frequência estão sendo descumpridos os protocolos de distanciamento, uso obrigatório de máscaras, disponibilização permanente de álcool gel ou afastamento de empregados contaminados ou com suspeita. Falta compromisso dos gestores em fiscalizar e garantir que essas medidas sejam cumpridas e executadas por todos. Na posição de chefia, eles são responsáveis pela segurança das pessoas naquele ambiente e devem fazer cumprir as normas determinadas pelo poder público”, salienta.
Só nesta semana, o Sindicato recebeu diversas denúncias relatando descumprimento de protocolos. Só no Banco do Brasil, as situações de risco incluem a entrada livre de clientes nas agências, sem medição de temperatura ou triagem de atendimentos essenciais; bancário cujo cônjuge foi contaminado mas segue trabalhando presencialmente, além de bancários sintomáticos que não foram testados nem afastados, e que foram vistos trabalhando sem máscara.
Diante das denúncias, Lizandre também resgata a responsabilidade de cada bancário em se proteger e proteger os outros, garantindo os cuidados individuais necessários.
“Cada um precisa fazer a sua parte. Neste caso, o cuidado individual se reverte em cuidado coletivo, porque reduz o risco de uma pessoa contaminar outras. Nos surpreende ainda ver bancários trabalhando sem máscara, por exemplo. Isso é inaceitável no contexto atual. Estamos vivendo uma tragédia humana que pode ser amenizada se todos contribuírem. Já nos basta a inoperância dos governos em relação à pandemia, não podemos, a gente mesmo, negar a gravidade de uma doença que já vitimou mais de 180 mil pessoas no Brasil”, diz em tom de desabafo.
Bancários devem cobrar cumprimento diário de protocolos
Lizandre também reclama da passividade dos bancários em cobrar o cumprimento dos protocolos e, nesse sentido, fala diretamente para eles: “Você está no seu direito, é a sua vida que está em risco. Não se intimide! Reúna os colegas de trabalho na agência e cobre dos gestores uma postura coerente com a gravidade da situação que vivemos. Se não for uma opção consciente, que prevaleçam as determinações legais que regulamentam as medidas preventivas na pandemia. O que importa é que as pessoas estejam protegidas”.
Contaminação na categoria pode ser maior
Vale lembrar que os dados de contágio entre a categoria podem ser ainda maiores, considerando que nem todos os bancos repassam oficialmente o registro de contaminados ao Sindicato. Nesses casos, a entidade precisa fazer uma apuração com o apoio dos próprios bancários para acessar o empregado contaminado, confirmar a informação do teste e dar as devidas orientações em relação aos seus direitos e aos procedimentos que devem ser adotados do ponto de vista trabalhista, como o afastamento imediato do trabalho e a emissão da CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho), por exemplo.
Por isso, o Sindicato pede a colaboração dos bancários para que eles comuniquem os casos de contaminação à entidade. “Vários bancos resistem em informar ao Sindicato ou o fazem tardiamente, impedindo uma ação imediata de fiscalização em relação à sanitização da agência, por exemplo. Além disso, ter o controle do número de casos é essencial para que possamos pressionar os bancos e as autoridades públicas em relação à prevenção da doença no ambiente bancário. Se você se contaminou ou sabe de algum colega contaminado, procure o Sindicato”, solicita Lizandre.
Óbitos na categoria
O número de óbitos na categoria, em relação aos bancários ativos, permaneceu estável no período. Desde o início da pandemia, foram registrados 3 óbitos de bancários da ativa e um de empregado terceirizado.
O Sindicato criou uma página especial que reúne os conteúdos publicados pela entidade em relação à pandemia, incluindo o mapa de contaminação da categoria, que é atualizado semanalmente. Acompanha a página “coronavírus: os bancários e a pandemia”.
Contaminação avança em todo o Brasil
O Brasil fechou a última terça-feira (15/12) com 182.854 mortes e quase sete milhões de contaminados — 6.974.258, em números exatos. No País, 18 estados, além do Distrito Federal, apresentam alta na média móvel de mortes, entre eles o Espírito Santo, cujo crescimento foi de 28%. A média móvel de mortes aponta a variação da média dos 7 últimos dias em relação à média de duas semanas atrás.
No Estado, já são 4.630 mortes pela covid-19 e mais de 217 mil contaminados. Em entrevista coletiva na última segunda, 15, o Secretário de Estado de Saúde, Nésio Fernandes, admitiu que o Espírito Santo enfrentará uma fase de grande risco social nas próximas semanas. A taxa de ocupação de leitos de UTI no ES para a covid-19 no já alcançou o patamar de 82,5%.
Covid como uma doença do trabalho
Como parte das ações durante a pandemia, o Sindicato está apoiando a pesquisa “COVID-19 como uma doença relacionada ao trabalho”. O estudo é parte de projeto homônimo promovido pela Associação de Saúde Ambiental e Sustentabilidade (ASAS) com o objetivo de dar luz à relação entre a atividade profissional e o adoecimento pela covid-19.
O bancário pode participar respondendo a um formulário, cujas informações ficarão sob sigilo. O projeto resultará na produção de um dossiê sobre a doença nas diversas atividades de trabalho, reunindo informações e percepções de pessoas que trabalharam fora de seu domicílio ou na companhia de colegas durante a pandemia.









