A Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), durante a nona rodada de negociações para renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) específico do BB, voltou a rejeitar a proposta do banco que reduz a Gestão de Desenvolvimento por Competência (GDP) de três para apenas uma avaliação para descomissionar o funcionário. Na reunião da noite dessa terça-feira, 23, também foram discutidas outras cláusulas sociais, como a ampliação do teletrabalho e anistia do banco de horas negativas, especialmente para os trabalhadores idosos.
GDP
Os representantes do BB insistiram na proposta de reduzir o GDP de três para apenas um ciclo. O atual ACT determina que o funcionário poderá ser dispensado da função ou descomissionado somente após três ciclos de avaliação consecutivos de desempenho insatisfatório, que é feito ao final de cada semestre. A proposta do banco permite que o funcionário seja descomissionado após uma única avaliação insatisfatória.
A diretora do Sindicato dos Bancários/ES Goretti Barone destaca que essa foi a terceira vez que o banco tentou impor a redução da GDP. “Essa proposta tem de ser prontamente recusada toda vez que voltar à mesa. A redução para um ciclo deixa o funcionário mais vulnerável ao assédio moral”.
A dirigente afirma que os critérios da avaliação em si já são bastante questionáveis. Ela diz que a avaliação deveria ser utilizada como ferramenta de aperfeiçoamento do trabalhador, não de punição. “Essa crítica aos critérios de avaliação não é de agora, mas o que está em discussão neste momento na mesa é a redução dos ciclos. Não podemos concordar com uma proposta que piora as condições de trabalho”, reforça.
Teletrabalho
A discussão sobre teletrabalho também não avançou na mesa dessa terça-feira. Os funcionários e funcionárias do BB querem uma definição urgente do cronograma para ampliação do percentual de bancários e dos dias da semana em teletrabalho.
Goretti afirma que a questão do teletrabalho está na ordem do dia porque afeta diretamente a vida dos funcionários e de suas famílias. Segundo a dirigente, os funcionários reivindicam a extensão do home office sobretudo para as áreas-meio e nos escritórios digitais.
A CEBB lembrou na mesa que em 2020 o BB apresentou o programa Flexy, propagado como novo modelo para possibilitar mais dias de atividades remotas aos funcionários. Na ocasião, o banco reconheceu as vantagens do teletrabalho na redução de custos. A pergunta que ficou sem resposta do banco foi a seguinte: Por que o programa ainda não foi implementado?
A CEBB observou também que o banco já distribuiu equipamentos móveis para funcionários de diversas áreas e criou um plano de contingência home-office em casos de greve da categoria. “Esse impasse mostra que o banco só acelera os processos quando lhe convém, como para esvaziar uma greve. Mas quando se trata de interesse do funcionário, o banco não move uma palha para melhorar as condições de trabalho”, protesta a dirigente.
No acordo vigente, os funcionários só poderão trabalhar em home office por dois dias na semana ou o seu equivalente mensal. Cada departamento pode ter, por dia, ausência de, no máximo, 30% dos seus trabalhadores em teletrabalho, levando em consideração ausências físicas programadas, como férias e abonos.
Banco de horas negativas
Outro tema que vem tirando o sono dos funcionários, especialmente dos mais idosos, é o banco de horas negativas. De acordo com os dados apresentados pelo BB, 20.912 funcionários ainda devem ao banco de horas negativas, em decorrência do Acordo Coletivo de Trabalho Emergencial da covid-19. A proposta da direção do BB é que o acordo para pagar o banco seja prorrogado por mais 18 meses e cumprido em até duas horas acima da carga horária diária de trabalho.
Na avaliação de Goretti, essa proposta apresentada pelo banco não soluciona o problema, mas apenas o empurra para o trabalhador. “Precisamos deixar bem claro que a covid foi, e ainda é, porque não acabou, uma emergência sanitária de proporções mundiais, que afetou a vida de bilhões de pessoas. Os funcionários do BB, como grande parte da classe trabalhadora brasileira, também foram afetados pela pandemia. O banco precisa entender que os funcionários não optaram pelo isolamento social”, pontua.
Ela lembra que o isolamento social foi necessário para reduzir a transmissão do vírus e evitar mais mortes. “Como bem apontou a Comissão, o BB precisa anistiar essas horas negativas para quem não tem condições de compensá-las, especialmente os mais velhos, que seriam extremamente sobrecarregados com mais duas horas de trabalho diárias”.
Goretti criticou o andamento geral das negociações. Segundo ela, há uma má vontade do banco em dar respostas às reivindicações dos funcionários. “Com mais essa rodada de negociações, já são nove e praticamente não houve avanços para melhorar as condições de trabalho dos funcionários e das funcionárias. Precisamos pressionar o banco nesta reta final para que nossas demandas sejam atendidas”, reforça a dirigente.

