CEE-Caixa cobra do banco transparência no processo de reestruturação

02/07/2024 17:51

Em reunião nessa segunda (1º) com o banco, a representação dos empregados criticou a condução unilateral do processo e exigiu a relação das agências afetadas e o regramento para as movimentações

A Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa se reuniu com o banco nessa segunda-feira (1º) para entender detalhadamente o processo de reestruturação que deve começar nos próximos dias. Entre as medidas anunciadas, a Caixa confirmou o fechamento de 128 agências físicas e abertura de 117 agências digitais. Durante a reunião, a representação dos empregados apontou que falta transparência no processo de movimentação de pessoal. 

Dirigente do Sindicato dos Bancários/ES e membra da CEE, Lizandre Borges afirma que a reestruturação começou enviesada porque foi feita de cima para baixo. “É muito complicado quando uma decisão como essa, que irá afetar as vidas de mais de mil trabalhadoras e trabalhadores, é tomada sem consultar os principais interessados, os empregados”, assinala a dirigente. A CEE cobrou da Caixa a relação de agências afetadas e o regramento das transferências. Até o fechamento desta notícia, a Caixa ainda não havia atendido à demanda dos trabalhadores. 

Segundo a CEE, diversas bases sindicais país afora têm recebido pedido de explicações dos empregados que se sentiram vulneráveis com as mudanças anunciadas. Outro questionamento da representação dos empregados foi com relação à prioridade para PcD e responsáveis por PcD no trabalho remoto. A CEE quer saber se a reestruturação contempla essas pessoas

Lizandre diz que a reestruturação foi pensada única e exclusivamente para atender aos interesses do banco. “Esse processo, da maneira como vem sendo imposto, traz problemas para fora e para dentro do banco. Para dentro, gera esse clima de tensão que é causado por uma decisão unilateral. Para fora, a reestruturação afeta milhões de brasileiras e brasileiros que vão ser diretamente prejudicados pelo fechamento de agências físicas. A Caixa deveria cumprir seu papel social e priorizar o atendimento aos segmentos mais vulneráveis da população, mas a reestruturação vai na contramão da vocação social da Caixa”, critica Lizandre. 

Uma pesquisa sobre Tecnologias de Informação e Comunicação nos Domicílios Brasileiros (Comitê Gestor Internet Brasil), feita no final do ano passado, apontou que 29 milhões de pessoas no Brasil não tiveram acesso à internet no intervalo de três meses, em 2023. O perfil médio do brasileiro alijado desse processo de inclusão digital é homem, preto ou pardo, com mais de 60 anos e com formação escolar até o ensino fundamental. “Esse é exatamente o perfil de um dos segmentos prioritários da Caixa. Quem vai atendê-los se a Caixa intensificar o fechamento de agências físicas”, questiona a dirigente. 

Dúvidas
Para ajudar a sanar tais dúvidas, sempre considerando o âmbito de estado, município e agência, a CEE solicitou que o banco apresente, conforme acordado na reunião do dia 25 último, as seguintes reivindicações:

a relação de unidades a serem afetadas;
os dados da quantidade de pessoal por estado;
municípios e agências que serão afetados;
quantos vão poder optar pela continuidade do trabalho em agências físicas próximas ao seu local atual de lotação;
quantos serão absorvidos pelas unidades digitais.

A Caixa garantiu que nenhum empregado afetado pelo “reposicionamento da rede de varejo”, tanto os que permanecerem em agências físicas quanto os que optarem pelo trabalho em unidades digitais, será descomissionado, nem terá queda de porte de agência; tanto os empregados que optarem pelo trabalho em unidades digitais quanto aqueles que forem “reforçar” a equipe de atendimento das unidades físicas próximas ao seu local atual de lotação, não terão que realizar grandes deslocamentos seu novo local de trabalho; as empregadas e empregados poderão optar pelo modelo de agência em que preferem trabalhar e que, aqueles que, neste momento optarem pelo modelo digital, poderão retornar às unidades físicas, sem perda de função; que haverá treinamento adequado para quem optar pelo trabalho em unidades digitais.