
A mesa desta terça-feira, 23, com a Fenaban, mais uma vez, foi marcada pela intransigência dos bancos, que insistem em apresentar uma proposta rebaixada à categoria
Não houve avanços na 14ª rodada de negociações com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). Na mesa desta terça-feira, 23, os bancos apresentaram uma proposta para os vales refeição e alimentação (VR e VA) de 100% da inflação medida pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), estimada em 8,88% para o final de agosto no acumulado de 12 meses. A nova proposta, ligeiramente maior que a apresentada ontem (22), de 7,19%, continua muito abaixo do índice que está sendo reivindicado pela categoria, que se baseia na inflação dos alimentos do período, projetada para 15,37%. O Comando Nacional dos Bancários rejeitou categoricamente a proposta dos bancos. Diante do impasse, as negociações serão retomadas nesta quarta-feira, 24.
O diretor do Sindicato dos Bancários e integrante do Comando Nacional, Carlos Pereira de Araújo (Carlão) afirma que os bancos, durante essas 14 rodadas, seguem firmes na estratégia de tentar enrolar a categoria. “A proposta da Fenaban é quase metade do reajuste que estamos exigindo. Não podemos aceitar uma proposta rebaixada que representa perdas consideráveis para a categoria. Alheios à crise econômica, à fome e à miséria, os bancos vivem num outro Brasil, quebrando recorde de lucro ano a ano e repartindo os dividendos cada vez maiores com seus acionistas. No Brasil real, o trabalhador vai ao supermercado e não consegue mais comprar os mesmo alimentos que consumia há um ano, porque a inflação comeu seu poder de compra. Não podemos aceitar que os bancos tirem ainda mais do trabalhador”, critica Carlão.
O lucro dos cinco maiores bancos do país (Banco do Brasil, Bradesco, Caixa, Itaú e Santander) no primeiro semestre deste ano chegou a R$ 56,5 bilhões, crescimento de 14,4% em relação ao mesmo período do ano anterior, com rentabilidade de 18%.
Diante da negativa do Comando, os bancos vão analisar a proposta de reajuste para o VA e VR sobre a inflação dos alimentos. Mas, vão considerar a alimentação dentro do domicílio e fora do domicílio.
Outras cláusulas econômicas
Além das tratativas do VA e do VR, o Comando segue pressionado para que a Fenaban apresente uma proposta para o conjunto das cláusulas econômicas que estão na minuta entregue aos bancos em meados de junho. Carlão destaca que os representantes da Fenaban seguem tergiversando nas mesas, mas não apresentam uma proposta global para as cláusulas econômicas. “Estamos chegando à reta final das negociações e as tratativas seguem travadas pela intransigência dos bancos. Isso não tem outro nome: é enrolação”, protesta.
Os bancos se comprometeram em entrar no debate sobre a proposta de reajuste para a Participação nos Lucros e Resultados (PLR) nesta quarta-feira, 24. Também amanhã devem ser retomadas as negociações sobre o VR e o VA.
“Como temos reforçado ao final de cada rodada, é fundamental que os bancários e as bancárias que ainda não se engajaram, que entre de cabeça na campanha. O apoio de cada bancário e de cada bancária é importantíssimo nestas rodadas decisivas. Vamos seguir pressionando os bancos. Lembrando sempre que sem luta não há conquistas”, assinala Carlão.
Assembleias
O Comando Nacional dos Bancários orientou a todas as entidades sindicais que convoquem assembleias para esta sexta-feira, 26, para que os bancários e as bancárias analisem a proposta da Fenaban e autorizem também o estado de assembleia permanente.
Nova rodada
A próxima reunião de negociação será realizada nesta quarta-feira, 24, a partir das 14h, presencialmente, em São Paulo.

