No 38º Congresso Nacional dos Empregados da Caixa Econômica Federal (Conecef), realizado de 8 a 10 de junho, com a parte presencial em São Paulo, os principais pontos de debate foram a defesa da Caixa como banco público e as condições de trabalho. “O fim das metas, o fim do GDP (programa de Gestão de Desempenho de Pessoas) e outras medidas para evitar o adoecimento dos empregados permearam as discussões em todas as mesas. Também o debate girou em torno de qual vai ser a participação dos bancários na eleição de um governo que seja comprometido com a defesa dos bancos públicos”, informou a coordenadora do Sindibancários/ES e empregada da Caixa, Rita Lima. “Precisamos dar fim a essa gestão de medo e terrorismo na Caixa”, ressaltou ela.
As resoluções do Conecef refletem os debates realizados nos congressos estaduais e serão transformadas em pauta específica a ser enviada para a negociação com a direção do banco. Outros eixos relacionados à valorização do salário e ao aumento real necessário foram colocados como assuntos gerais da categoria para serem incluídos nas negociações com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban).
Defesa da Caixa
A abertura do Conecef aconteceu de forma conjunta com os congressos de outros bancos públicos na quarta-feira, 8, e contou com palestra do engenheiro e economista Eduardo Moreira. Em outro momento do evento, a participação foi do ator, humorista, roteirista e escritor Gregório Duvivier. “Ambos ressaltaram a importância da Caixa pública para o desenvolvimento do Brasil e para a redução das desigualdades”, afirmou Rita Lima.
Na mesa “Defesa das Empresas Públicas, Defesa dos Bancos Públicos e Caixa 100% Pública”, a ex-presidente do banco, Maria Fernanda Coelho, que participou por vídeo, destacou o papel histórico da Caixa na implementação de políticas sociais. A deputada federal Erika Kokay (PT/DF), em participação virtual, falou da luta travada no Congresso Nacional para evitar a destruição das empresas estatais e, em especial, da Caixa. Já a representante dos empregados no Conselho de Administração da Caixa, Maria Rita Serrano, afirmou ser voz destoante no Conselho, onde defende os interesses dos empregados e a sobrevivência do banco público. “Devemos lutar pela democratização da gestão da Caixa e pela ampliação da participação dos empregados no Conselho de Administração, com paridade de representação”, disse a coordenadora geral do Sindibancários/ES.
Saúde
Na mesa sobre saúde do empregado da Caixa, a ênfase foi o fim da GDP. O diretor de Saúde e Condições de Trabalho do Sindibancários/ES e delegado no 38º Conecef, Ronan Teixeira, aponta como a organização dos trabalhadores é crucial para enfrentar esse cenário de adoecimento. “A solução é coletiva, por meio da atuação de um Grupo de Trabalho forte e a coletivização da luta contra essa naturalização do adoecimento. Além das metas, o GDP é um sistema perverso, norteado por práticas de assédio e que tem aprofundado o adoecimento da categoria bancária. Precisamos tratar as questões relacionadas ao modelo de gestão como questões de saúde também”, enfatiza.
Também nessa mesa foi apresentada uma pesquisa encomendada pela Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae) que revela: 42% dos entrevistados disseram ter problemas de saúde relacionados ao trabalho. “Com a pandemia [da covid-19] começaram a aparecer mais queixas de depressão. As pessoas sentem obrigação de serem gratas e pensam que não podem se afastar, ficam trabalhando doentes. Temos a cultura da ameaça, do silêncio e do medo”, ressaltou a doutora e mestre em Psicologia Social, do Trabalho e das Organizações, Fernanda Souza Duarte, responsável pelo estudo.
Saúde Caixa
Outro ponto discutido foi o desmonte do Saúde Caixa, promovido pelo presidente Pedro Guimarães e o governo Bolsonaro. Alberto Alves Junior, conselheiro deliberativo da Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil (Cassi), afirmou que, desde 2015, uma grande quantidade de recursos externos invadiu o mercado brasileiro. Segundo ele, antes a assistência era mais familiar, com planos menores, e as negociações eram mais equilibradas nessa cadeia.
“A partir de 2012 e, principalmente 2015, isso mudou. De lá para cá passamos a ter uma avalanche de fusões e aquisições tanto de forma horizontal quanto vertical. Os sistemas de autogestão passaram a ser compradores de serviços dos grandes grupos, que têm objetivo de expandir seus negócios. A tendência é que vendam cada vez mais caro para nós; por outro lado, a solidariedade dos planos está em jogo”, explicou.
Ronan Teixeira afirma que no Saúde Caixa os empregados estão enfrentando um modelo de gestão de terror e sucateamento. “São diversas ações para destruir e sucatear o plano, a começar pela redução do credenciamento. Esse é um dos grandes problemas atuais que exige nossa mobilização e luta”, enfatiza.
Funcef
A mesa “Funcef: desafios e expectativas de uma gestão transparente, participativa e dos participantes” debateu o momento vivido pelo fundo de pensão após a eleição dos novos membros para a diretoria. Segundo Lizandre Borges, diretora do Sindibancários/ES, neste momento os representantes dos empregados eleitos estão “tomando pé da situação” para dar os primeiros passos em busca de solucionar questões como a cobrança adicional para equacionar o desequilíbrio financeiro da Funcef. “Se a Funcef tiver resultados positivos, poderemos ficar livres dessa cobrança”, afirmou.
O ataque aos fundos de pensão das empresas estatais, por meio do projeto de lei do Governo Bolsonaro que permite às patrocinadoras retirar o patrocínio dos fundos, também foi objeto de debate. E mais: os fundos poderão ser administrados por outros entes que não sejam os empregados. “Além de perder o patrocínio e o controle dos nossos fundos, vamos pagar mais caro pela administração dos nossos recursos”, afirma Lizandre. Ela lembra que na Funcef a taxa de administração é menos de 1%. “Se passar para qualquer outro banco privado, a taxa de administração sobe para cerca de 10% sobre o patrimônio. Temos que pressionar para que o Congresso Nacional não aprove esse projeto”, afirmou.
Moções
Ao final do Conecef, os empregados da Caixa aprovaram três moções. Uma em repúdio ao PL 4188/21 que, dentre outras alterações, acaba com a exclusividade da Caixa nas operações de penhor. A moção solicita que as lideranças partidárias se posicionem contrárias a essa proposta.
A segunda moção é em repúdio à atitude persecutória da direção da Caixa ao empregado Sérgio Soares, bem como aos ataques contra a livre organização dos trabalhadores. A moção exige o imediato cancelamento do processo disciplinar contra Sérgio Soares, um bancário de carreira da Caixa há 32 anos, que trabalha na agência Guaianases, na Zona Leste de São Paulo, bem como a qualquer empregado que, fazendo valer sua liberdade de manifestação, se contraponha à violência por parte dos gestores e às péssimas condições de trabalho na Caixa.
A terceira moção aprovada é em defesa da democracia, por Fora Bolsonaro e Lula Presidente.

