A 27ª Conferência Nacional das Bancárias e Bancárias, que reuniu 629 delegados (366 homens e 263 mulheres) no último final de semana, em São Paulo, aprovou resoluções e moções tratando de questões específicas da categoria e gerais da classe trabalhadora.
“Fizemos um intenso debate sobre as questões que envolvem soberania nacional e democracia, a importância do Sistema Financeiro sob o ponto de vista estratégico, os impactos da inteligência artificial (IA) no trabalho bancário, sobre a necessária garantia e geração de empregos e outros desafios para a classe trabalhadora, como ter trabalho com saúde. O resultado foram as resoluções e moções”, resumiu o coordenador-geral do Sindibancários/ES, Carlos Pereira de Araújo (Carlão).
Na agenda dos bancários e bancárias estão a defesa da democracia, da soberania nacional e da regulação das redes sociais para combater a desinformação; as lutas contra o fascismo e as privatizações, pela regulação do Sistema Financeiro Nacional, pela redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1; pela taxação das grandes fortunas e a redução de Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil.
“Entendemos que a atuação do Sistema Financeiro Nacional tem que ser uma política de Estado, que dialoga com a soberania nacional, a capacidade de investimento em ciência, tecnologia, educação e saúde”, afirmou Carlão. Ele lembra que “se não existissem os bancos públicos, não existiria financiamento para a indústria, a agricultura e habitação”.
Bancos públicos
Em âmbito interno, a categoria reafirmou as lutas em defesa dos bancos e empresas públicas, destacando a importância dos serviços públicos; contra o fechamento de agências bancárias e em defesa do emprego bancário; por saúde e condições de trabalho nas agências e departamentos e a valorização dos empregados e empregadas. Em outra frente, bancários e bancárias querem a redução dos juros abusivos, regulação da atuação das fintechs.
Carlão destacou: “Os bancos precisam discutir o novo mundo do trabalho impactado pela IA. Quem está em agência digital hoje é gerenciado pela IA. Ou seja, humaniza-se a máquina e desumaniza o ser humano. É preciso colocar limites, pois esse modelo aumenta a pressão e adoece ainda mais bancários e bancárias”.
Primeiro ato
A realização de ato nacional nesta quarta-feira, 27, em defesa do Banco do Brasil abre o calendário de lutas pós-conferência. O BB foi alvo de ataques nas redes sociais na última semana, especialmente por meio de um vídeo feito por Eduardo Bolsonaro no qual o deputado federal afirma que “o Banco do Brasil será cortado das relações internacionais, o que o levará à falência”.
“Estaremos nas ruas e nas redes defendendo o Banco do Brasil contra os ataques infames da extrema-direita. Um banco com 216 anos de história e a importância que tem não pode ser tratado como moeda de troca por golpistas e chantagistas movidos por interesses próprios e alheios ao bem comum. O BB é uma das maiores instituições públicas brasileiras e um dos pilares da economia desse país, que leva emprego a quase 90 mil funcionários e funcionárias, que financia desde a agricultura familiar, colocando alimento na mesa da família brasileira, bem como pequenas e médias empresas. A defesa do Banco do Brasil é a defesa do povo brasileiro e, mais ainda, é a defesa da própria soberania nacional”, ressaltou a diretora do Sindicato dos Bancários/ES, Bethania Emerick.
Outra data definida na agenda de lutas da categoria é o 7 de Setembro, quando acontecem manifestações organizadas pelas centrais sindicais e movimentos sociais. A proposta é dar visibilidade às pautas por soberania e democracia, redução da jornada de trabalho e taxação dos super-ricos no dia em que se celebra oficialmente a independência do Brasil.
Consulta Nacional
As resoluções foram aprovadas levando-se em conta a Consulta Nacional à categoria, que contou com 33.482 respondentes. Na pesquisa, bancários e bancárias puderam dizer quais as prioridades da categoria neste ano.
Greve de 1985
Durante a conferência, houve um momento de celebrar os 40 anos da greve nacional dos bancários e bancárias que marcou o ano de 1985.
Confira o que foi aprovado
Resoluções
- Realizar ato nacional no dia 27 de agosto, em defesa do Banco do Brasil;
- Regulação do Sistema Financeiro Nacional e fortalecimento dos bancos públicos federais;
- Defesa dos Bancos e Empresas Públicas e a Importância dos Serviços Públicos;
- Saúde e Condições de Trabalho;
- Defesa da Soberania, da Democracia e do PIX;
- Justiça Tributária Já! Que os super ricos paguem mais, para que o povo pague menos;
- Regulação das redes sociais: uma urgência democrática;
- Redução da Jornada e Fim da Escala 6×1;
- Resolução contra o fechamento de agências bancárias e em defesa do emprego bancário;
- Formação da Classe Trabalhadora;
- Comunicação Popular na Era das Redes Sociais;
- Novas Formas de Mobilização.
- Reeleger o presidente Lula e apoiar candidaturas ligadas à classe trabalhadora;
Moções
- De repúdio às práticas de contratação fraudulenta adotadas pelo banco Santander;
- De apoio ao Supremo Tribunal Federal e em defesa da soberania nacional;
- Contrária à pauta de anistia geral e irrestrita aos participantes da tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023;
- Pelo fim do genocídio do povo palestino.

