Demissões no Santander atingem 433 empregados em um mês

08/07/2020 11:49

Levantamento foi feito pelo Jornal Folha de São Paulo com ase em informações de sindicatos de bancários em todo o país. Dados confirmam desrespeito a compromisso de não demissão durante pandemia

O banco Santander demitiu 433 empregados entre os dias 5 de junho e três de julho, segundo levantamento feito pelo Jornal Folha de São Paulo juntos aos Sindicatos de bancários de todo o país.

As demissões no Santander vêm sendo denunciadas desde o início de junho, quando foram registrados ao menos 15 desligamentos em São Paulo e um no Espírito Santo. O banco Santander foi o único entre os cinco maiores bancos brasileiros (Santander, Itaú, Banco do Brasil, Caixa e Bradesco) a demitir durante o período da crise sanitária, rompendo o compromisso assumido com o movimento sindical de não demissão durante a pandemia de coronavírus.

A Folha de São Paulo chegou a noticiar, em matéria do dia 09 de julho, que o processo de desligamento iniciado pelo banco poderia atingir até 20% do quadro de empregados, o que representaria 9.438 bancários demitidos num período de grave instabilidade econômica. O banco negou a informação, mas não justificou as demissões ocorridas até aquele momento.

Em relação ao novo levantamento de demissões, o banco informou ao jornal, por meio de sua assessoria de imprensa, que não comentaria as demissões nem abriria o número exato de desligamentos ou contratações feitas desde o início de junho. Há possibilidade de que o número seja ainda maior, já que a reforma trabalhista de 2017 suspendeu a obrigatoriedade de que as homologações das rescisões contratuais sejam feitas pelos sindicatos, o que dificulta o controle e acompanhamento dos desligamentos.

No mês de junho os bancários do Santander protestaram contra as demissões e o aumento da cobrança de metas durante a pandemia, em ações presenciais e pelas redes sociais que mobilizaram trabalhadores em todos os estados brasileiros, pressionando a abertura de negociação sobre o tema.

Ação sindical em Vitória, contra as demissões e o aumento da cobrança de metas durante a pandemia (Foto: Sérgio Cardoso)

A Comissão de Organização dos Empregados do Santander (COE) se reuniu com o banco por videoconferência no último dia 1º, mas o banco não aceitou negociar qualquer medida para cessar as demissões e a política abusiva de cobrança de metas, e ainda tratou as demissões ocorridas como ajustes naturais para que o banco se torne competitivo. Uma nova negociação estava prevista para o dia 03, mas foi suspensa pelo Santander, em mais uma demonstração de desrespeito aos empregados.

O banco confirmou nesta semana uma nova agenda negocial para a próxima sexta-feira, 10, quando os representantes dos empregados esperam ter respostas mais efetivas sobre a garantia do emprego e demais reivindicações da categoria.

Para o diretor do Sindibancários/ES Cláudio Merçon (Cacau), que integra a COE-Santander, “o banco tem ignorado a crise de saúde que já vitimou mais de 65 mil pessoas no país e colocou milhões de trabalhadores em situação de vulnerabilidade”. Segundo ele, o banco, que obteve no Brasil lucro líquido de R$ 3,8 bilhões no primeiro trimestre do ano – resultado que corresponde a 29% do lucro global do Santander – não tem justificativa para demitir e sua atitude demonstra descompromisso social com o povo brasileiro.