Dia da Visibilidade Trans: por direito, dignidade e trabalho

29/01/2025 17:35

Apesar do Brasil seguir liderando o ranking de país que mais mata pessoas trans no mundo, avanços importantes em termos de representatividade têm sido respostas essenciais frente à transfobia

Nesta quarta-feira, dia 29 de janeiro, é celebrado o Dia da Visibilidade Trans, uma data para destacar as conquistas e desafios enfrentados pela população trans e travesti no Brasil. Embora o dia seja uma oportunidade para refletir sobre a importância de respeitar e valorizar as identidades de gênero, ele também nos convoca a olhar para as dificuldades diárias dessa parcela da população ainda marcada pela violência, pela falta de oportunidades e pela discriminação em diversas esferas da sociedade.

Em sua 8ª edição, o “Dossiê: Assassinatos e Violências contra Travestis e Transexuais Brasileiras”, elaborado pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA) avalia que “o Brasil e o mundo vivem uma era de intensas disputas sobre direitos humanos, em que a população trans e travesti se encontra no centro de um projeto político, jurídico, social e econômico que visa erradicar sua existência da vida pública. E, no momento atual, esse projeto é marcado pela proliferação de leis e políticas que, em vez de promover a inclusão e a dignidade, buscam criminalizar, marginalizar, silenciar e apagar as vivências trans. No entanto, contra todas as previsões e manobras institucionais, a comunidade trans brasileira tem se mantido resiliente, organizada e, acima de tudo, resistente”.

De acordo com o Dossiê, em 2024, o Brasil registrou 122 assassinatos de pessoas trans e travestis. Apesar de uma redução de 16% em relação ao ano anterior, o cenário permanece adverso, uma vez que, mesmo com a diminuição nos dados registrados pela pesquisa, o Brasil segue, pelo 16º ano consecutivo, como o país que mais assassina pessoas trans no mundo. Desses 122 casos, 117 eram mulheres trans e travestis, e cinco eram homens trans.

Além dos números alarmantes de violência, é importante destacar que o cotidiano dessas pessoas no Brasil é marcado por desafios estruturais, que vão desde a exclusão do mercado de trabalho até o preconceito diário enfrentado em espaços públicos, instituições de ensino e até mesmo no atendimento à saúde. No Brasil, a taxa de desemprego entre pessoas trans é alarmante. A discriminação nas entrevistas de emprego impede que muitas dessas pessoas consigam uma colocação formal, forçando muitas a se submeterem a condições precárias de trabalho.

Em um cenário de escassez de oportunidades, as pessoas trans se veem forçadas a lutar não só pela sua sobrevivência financeira, mas também pela sua própria dignidade. Em muitas situações, enfrentam resistência até mesmo para ter seu nome social respeitado, seja no ambiente profissional, nas escolas ou no sistema de saúde.

Transempregos

Criada em 2013, a Transempregos é uma iniciativa que visa combater a discriminação e o preconceito que dificulta o acesso de pessoas trans ao mercado de trabalho. As co-fundadoras do projeto são: Márcia Rocha, Maite Schneider e Laerte Coutinho.

A proposta, que visa garantir empregabilidade para as pessoas trans, surgiu a partir de um debate sobre educação para a população trans. Com as reflexões sobre o tema, uma provocação surgiu: não adiantava falar só de educação, se não se falasse também de empregabilidade. Com a provocação feita, surgiu a ideia de um portal que conectasse quem buscava trabalho com as vagas de emprego surgidas. A ideia inicial era a criação de um banco de talentos. Com o passar do tempo, a iniciativa ampliou sua área de atuação.

Além do suporte prestado às pessoas trans, a Transempregos também atua em parceria com empresas, através de formações, consultorias e campanhas, para que elas sejam ambientes verdadeiramente inclusivos.

Conheça o projeto aqui: transempregos.com.br

Resistência

O Dia da Visibilidade Trans é também uma data para celebrar as vitórias da comunidade trans e travesti. Nos últimos anos, temos visto avanços importantes em termos de representatividade, especialmente nas artes, na mídia e na política, com o aumento do número de pessoas trans ocupando espaços de destaque.

A eleição de parlamentares trans para cargos importantes, o protagonismo de ativistas e pesquisadores em espaços acadêmicos e políticos e a visibilidade de artistas e lideranças trans no Brasil e no exterior tem sido respostas fundamentais frente à transfobia. Ao longo dos últimos anos, figuras trans têm desafiado as estruturas conservadoras, denunciando as violências institucionais e propondo políticas públicas que efetivamente atendam às necessidades de uma população historicamente marginalizada.

É fundamental que a sociedade reconheça a importância de criar um ambiente seguro e inclusivo para todas as pessoas, independentemente de sua identidade de gênero, criando para isso ações concretas para garantir direitos e combater as diversas formas de violência e discriminação. Que este dia seja mais um passo na construção de um país mais igualitário para todos, sem exceções.