Diretores e delegados sindicais discutem impactos da reestruturação

13/01/2021 14:17

Em reunião nessa terça, 12, os sindicalistas destacaram a perversidade do plano que ocorre em meio à pandemia. Na noite desta quarta, 13, diretores e delegados se reúnem com os caixas e PSOs. Na sexta, 15, haverá uma plenária geral

Diretores e delegados do Sindicato dos Bancários/ES se reuniram virtualmente na noite dessa terça-feira, 12, para discutir os impactos do plano de reestruturação do Banco do Brasil, anunciado de surpresa na última segunda-feira, 11. Os trabalhadores foram unânimes em classificar as medidas como perversas e cruéis. “A reestruturação, além de autoritária e desrespeitosa, é imposta em meio a uma pandemia. É inaceitável fazer mudanças dessa natureza, com impactos profundos nas vidas dos funcionários, em um momento como esse”, criticou o diretor do Sindicato dos Bancários/ES Dérik Bezerra.

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Foi consenso entre os sindicalistas a realização de uma reunião virtual nesta quarta-feira, 13, às 19h00 (veja orientação no final dessa matéria para participar da reunião de hoje à noite), com as PSOs e todos os caixas do Estado, um dos segmentos mais afetados pela reestruturação. Foi deliberado também que na sexta-feira, 15, às 18h30, o Sindicato fará uma plenária geral com todos os funcionários e todas funcionárias do BB. Diretores e delegados se comprometeram a mobilizar os funcionários para que tanto a reunião com os caixas, nesta quarta, quanto a plenária, na sexta, tenham ampla participação.

Na abertura da reunião, após uma explanação geral do plano de reestruturação, foi explicado que as medidas preveem mudanças em 870 pontos de atendimento por meio do fechamento de agências, postos de atendimento e escritórios e a conversão de 243 agências em postos; oito postos de atendimento serão convertidos em agências; 145 unidades de negócios passam a funcionar como Lojas BB; está prevista também a criação de 28 unidades de negócios.

Além das mudanças na rede física, o PDV gerou muita discussão entre diretores e delegados em relação aos impactos que as medidas devem causar a todos os funcionários de maneira geral. Os sindicalistas criticaram o tempo exíguo estabelecido pelo banco para os funcionários fazerem a adesão ao PAQ.

O PDV está dividido em duas modalidades: Programa de Adequação de Quadros (PAQ), para o que a direção do banco considera excessos nas unidades; e Programa de Desligamento Extraordinário (PDE), para todos os funcionários do BB que atenderem aos pré-requisitos.

Repercussão

Diretores, diretoras, delegados e delegadas fizeram duras críticas ao plano de reestruturação do BB.

“Sem dúvida, uma das piores reestruturação dos últimos anos. O grau de perversidade é absurdo, considerando que enfrentamos uma pandemia”, pontuou Derik.

“O banco quer nivelar todo mundo por baixo. Quer retirar o pessoal pré-1998. É muita crueldade. O banco não se importa com a nossa saúde. O banco vai para cima dos gerentes que não entregaram o esperado. Não é culpa deles, mas o banco não quer nem saber. Perdemos grande poder de mobilização nas reformas trabalhista e previdenciária”, criticou um delegado.

“A reestruturação, da maneira como está sendo feita, deixa claro que o banco tem um alvo preferencial pré-definido”, comentou um diretor, sugerindo que o banco está fazendo um desligamento seletivo”, complementou outro delegado.

“Nos meus mais de 40 anos de carreira, esta foi sem dúvida a reestruturação com mais requintes de crueldade dos últimos tempos. Nos anos 1990, as reestruturações foram duras, talvez porque eram as primeiras e isso gerou um grande impacto à ocasião. Mas esse atual está gerando um impacto sem precedentes”, comparou a diretora do Sindicato Goretti Barone.

Caixas-PSO

A reestruturação afeta a todos os funcionários, mas na reunião houve consenso de que os caixas são um dos segmentos mais afetados pelas mudanças. Alguns delegados compartilharam que o clima nas agências é de grande tensão, sobretudo entre os caixas, que vão perder a gratificação e sofrer redução salarial significativa.

“Retirar as comissões dos caixas é um absurdo. Na Caixa Econômica também foi criado o caixa-minuto, mas os anteriores foram mantidos. Nesse sentido, essa reestruturação do BB é ainda mais cruel”, disse Goretti. A dirigente acrescentou que além dessa reunião para tratar especificamente das demandas dos caixas, o Sindicato segue atento discutindo a situação dos funcionários vinculados às agências fechadas e às unidades que sofreram mudança de perfil.

Uma delgada protestou: “A gente chega para trabalhar e descobre que teve a metade do salário retirado”.

De acordo com o plano, os caixas perdem a gratificação permanente e passam a receber gratificação por demanda, ou seja, só recebem quanto são requisitados para a função. Na opinião de um dos delgados, essa medida pode gerar uma disputa nada saudável entre caixas e escriturários (com a reestruturação recebem a nomenclatura de agentes de vendas), que farão de tudo para serem escolhidos pela gerente para assumir a função quando houver demanda. Ele disse ainda que o gerente pode fazer a escolha como uma premiação em reconhecimento ao funcionário que performou melhor nas vendas.

Prazos

Os prazos exíguos para adesão ao PAQ, na avaliação dos diretores e delegados, revelam a faceta perversa do plano. De acordo com as regras do PAQ, o funcionário tem do dia 14 a 22 de janeiro para se inscrever no aplicativo de pessoal e solicitar a remoção, ou seja, a partir desta quinta, 14, o funcionário tem exatos nove dias para se manifestar e tomar uma decisão que terá impactos na sua vida profissional e familiar.

“A reestruturação foi apresentada na manhã da segunda-feira. Os sindicatos foram informados pelos próprios funcionários e pela imprensa. Todos se debruçaram sobre a documentação para entender as mudanças. Hoje [terça], 24 horas depois do anúncio das medidas, estamos reunidos debatendo o plano e temos que realizar novas reuniões e plenárias ainda esta semana, porque o tempo apertado está correndo e nos impede de fazer uma discussão mais ampla”, protestou Goretti.

“O prazo é um ponto-chave dessa crueldade. Corre-se o risco de o prazo expirar e o funcionário não ter conseguido uma realocação”, apontou um delegado, que problematizou os casos de funcionários que decidirem permanecer em excesso sem fazer a opção de realocação para ver o que acontece. “Qual será o critério utilizado pelo banco para encaminhar esses casos”, questionou.

Estratégias de luta

Delegados e diretores começaram a discutir também algumas estratégias de luta para enfrentar o plano de reestruturação que é, de fato, um processo de desmonte do BB. Essa discussão será ampliada na reunião desta quarta, 13, (19h00) com os caixas e principalmente na sexta, 15 (18h30), quando acontece a plenária geral.

Mas alguns sindicalistas apontaram que é importante iniciar uma mobilização junto às câmaras e prefeituras dos municípios que serão afetados pelo fechamento ou mudança de perfil de agências. Os sindicalistas sugeriram também que essa ação seja direcionada ao governador do Espírito Santo, à Assembleia Legislativa e à bancada capixaba na Câmara dos Deputados e no Senado. Engajar a população desses municípios nessa luta foi outra ação indicada pelo grupo.

Clima de tensão

Há um clima de angústia entre os funcionários que beira o desespero. Mas os diretores e delegados disseram que tem orientado os colegas a não tomarem nenhuma decisão precipitada para não se arrepender depois.

“Estamos todos extremamente angustiados com essa situação absurda. A classe trabalhadora sofreu derrotas recentes com as reformas trabalhista e da Previdência. Estamos colhendo os frutos dessas reformas agora”, assinalou Dérik.

“Apesar da tensão e da pressão, é muito importante pensar em soluções coletivas e nunca individuais em momento de crises como esse que estamos enfrentando. Precisamos reagir, mas não individualmente. A degola no capital vem para todos. Quem está performando bem hoje, amanhã pode não estar. Por isso temos que pensar sempre coletivamente. Repito, as soluções aparecem pela via coletiva”, enfatizou Goretti.

O coordenador-geral do Sindicato, Jonas Freire, complementou: “Só faremos um enfrentamento forte e conciso a esses ataques por meio de uma luta coletiva”. Jonas deu como exemplo a luta que o Sindicato e os banestianos têm travado com o Governo do Estado para impedir a privatização do Banestes. “Estamos conseguindo resistir até agora por conta de muita pressão, mobilização e com o engajamento de todos e todas dentro desse espírito coletivo. Sozinho não se chega a lugar nenhum”, afirmou o dirigente.

Como participar da reunião desta quarta-feira

A reunião desta quarta, 13, às 19h00, será por meio da plataforma Zoom. Para participar, baixe e instale o aplicativo Zoom no seu celular ou computador. Clique AQUI para acessar a sala virtual e aguarde a liberação do anfitrião. Lembre-se de incluir seu nome para que o acesso seja autorizado.

📌 Veja tutorial para usar o aplicativo Zoom.

“É importante que os bancários e bancárias participem da plenária e fortaleçam a mobilização contra esse ataque brutal do BB. Essa reestruturação representa o desmonte do BB e tem como principal alvo retirar direitos dos funcionários e funcionárias e privatizar totalmente o BB. Mais do que nunca, precisamos de unidade e toda mobilização possível nesta luta”, enfatizou Dérik.